DECEMBER 9, 2022

Arte nas Águas de Minas

Projeto dá novo colorido a Brasília de Minas

O artista,Paulo Henrique Magalhães, de Ubaí. Foto: Divulgação

As serras azul-claro no horizonte compõem o mar de morros entrecortados pelos rios que desembocam em um vale repleto de casas. A pintura, feita no entorno da sede da Copasa de Brasília de Minas, integra o conjunto de três murais do projeto de incentivo à cultura “Arte nas Águas de Minas”.

Os muralistas foram selecionados por meio de edital, uma realização do Ministério da Cultura e da APPA Cultura & Patrimônio, com patrocínio da Copasa, viabilizado pelo Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Por pouco, o público não teria a chance de contemplar a bela paisagem da geografia mineira pintada por Abias Gabriel Pereira (@abiasgabriel). Ele concluiu a inscrição segundos antes do fim do prazo e nem acreditou quando recebeu a notícia de que foi selecionado, mal podendo conter a emoção inesperada.

O desenho acompanha o artista desde os mangás de Dragon Ball Z na infância até a arte figurativa, que procura retratar nos murais que pinta, um extra no orçamento de professor. Multiartista, Abias se aventura ainda na dança, no canto, no violão e no artesanato com materiais recicláveis.

Mas seu maior talento é levar o que sabe para mais de 500 crianças, jovens e adultos nas escolas públicas do município de São João da Ponte. Desde pequenos artistas de 5 anos até vovós do EJA, os estudantes têm o professor como fonte de inspiração para expressarem suas habilidades artísticas. Formado pelo curso de Artes Visuais da Unimontes, o professor está feliz de fazer parte do projeto e procurou retratar a paisagem da região em seu mural.

“Meu projeto vai pegar a região das Gerais, as montanhas de Belo Horizonte, a região central, subir até o São Francisco e pegar a região de transição do cerrado e da caatinga”, explica Abias Gabriel.

O segundo artista selecionado é Paulo Henrique Barbosa Magalhães (@phmcarts), natural de Ubaí.  Na outra face do muro que cerca a Copasa já é possível ver um lindo céu que começa a ganhar forma em seu projeto. Ele preferiu investir na ideia da passagem de gerações e em como cada um, da criança ao idoso, tem uma relação importante com a água.

Assim como Abias, ele também é graduado na faculdade de Artes Visuais da Unimontes, o que considera um divisor de águas na sua relação com a arte. A licenciatura trouxe novos conhecimentos, oportunidades e uma rede de experiências que continuam até hoje. Depois de formado, atuou como professor e se especializou em aerografia.

PH domina diferentes linguagens e trabalha ativamente em diversos projetos na região para o poder público, pequenos empresários, organizadores de eventos e a pedido de particulares. Versatilidade que levou o artista a mostrar suas habilidades das mais variadas formas: seja no trailler de uma lanchonete, nos muros da Estadual Maria Batista ou no projeto de reforma do cemitério local.

O reconhecimento, porém, nem sempre vem fácil. Paulo lembra da emoção ao ter seu projeto selecionado no edital. “Não estava esperando, fiquei muito feliz. Nem tenho como descrever”, diz. Para ele, esses incentivos são fundamentais em cidades menores, onde a cultura muitas vezes é desvalorizada.

“Os editais são importantes porque dão condições para a gente crescer como artista e valorizam a produção local e regional. É uma forma de propagar a cultura, que muitas vezes falta nessas cidades.”, explica o artista.

Os muros da Copasa se transformaram em uma grande tela ao ar livre, que recebe o talento e criatividade de três artistas mineiros por meio do projeto Arte nas Águas de Minas

Talento Nacional

O projeto prevê a participação de artistas convidados em cada uma de suas fases. Em Brasília de Minas, os artistas locais terão a curadoria de Thiago Mazza, um dos principais expoentes do muralismo contemporâneo brasileiro.

Com obras em diversos países, incluindo México, Croácia, Reino Unido e Suécia, o artista visual e muralista, Mazza, é reconhecido, no Brasil e no exterior pela transformação de detalhes singulares da biodiversidade brasileira em murais gigantes como na obra “O Galo e a Raposa” (2017), com 40 metros de altura no Edifício Satélite, na rua da Bahia, em BH.

Desta vez, Mazza mergulha na urgência da preservação das águas. A obra, inédita, nasce do encontro entre sua experiência na pintura clássica, na street art e na arte contemporânea, resultando em uma narrativa visual que promete emocionar e provocar reflexão.

Além do legado deixado no espaço urbano, o Arte nas Águas de Minas promove uma oficina artística, no domingo, dia 24 de agosto, convidando o público local a experimentar o processo criativo de perto. Os detalhes sobre como participar serão divulgados em breve pelas redes sociais.

Cores que inspiram cidadania e sustentabilidade

Aos poucos a Rua Sete de Setembro ganha o colorido do Brasil, país que tem nome de cor e de árvore: o Pau Brasil, cor de brasa, que também inspirou o nome da cidade: Brasília, emprestado para a capital do país em 30 de dezembro de 1962, pela lei nº 2.694.

As pinturas dos artistas também fazem jus ao sobrenome do município, ganho à época como forma de diferenciação do distrito federal que nascia: “de Minas” estado representado nos murais com suas serras, campos, rios, cidades e paisagens que vão da mata exuberante aos resilientes cerrado e caatinga.

Agora as pessoas terão um motivo a mais para visitar a cidade que, nomes e sobrenomes à parte, é conhecida e chamada, carinhosamente, de “Brasilinha”. No dia 25 de agosto, haverá uma solenidade, às 10h, em frente à Copasa, para que a comunidade possa conhecer os artistas e saber mais detalhes desse trabalho que reúne aspectos culturais, artísticos, sociais e ambientais tão importantes para o semiárido mineiro.

“A arte tem o poder de comunicar de forma universal. Ao apoiar suas diversas linguagens, amplificamos a mensagem de que a água é um bem coletivo, mas finito. Esses murais são mais do que intervenções estéticas; são ferramentas de educação ambiental que reforçam nosso vínculo com as comunidades”, afirma Cleyson Jacomini, Diretor de Clientes, Comunicação e Sustentabilidade da Copasa.

Esquerda Abias Gabriel (artista de São João da Ponte) selecionado no edital. Direita (Thiago Mazza) moralista convidado reconhecido no Brasil e exterior. Durante a produção do mural, Abias Gabriel aprende e compartilha experiências com o artista convidado, Thiago Mazza, muralista renomado no Brasil e no exterior.

Cidades envolvidas no projeto

Até o mês de novembro, o projeto, que abriu sua segunda temporada em Alfenas, passará por Teófilo Otoni, Frutal, Pompéu e Belo Horizonte. Na primeira edição, entre outubro de 2024 e março de 2025, foram criados murais em outras seis cidades mineiras, com a participação de diversos artistas:

Divinópolis – Bicicleta Sem Freio, Pinguim e Mika;

Contagem – Juliana Gontijo, Rafael Lacruz e Zi Reis;

Araxá – Ramon Martins, Matheus Black e Marlette Menezes;

Pouso Alegre – Fênix, Prado Neto e Tadeo 180;

Montes Claros – Bozó Bacamarte, Bela Parada e Léo Caxeta;

Coronel Fabriciano – Luna Bastos, Thiago Moska e Leonardo “Cisco” Advíncola.

Exposição

No fim do ano, a capital vai abrigar uma grande exposição, reunindo obras de todos os artistas do projeto no Palácio das Artes, que fechará este segundo ciclo.

Com curadoria de Flaviana Lasan e Marcel Diogo, a mostra contará com novos trabalhos dos 36 artistas participantes, das duas edições do projeto até agora. As obras vão extrapolar o grafite e o muralismo, abarcando outras linguagens artísticas.

A programação paralela da exposição contará com a exibição de documentários produzidos exclusivamente para o projeto, além de bate-papos e visitas guiadas.

O artista,Paulo Henrique Magalhães, de Ubaí, leva sua experiência em artes visuais e aerografia para retratar a relação entre gerações e a água nos murais de Brasília de Minas.

*Por verônica Pacheco

 

 

 

 

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