O ofício da gente depende da escrita, de colocar os acentos, as letras e as ideias nos lugares certos. Mas nem sempre o cérebro, o coração e as mãos estão alinhados para sair uma peça pronta, bonita como um centro de mesa de crochê.
Tudo fica emaranhado no novelo do pensamento. E é assim que me sinto agora…sem saber onde está o fio da meada, perdida, nas muitas lembranças que temos juntas… como atravessar o Rio São Francisco de balsa, entre Matias Cardoso e São Romão para fazermos uma matéria. Como você vibrava com cada notícia, como lutava para manter em pé esse modo de vida errático, ingrato e apaixonante que é o jornalismo.
Sustentou a Tempo como quem cuida de um filho sem limite de amores, de dedicação, de dinheiro, tirando do próprio sustento para que ela pudesse ir para a gráfica. Tudo que conquistou para si foi o prazer da revista com cheiro de tinta na banca.
Eu estava escrevendo uma reportagem especial sobre você – em segredo – enquanto estava no hospital. Ouvi seus amigos, familiares e descobri histórias sobre a Patrícia menina, de maria Chiquinha, que ia para a Lapa, na Bahia, com a família, na excursão de romeiros organizada por seu tio. Perdeu seu irmão mais velho, seu pai, sua mãe e mesmo com a perna inchada, lá estava você, com uma pilha de revistas cortando a cidade, indo aos eventos, falando com um e outro, sem deixar a peteca cair nem por um minuto.
A sua fé sempre foi inabalável, sua positividade de que tudo ia terminar bem, sua sensibilidade de entender o jeitinho de cada um e saber lidar diplomaticamente com a vaidade besta de cada um de nós, jornalistas. Todos os seus amigos concordam numa coisa: você está acima de toda essa bobagem, você é puro amor como tia, como madrinha, como irmã e como amiga.
Senti um aperto no peito no dia 12/12 e mandei mensagem para sua tia Márcia, irmã do seu pai Juraci, que estava com você no Hospital em Nova Lima. Foi a primeira vez que ouvi sua voz desde que você foi para a cirurgia…Oi garotinha!…Até da sua dor, era você quem me consolava… como continuar sem você Pati? Se mesmo a mais de 1600 km de distância era você quem cuidava de mim?
Eu e meus longos textos…do tempo em que as pessoas liam mais que curtiam. Haja editor para cortar os milhares de caracteres…talvez seja para alongar nossa história, para não chegar ao fim. Os verbos insistem em ficar no presente, porque não dá para falar em você no passado….
Essa é uma história que não tem ponto final, ela não acabou. Esta eternizada em todas as edições da Revista Tempo, impressa em cada um de nós. Você foi a maior amiga que tive, a mais fiel, a mais amorosa, a mais compreensiva, a mais acolhedora, a mais especial. Todas as homenagens a você serão injustas, insuficientes diante de sua grandeza.
As palavras, suas grandes aliadas, hoje não retribuem na mesma medida. Obrigada minha amiga por me permitir compartilhar desta vida com você, obrigada por tudo que fez por mim – e não foi pouco, obrigada por ser generosa e amorosa até o fim, nos ensinando a seguir, mesmo diante das adversidades, sem perder a ternura. Te amo para sempre, Vê.
Verônica Pacheco – jornalista
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