DECEMBER 9, 2022

Contra as Meningites: Dose de reforço da vacina ACWY começa a ser aplicada nesta terça-feira, 1º de julho

Montes Claros passam a ofertar a vacina meningocócica ACWY para crianças de doze meses de idade

Foto: Foto: Pedro Ricardo/SRS Montes Claros

A partir desta terça-feira, 1º de julho, as 54 secretarias municipais de saúde que integram a área de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros passam a ofertar a vacina meningocócica ACWY para crianças de doze meses de idade. Nota Técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) encaminhada pela SRS a todos os municípios destaca que “a ocorrência das meningites bacterianas ainda é um fator de preocupação, especialmente as causadas pela Neisseria meningitis e pelo Streptococcus peneumoniae”.

Por esse motivo, a partir deste ano o Ministério da Saúde recomenda a substituição da dose de reforço da vacina Meningocócica C (conjugada) pela vacina ACWY, com o intuito de proteger as crianças contra as meningites e infecções generalizadas causadas pela bactéria meningococo dos tipos A, C, W e Y.

“Agora, o SUS garante ainda mais proteção contra as formas mais graves de meningite bacteriana. A vacina ACWY, antes aplicada apenas na adolescência, passa a ser ofertada também para crianças de até um ano. Isso reforça o compromisso do Ministério da Saúde com o enfrentamento da doença”, afirma o ministro da saúde, Alexandre Padilha.

Crianças que já tomaram as duas doses da vacina meningocócica C e a dose de reforço não precisam receber a ACWY neste momento. Já aquelas que ainda não foram vacinadas aos 12 meses podem receber a dose de reforço com a ACWY.

A vacina meningocócica ACWY também é ofertada a adolescentes de 11 a 14 anos, em dose única ou como reforço, conforme o histórico vacinal.

A DOENÇA

Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros explica que a meningite é uma síndrome transmitida durante todo o ano, através das vias respiratórias, entre pessoas de todas as idades. A doença pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas, mas também pode ter origem não infecciosa.

“Em geral, o quadro clínico é grave e pode levar o paciente a óbito. O sorogrupo do meningococo mais frequente no Brasil é o C, razão pela qual a vacina foi incluída em 2010 no calendário de vacinação pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI)”, observa a coordenadora.

A doença causa inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e inverno. As virais predominam na primavera e verão. Pode apresentar diversos sintomas, entre eles febre alta, dor de cabeça intensa e rigidez na nuca, náusea, vômito, fotofobia (sensibilidade à luz), sonolência, irritabilidade e, em alguns casos, manchas vermelhas na pele.

Em bebês, os sintomas podem ser diferentes, como choro constante, irritabilidade, sonolência, falta de ânimo e dificuldade para se alimentar.

A meningite viral tende a apresentar sintomas mais leves e um desenvolvimento mais lento, enquanto a meningite bacteriana pode ser mais grave e apresentar sintomas mais rapidamente.

Em geral, a transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também ocorre a transmissão fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.

Devido à gravidade do quadro clínico as pessoas com suspeitas de terem sido acometidas por meningite sempre são internadas para uso de antibióticos prescritos por médicos. Também é recomendado tratamento de suporte, como reposição de líquidos.

DIRETRIZES

Em 2024, o Ministério da Saúde lançou as Diretrizes para o Enfrentamento das Meningites até 2030, elaboradas em parceria com a sociedade civil e organismos nacionais e internacionais. O documento está alinhado ao esforço global conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate à meningite bacteriana.

Parte do plano global “Derrotando a Meningite até 2030”, visa eliminar epidemias de meningite bacteriana, reduzir casos e óbitos, além de melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes. O plano brasileiro, alinhado com a OMS, estabelece 16 objetivos estratégicos distribuídos em cinco pilares: prevenção, diagnóstico, vigilância, apoio e comunicação.

O objetivo principal é eliminar as epidemias de meningite bacteriana, que são mais comuns em certas épocas do ano e regiões. Entre as propostas está a redução em 50% dos casos de meningite bacteriana preveníveis por vacinas e diminuição em 70% das mortes causadas pela doença.

Para isso estão sendo implementadas ações para o fortalecimento da imunização, incluindo a ampliação da vacinação para crianças e a garantia de acesso às vacinas disponíveis no SUS. Outro foco de ação é voltado para a melhoria do acesso ao diagnóstico rápido e preciso da doença, além do tratamento adequado para todos os casos de meningite.

Também é prevista a implementação de um sistema de vigilância eficaz para monitorar a ocorrência da doença e identificar surtos; oferta de suporte integral aos pacientes, incluindo atenção à saúde, reabilitação e apoio psicossocial; promoção de ações de conscientização sobre a meningite, seus riscos e medidas de prevenção; melhoria da qualidade dos serviços nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a maioria dos casos é diagnosticada; assegurar que todas as crianças recebam as vacinas recomendadas no calendário de imunização e que os grupos de risco tenham acesso a vacinas específicas; investimento na educação continuada para profissionais de saúde sobre os protocolos de atendimento e as diretrizes para o enfrentamento da meningite.

CENÁRIO

Neste ano o Brasil já tem notificados 4.406 casos confirmados de meningite, distribuídos da seguinte forma: 1.731 do tipo bacteriana; 1.584 viral e 1.091 por outras causas ou tipos não identificados. Outras vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) como BCG, Penta e Pneumocócicas (10, 13 e 23 valentes) também ajudam a proteger contra formas de meningite.

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