O mês da cultura nerd e pop chegou ao fim, e o saldo — infelizmente — não foi dos mais positivos, mesmo com boas surpresas pontuais. Apesar de eventos como o GGXP em Montes Claros e lançamentos quentes nas telonas, a sensação predominante entre os fãs é de frustração e esquecimento. Um mês gelado para a cultura mais quente do planeta Maio teve datas marcantes no calendário geek: Dia do Orgulho Nerd (25/05), Dia Municipal do Nerd com produções temáticas, estreias relevantes como “Lilo & Stitch” e movimentações rumo à estreia de “Superman”.
Mas o mês literalmente entrou no inverno, e em cidades como Montes Claros, que tem uma comunidade nerd ativa, nada significativo foi feito pelas entidades públicas ou grandes players comerciais. Como já relatamos, nem o Dia Municipal do Nerd, aprovado em 2023, recebeu atenção ou homenagem. Netflix Tudum: o que aconteceu com o maior evento nerd do streaming?
Lembram de 2023, quando a Netflix realizou o primeiro Tudum presencial no Brasil? Foi uma celebração memorável com Henry Cavill, Gal Gadot, Chris Hemsworth, Arnold Schwarzenegger, entre outras estrelas da plataforma, transformando a Bienal do Ibirapuera em um templo nerd. Não à toa, muitos disseram que aquele evento superou até a CCXP em termos de conteúdo e organização.
Pois é… 2024 chegou e o Tudum retornou, mas não ao parque, e sim ao streaming. Agora exclusivo para assinantes da Netflix, sem público, sem calor, sem interação direta. Por quê? Essa pergunta continua ecoando entre os fãs, e a resposta parece estar no velho conhecido: interesse comercial. A Netflix aposta em transformar o Tudum num evento premium, limitado e focado no conteúdo pago. Mas ao fazer isso, corta um dos principais elementos da cultura pop: o pertencimento. CCXP México: melhor que a brasileira? Enquanto a CCXP no Brasil vai perdendo força — algo perceptível desde sua última edição realmente “épica” em 2019 —, a CCXP México surpreendeu.
O evento recebeu o elenco do novo Quarteto Fantástico, a atriz Scarlett Johansson, James Gunn, John Cena, e ainda apresentou conteúdos exclusivos. Para um evento que tem bem menos tradição local, isso foi um balde de água fria no público brasileiro. E os porquês continuam…
A cultura nerd é uma das maiores forças da economia do entretenimento no mundo — movimenta bilhões em games, filmes, HQs, colecionáveis e eventos. Mas quando os eventos passam a mirar só o faturamento, algo essencial se perde: a alma. A CCXP brasileira, que já foi considerada a maior Comic Con do mundo, vem sofrendo críticas quanto à qualidade das atrações, falta de representatividade e até ausência de criatividade. Os ingressos continuam caros, mas os conteúdos exclusivos e nomes de peso vêm rareando. Com a saída de organizadores fundadores, a venda da empresa e o distanciamento das bases, a impressão é que o evento virou um negócio engessado — e não mais uma celebração da comunidade geek.
Ainda há resistência e esperança Mas nem tudo está perdido. Eventos como o Sana, no Ceará, continuam representando a cultura nerd com paixão e dedicação. Na próxima edição, o Sana já anunciou várias atrações relevantes e uma programação construída para o fã — e não só para o investidor. E sim, a esperança continua. Porque o que sustenta esse universo não é apenas o marketing, mas o amor dos fãs que consomem, compartilham e vivem essa cultura no dia a dia.
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A cultura nerd e pop não pode ser resumida a cifras. Ela vive de paixão, de histórias bem contadas e de gente que acredita no poder da imaginação. E enquanto houver fãs, vai haver resistência contra o apagamento, a elitização e o esquecimento. Que venha julho. Que venha o Superman. E que venha mais respeito com quem sustenta toda essa magia: nós, os nerds.
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