Com seis casos confirmados de coqueluche (35,29%) acometendo crianças com idade inferior a um ano, de um total de 17 registros ocorridos no período de novembro do ano passado a 11 de março deste ano, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros, está alertando os 54 municípios da sua área de atuação para o reforço da vacinação contra a doença. Até o momento, em dezesseis municípios foram notificados 83 casos prováveis de coqueluche, dos quais doze ainda estão em investigação.
Boletim Epidemiológico repassado pelo Cievs aos municípios aponta que a maioria dos casos confirmados de coqueluche (70,6%) envolve pessoas do sexo masculino. Os casos confirmados estão concentrados em cinco municípios: Montes Claros (13); Botumirim, Francisco Sá, Bocaiúva e Francisco Dumont (um caso em cada localidade).
Ainda de acordo com o Boletim Epidemiológico, além de seis crianças menores de um ano, a maior quantidade de pessoas diagnosticadas com coqueluche está na faixa etária de 20 a 39 anos (cinco casos) e crianças com idade entre cinco e nove anos (dois casos). As demais quatro notificações confirmadas para a doença estão distribuídas em pessoas com idade variando entre um e mais de 60 anos.
“Em virtude de os casos confirmados de coqueluche envolver desde crianças menores de um ano a idosos, é de fundamental importância que os hospitais e, principalmente os serviços municipais de atenção primária à saúde reforcem as ações de vigilância, diagnóstico, notificação e tratamento visando conter a disseminação da doença. Aliado a isso, o reforço da vacinação também constitui iniciativa de fundamental importância, pois é a medida preventiva mais eficaz”, salienta Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde e do Cievs Regional de Montes Claros.
VACINAÇÃO
Crianças a partir de dois meses de idade devem tomar, no mínimo, três doses de vacina pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e hepatite B), com reforço aos 15 meses e um segundo reforço aos quatro anos.
Na vigésima semana de cada período de gestação, mulheres devem tomar uma dose de vacina do tipo adulto contra a coqueluche (dTpa).
Por outro lado, no ano passado o Programa Nacional de Imunizações (PNI) ampliou a indicação de uso da vacina dTpa, em caráter excepcional, para trabalhadores da saúde que atuam nos serviços públicos e privados, ambulatorial e hospitalar, com atendimento nas seguintes áreas: ginecologia e obstetrícia; parto e pós-parto imediato, incluindo as casas de parto; Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e unidades de cuidados intensivos neonatal convencional e canguru; berçários; pediatria; profissionais que atuam como doulas (acompanhando a gestantes durante o período de gravidez, parto e pós-parto); e trabalhadores que atuam em berçários e creches, com atendimento de crianças até quatro anos de idade.
SINTOMAS
Maria Regina de Oliveira Morais, referência técnica da Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, lembra que “todos os serviços de saúde precisam ficar em alerta frente a quaisquer casos suspeitos de coqueluche, e que deverão ser notificados ao Cievs em até 24 horas, com início imediato de investigação”.
Casos suspeitos de coqueluche compreendem toda criança com menos de seis meses de idade, independentemente do estado vacinal, que apresente tosse de qualquer tipo há dez dias ou mais, associada a um ou mais dos seguintes sintomas: tosse paroxística (violenta e incontrolável); tosse súbita incontrolável, com tossidas rápidas e curtas (cinco a dez), em uma única expiração; guincho inspiratório; vômitos pós-tosse; cianose (coloração azulada na pele); apneia e engasgo.
Em pessoas com idade igual ou superior a seis meses, independente do estado vacinal, a coqueluche pode ser considerada caso suspeito quando ocorre tosse de qualquer tipo há 14 dias ou mais, associada a tosse paroxística; guincho inspiratório e vômitos pós-tosse.
Transmissão
A transmissão da coqueluche ocorre, principalmente, pelo contato com a pessoa doente, por meio de gotículas eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar.
Em alguns casos a transmissão pode ocorrer por objetos recentemente contaminados com secreções de pessoas doentes. Isso é pouco frequente, porque é difícil o agente causador da doença sobreviver fora do corpo humano, mas não é impossível.
O tempo que os sintomas começam a aparecer desde o momento da infecção é de, em média, de cinco a dez dias, podendo variar de quatro a 21 dias e, raramente, até 42 dias.
O diagnóstico da coqueluche em estágios iniciais é difícil, uma vez que os sintomas podem parecer com os de resfriados ou até mesmo outras doenças respiratórias. A tosse seca é um forte indicativo da coqueluche, mas para confirmar o diagnóstico o médico pode pedir os seguintes exames: coleta de material de nasofaringe para cultura; PCR em tempo real. Como exames complementares podem ser realizados leucograma e Raio-X de tórax.
O diagnóstico laboratorial é realizado em Minas Gerais pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), sediada em Belo Horizonte.
FASES
A coqueluche evolui em três fases sucessivas: a primeira é a catarral que começa como um resfriado comum, com sintomas leves como febre baixa, mal-estar geral, coriza e tosse seca. Gradualmente, o quadro vai evoluindo para crises de tosse mais intensa.
Na segunda fase a doença evolui para tosse intensa (paroxística). Geralmente não há manifestação de febre ou ela acontece de forma leve. Mas, em alguns casos ocorrem vários picos de febre no decorrer do dia. A tosse se torna muito forte e incontrolável, com crises súbitas e rápidas que podem causar vômitos. Durante essas crises a pessoa pode ter dificuldade para inspirar e, às vezes, fazer um som agudo (guincho). Essa fase pode durar de duas a seis semanas.
A terceira fase compreende a recuperação do paciente, com diminuição da tosse em frequência e intensidade, mas que pode persistir por duas a seis semanas ou por até três meses. Infecções respiratórias de outra natureza, durante essa fase, podem fazer a tosse intensa voltar temporariamente.
Bebês menores de um ano, principalmente aqueles com até seis meses, são mais propensos a formas graves da doença, muitas vezes letais, que podem incluir crises de tosse, dificuldade para respirar, sudorese e vômitos. Também pode ocorrer episódios de apneia, parada respiratória, convulsões e desidratação, decorrentes dos episódios repetidos de vômitos. O cuidado adequado desses bebês exige hospitalização, isolamento, vigilância permanente e procedimentos especializados.
Pessoas com condições clínicas pré-existentes (imunocomprometidas, com asma moderada ou grave e outras pessoas em condições semelhantes) também devem ter atenção especial.
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