DECEMBER 9, 2022

Veredas no Norte de Minas serão recuperadas com técnica desenvolvida no campus Montes Claros

Realizado em parceria com o Ministério Público, projeto se baseia na construção de barragens subterrâneas

Foto: Instituto Grande Sertão

 

A Fundação de Apoio da UFMG, a Fundep, e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) assinaram, na semana passada, um contrato para a recuperação de até 100 veredas degradadas no Norte de Minas. A primeira etapa do trabalho, em que serão revitalizadas as primeiras 20 veredas, será financiada por um recurso de R$ 1,080 milhão já aportado pela plataforma Semente, do Ministério Público.

O professor Flávio Pimenta de Figueiredo, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG, em Montes Claros, coordena o projeto. Em 2005, o docente desenvolveu uma tecnologia de barragens subterrâneas. A técnica auxilia na elevação do lençol freático das veredas, o que, por sua vez, colabora com a sua recuperação.

“As primeiras dessas barragens foram feitas em São Romão, mas aquela que considero o projeto piloto, propriamente, é a de Januária, feita em 2017. Na ocasião, um incêndio atingiu a região de Pandeiros, zona rural do município, e alcançou uma vereda. Com a construção da barragem e a elevação do lençol freático, houve sua regeneração”, ele conta.

Segundo Flávio Pimenta, a ação humana é a principal responsável pela degradação das veredas. “Incêndios provocados e o uso de agricultura e pecuária sem acompanhamento correto estão entre as principais causas da redução das veredas na região”, afirma.

Revitalização das ‘caixas d´água’
Veredas são terrenos brejosos, de vegetação rasteira, situados como várzeas, pertos dos rios. Na região dos cerrados, o termo refere-se mais especificamente aos cursos de água orlados por buritizais, pontos de convergência para a vida humana e animal. Ali, as veredas funcionam como verdadeiras caixas d’água, e, por isso, são áreas de preservação permanente.

Em razão disso, a situação das veredas brasileiras tem sido uma das preocupações de pesquisadores e autoridades ambientais por causa do risco de sua extinção. “Esse projeto é pioneiro no Brasil e chega como estratégia de revitalização das ‘caixas d’água’ do Norte de Minas Gerais”, conta o professor.

A escolha das veredas a serem recuperadas no projeto foi feita em parceria com os institutos Estadual de Florestas (IEF) e Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que emitiram laudos para as veredas a serem restauradas. “Como a intervenção será feita em áreas de preservação permanente, os órgãos ambientais ajudaram a escolher veredas mortas para o projeto, isto é, terrenos que não se recuperariam sozinhos”, explica o professor.

Cada barragem do projeto tem um custo médio de R$ 50 mil. A primeira etapa será realizada em Januária, em São Francisco e em São Romão. Nela serão revitalizadas vinte veredas, valendo-se do recurso aportado pela plataforma Semente. Segundo Flávio Pimenta, as atividades do projeto de recuperação devem começar já neste mês.

Nota de Correção professor Flávio Pimenta Figueiredo:

A respeito da reportagem veiculada no site da Revista Tempo, no dia 5 de setembro de 2024, com o título Veredas no Norte de Minas serão recuperadas com técnica desenvolvida no campus Montes Claros, o professor Flávio Pimenta de Figueiredo, responsável pelas informações fornecidas, solicita que sejam incluídas na página da matéria as seguintes informações, que não foram informadas por ele quando da publicação inicial. Flávio Pimenta de Figueiredo esclarece que:

Participou do projeto elaborado pelo IBAMA / PREVFOGO, denominado Projeto de Recuperação Socioambiental de Vereda na APA Cavernas do Peruaçu, como convidado para a execução dos trabalhos desenvolvidos na Vereda do Peruaçu, não em Pandeiros como mencionado anteriormente. A técnica de construção de barragens subterrâneas já é adotada no território brasileiro e não há nenhuma pesquisa científica elaborada pelo docente na área do referido projeto.

Flávio Pimenta Figueiredo ressalta ainda que o trabalho é realizado junto a diversas instituições:

– Instituto Grande Sertão;

– Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Cavernas do Peruaçu;

– Instituto Estadual de Florestas (IEF), que forneceu mudas de espécies nativas para plantio na área da vereda incendiada;

– Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), que mobilizou a população indígena Xakriabá para os trabalhos de campo;

– AB Minas, empresa que executou o projeto com o maquinário próprio, contratada pelo Consórcio Intermunicipal Norte Mineiro de Desenvolvimento Regional dos Vales do Carinhanha, Cochá, Peruaçu, Japoré e São Francisco (CIMVALES);

– Prefeituras municipais de Januária, Itacarambi e São João das Missões, que mobilizaram técnicos e pessoal para a mão-de-obra na execução do projeto, conjuntamente aos brigadistas do IBAMA / PREVFOGO e do ICMBio.

O Projeto Veredas Vivas, que motivou a publicação de matérias em mídias digitais, tem como objetivo principal aplicar “a pesquisa científica para comprovar se a barragem subterrânea contribui para a revitalização de veredas degradadas no norte de MG. Pesquisar sobre a viabilidade das barragens subterrâneas em veredas do norte de MG visando a sua revitalização. Serão avaliadas e investigadas a influência das barragens subterrâneas no aumento da disponibilidade hídrica na região do norte de Minas Gerais. Para isto serão construídas e monitoradas 20 veredas escolhidas ao longo da Bacia Hidrográfica e estratégicas para a região.” (SEI 3548499, fl.100).

O projeto tem execução prevista de 12 meses, iniciada em 21 de outubro de 2024, nos seguintes munícipios da região Norte: São Francisco, Francisco Dumont, Pirapora, Januária, São Romão e Santa Fé de Minas. Intitulada “Projeto de Recuperação Socioambiental de Vereda da APA Cavernas do Peruaçu”, elaborado pelo PREVFOGO-MG, com aval do ICMBio (Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu), a iniciativa teve, como objetivo principal em sua primeira parte, “investigar, “por meio das barragens subterrâneas, as variações do nível freático e a condutividade hídrica do solo da vereda Dizimeiro, visando orientar o manejo da drenagem para fins de recuperação dessa área degradada.” A segunda parte do projeto estava relacionada à reestruturação do viveiro de mudas de São João das Missões.

A respeito das fotos veiculadas na referida matéria, o professor esclarece que o material faz parte do acervo do Instituto Grande Sertão.

 

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