Minas Gerais acumulou US$ 13,3 bilhões em importações entre janeiro e agosto de 2026, alta de 11,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e recorde para o período na série histórica do Comex Stat, iniciada em 1997. Esse resultado, combinado com uma leve queda de 0,6% nas exportações, para US$ 29,2 bilhões, derrubou o saldo da balança comercial mineira, que recuou 8,9%, totalizando US$ 15,9 bilhões.
O cenário foi parecido no recorte de agosto. As importações chegaram a US$ 1,9 bilhão, avanço interanual de 10,1% e recorde para o mês, enquanto as exportações cresceram apenas 1%, para US$ 3,5 bilhões. Com isso, o superávit comercial do Estado caiu 7,8%, somando US$ 1,6 bilhão.
No acumulado do ano, as principais origens das compras de Minas foram a China (US$ 3,3 bilhões / +10,1%), Estados Unidos (US$ 1,7 bilhão / +7,1%) e Argentina (US$ 1,1 bilhão / +14,3%). Já os principais destinos das vendas foram a China (US$ 10,8 bilhões / +3,6%), Estados Unidos (US$ 2,5 bilhões / -21,9%) e Canadá (US$ 1,3 bilhão / +14,9%).
No desempenho mensal, as compras do Estado tiveram origem sobretudo na China (US$ 475,2 milhões / +16%), Estados Unidos (US$ 198,7 milhões / -14,5%) e Argentina (US$ 163,5 milhões / +6,4%). Por sua vez, as vendas tiveram como destino principalmente a China (US$ 1,3 bilhão / -12,3%), Estados Unidos (US$ 291 milhões / +30,1%) e Itália (US$ 172,9 milhões / +129,9%).
Compras de medicamentos e veículos impulsionam resultado
Entre as explicações para o expressivo resultado das importações de Minas Gerais neste ano está o avanço nas compras de medicamentos e produtos farmacêuticos e também de automóveis. Esses itens ocupam, respectivamente, a primeira e a terceira posição da pauta, com adubos e fertilizantes químicos aparecendo na segunda colocação.
Segundo o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Cristian Wallace Lopes, o Estado tem se tornado um hub de distribuição nacional de medicamentos. Centros logísticos na região Sul, como em Extrema, armazenam os produtos importados e os distribuem para o restante do País. Além disso, há um movimento crescente de produção farmacêutica em Minas, sobretudo na região Norte, em Montes Claros, o que também demanda insumos do exterior.
De acordo com ele, a eletrificação da frota vem aumentando as importações mineiras de automóveis, principalmente da China. Isso vale tanto para veículos de passageiros quanto para os de transporte de mercadorias.
“Alguns produtos que Minas importa ficaram mais caros também, por exemplo, fertilizantes, o próprio petróleo e outros itens que fazem a rota marítima. Mas isso não tem um destaque tão grande na balança quanto carros elétricos ou medicamentos”, ressalta.
“Esse movimento de valores elevados que vem acontecendo durante o ano se deve muito ao conflito no Oriente Médio e às questões do frete, que está mais caro e aumentou o valor dos produtos. Isso acaba refletindo tanto nas exportações quanto nas importações”, acrescenta.
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