ENCRUZILHADA
Não será surpresa para esta coluna se o grupo situacionista do Governo de Minas resolver mudar o candidato ao Governo do Estado. A hipótese é remota, mas não dá para descartar completamente a possibilidade de o atual secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), substituir o vice-governador Mateus Simões (PSD) na cabeça de chapa.
Pessoas ligadas ao Governo de Minas avaliam que, enquanto a pré-candidatura de Aro ao Senado decolou entre prefeitos e lideranças mineiras, o mesmo não se pode dizer da pré-candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes. Há quem diga, inclusive, que o desgaste entre Simões e a deputada estadual Lud Falcão, após o vice-governador supostamente ameaçar fechar as portas do Governo para ela por causa das críticas feitas por seu marido, o presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Fernando Falcão, causou desconforto em prefeitos, que veriam em Aro um nome mais habilidoso para disputar o Executivo estadual.
ENCRUZILHADA II
Outra situação que embaralha a cabeça dos articuladores da candidatura de Mateus Simões é a eleição para a Presidência da República. O PL, que terá Flávio Bolsonaro como candidato a presidente, precisa de um palanque forte em Minas Gerais, sobretudo em tempos de polarização e considerando que Minas é um estado pêndulo. Nas últimas eleições, quem venceu em Minas acabou eleito presidente.
O problema é que, enquanto tenta atrair o PL para sua chapa, Simões é, naturalmente, apoiador da candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo). Especula-se que Zema poderia ser o vice de Flávio, o que resolveria o impasse. Porém, o governador tem dito insistentemente que é candidato a presidente, não a vice, e que só apoiaria Flávio se ficar fora do segundo turno.
ENCRUZILHADA III
Enquanto isso, especula-se que o senador Cleitinho, atualmente no Republicanos, poderia migrar para o PL para ser candidato a governador pelo partido. Atual líder das pesquisas, ele garantiria o palanque forte que o filho de Bolsonaro precisa em Minas no primeiro turno.
Outro nome que poderia cumprir esse papel é Nikolas Ferreira. No entanto, a executiva nacional do PL não abre mão de que ele dispute a reeleição como deputado federal, por entender que Nikolas sozinho garante, além da própria eleição, uma grande bancada na Câmara. No atual modelo político brasileiro, eleger muitos deputados federais significa mais fundo partidário, mais fundo eleitoral e mais emendas, o que, para determinados partidos, chega a ser mais importante do que eleger o próprio presidente da República. Vale lembrar que o presidente nacional do PL é Valdemar da Costa Neto, conhecido pelo histórico de fisiologismo político.
ENCRUZILHADA IV
Algo que resolveria o problema de Mateus seria Zema aceitar ser vice de Flávio Bolsonaro e ele próprio promover uma nova troca de partido, saindo do PSD para o PL. Esse movimento poderia reunir praticamente toda a direita mineira em uma única chapa, sem grandes dificuldades.
É uma possibilidade que deve, sim, ser considerada, já que, pelo menos no discurso do presidente nacional do PSD, o partido terá candidato próprio à Presidência da República, que não será nem Flávio Bolsonaro nem Romeu Zema. Na prática, os partidos do Centrão, PSD incluso, após a desistência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, estão recuando das eleições presidenciais. Já perceberam que a polarização continuará forte e que há pouquíssimas chances de uma terceira via se consolidar.
A tendência é focar na eleição de deputados e senadores, fingir que possuem candidato a presidente ou até liberar suas bancadas no primeiro turno, para só decidir com quem caminhar no segundo turno, e isso apenas se um dos dois finalistas despontar como franco favorito.
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