DECEMBER 9, 2022

Crise de Confiança: Entenda as Investigações sobre Bebidas Adulteradas com Metanol em São Paulo

Estado concentra mais de 80% dos casos do país e autoridades buscam restabelecer a segurança no consumo de destilados.

Foto: Carlos Alberto Pereira

O estado de São Paulo enfrenta uma séria crise de saúde e segurança pública após registrar a maior parte dos casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil. Com 15 casos confirmados e 164 ainda sob análise (mais de 82% do total nacional), e a confirmação de uma terceira morte no estado, as autoridades correm para esclarecer as circunstâncias e restabelecer a confiança dos consumidores.

O Que é o Metanol e Por Que é Tão Perigoso

O metanol é um álcool de uso industrial, presente em solventes e produtos químicos. A ingestão acidental ou intencional é altamente perigosa. Ao ser processado pelo fígado, ele se transforma em substâncias tóxicas que atacam o cérebro, a medula e, criticamente, o nervo óptico, podendo levar à cegueira, coma e, em casos graves, à morte. Insuficiência pulmonar e renal também estão entre os riscos.

A perícia da Polícia Técnico-Científica de São Paulo já confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras, validando a gravidade da situação.

Linhas de Investigação e a Crise de Confiança

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforçou que a prioridade é integrar as ações do estado e da iniciativa privada para restabelecer a confiança, pois as empresas “sofrem muito” com o medo generalizado dos consumidores.

A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação para entender como o metanol está contaminando as bebidas:

  1. Limpeza Inadequada de Garrafas: O metanol pode ter sido usado na higienização de garrafas reaproveitadas que, por falha no processo, acabaram retornando ao envase de bebidas em vez de serem direcionadas à reciclagem.
  2. Adulteração para Aumento de Volume: A outra hipótese é que o metanol tenha sido usado intencionalmente para aumentar o volume de bebidas falsificadas. Há a possibilidade de que o falsificador pretendesse usar etanol puro, mas o produto estivesse contaminado com metanol.

O governador também adiantou que solicitará à Justiça a destruição imediata de garrafas, rótulos, lacres e selos apreendidos – mais de 7 mil garrafas suspeitas foram recolhidas na última semana – para evitar que o material caia novamente nas mãos de falsificadores.

Autoridades afastaram o envolvimento de grandes facções criminosas como o PCC, pois, segundo o governador, o negócio de adulteração de bebidas é considerado pouco lucrativo em comparação com o tráfico de drogas.

Quais Bebidas Estão em Risco e Como se Proteger

Os casos de intoxicação envolvem bebidas destiladas, principalmente vodca e gin – os destilados incolores são considerados de maior risco. Embora especialistas digam que cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração, a recomendação é de cautela geral.

Atenção Redobrada para Consumidores:

O maior desafio é que o metanol é uma “substância traiçoeira”: não altera cor, odor ou sabor e só pode ser detectado em laboratório. Por isso, a prevenção é crucial.

Autoridades e associações de bares e restaurantes orientam a população a:

  • Desconfiar de Preços Muito Baixos: Preços fora da média do mercado podem indicar produto ilegal ou adulterado.
  • Comprar em Locais Conhecidos: Priorize estabelecimentos de confiança e exija sempre a nota fiscal.
  • Observar a Embalagem: Fique atento a lacres tortos, rótulos mal impressos e selos fiscais de aparência suspeita.

A Abrasel (bares e restaurantes) também orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem.

Em caso de consumo e surgimento de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para auxiliar na investigação policial.

A polícia Federal investiga

A Polícia Federal (PF) está investigando se o metanol que tem adulterado bebidas alcoólicas e causado intoxicações e mortes é proveniente de produto abandonado por criminosos após uma operação policial no setor de combustíveis.

O Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a PF busca determinar a origem do metanol (se de combustível fóssil ou agrícola) para direcionar as ações repressivas. O Ministro não descartou a possível ligação do crime organizado com as falsificações, mesmo após o Governo de São Paulo (estado com mais casos) ter negado a relação.

O Governo Federal também planeja aumentar o controle sobre sites que vendem rótulos, lacres, tampas e garrafas usadas na falsificação, em uma ação coordenada entre a Secretaria Nacional do Consumidor, Ministério da Agricultura e Receita Federal.

Por fim, foi anunciada a criação de um Comitê de Enfrentamento, em parceria com a sociedade civil, para planejar ações repressivas contra os adulteradores e medidas protetivas para o setor legal de bebidas.

Compartilhe:

Notícias Relacionadas

Brasil Costumes Entrevista Feminicídio Geral Pesquisa

Em dificuldade para se relacionar com homens, mulheres hétero dizem estar no ‘mapa da fome’

Brasil Investimento

Credinor conquista três troféus no Vende Sicoob 2026