A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta quinta-feira (2/10), a Operação Falsum Facies, com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, estelionato virtual e extorsão digital em Montes Claros, região Norte do estado.
Durante a ação, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de 17 veículos de luxo, entre carros, motocicletas e até uma moto aquática, além de jóias, dinheiro em espécie, materiais eletrônicos e celulares. A Justiça ainda determinou o bloqueio judicial de R$ 8.490.261,00 em 14 contas bancárias ligadas aos investigados. Um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, com um revólver e munições.
Estrutura criminosa e modus operandi
A investigação da Polícia Civil iniciou em maio deste ano, após a prisão em flagrante de um integrante do grupo. A partir de análises financeiras minuciosas, os policiais civis rastrearam o fluxo de valores ilícitos, que já movimentaram cerca de R$ 26 milhões. Até o momento, foram identificadas 20 vítimas e 21 suspeitos, que atuavam em dois núcleos distintos:
• Núcleo Operacional – responsável por captar as vítimas, estabelecendo contato por aplicativos de mensagens. Os criminosos se passavam por mulheres jovens e simulavam relacionamentos virtuais afetivos ou sexuais. Após conquistar a confiança dos alvos, marcavam encontros presenciais, condicionados ao pagamento prévio, geralmente via transferências bancárias ou PIX. Em casos de resistência, as vítimas eram coagidas sob grave ameaça, inclusive com emprego de armas de fogo, caracterizando extorsão qualificada.
• Núcleo Gestor Financeiro – encarregado de administrar os valores arrecadados. Esse grupo adquiriu contas bancárias digitais de terceiros, pagando entre R$ 200 e R$ 1 mil por cada uma, para receber os valores das vítimas. Essas contas, chamadas de “contas de passagem”, eram utilizadas até serem bloqueadas. O grupo chegava a publicar anúncios para recrutar pessoas dispostas a “ceder” contas, com o objetivo de manter a engrenagem criminosa ativa.
Além disso, parte do dinheiro era escoada para empresas de fachada, como uma distribuidora de bebidas e uma loja de moda masculina, utilizadas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras. Também foram identificadas transações entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, além da aquisição de bens em nome de terceiros, como forma de dificultar o rastreamento patrimonial.
Ostentação e perfil dos investigados.
Segundo a delegada Marina Pacheco, responsável pelas investigações, os envolvidos demonstravam vida de ostentação nas redes sociais, exibindo carros importados, viagens, jóias e grandes quantias em dinheiro, adquiridos a partir dos valores ilícitos. A apuração também revelou que os criminosos utilizavam a internet para comprar contas bancárias de terceiros, conhecidas como “contas de passagem”, nas quais os valores extorquidos eram inicialmente depositados antes de serem transferidos ao beneficiário final, dificultando o rastreamento policial.
A delegada faz um alerta:
“A conta bancária é de uso pessoal e intransferível do titular. A sua venda, empréstimo ou cessão para terceiros, especialmente desconhecidos, é extremamente arriscada. O titular pode, sem perceber, estar colaborando com organizações criminosas e, consequentemente, responder criminalmente pelos ilícitos cometidos.”
Já o delegado Diego Flávio Carvalho, responsável pela investigação financeira, destacou que a descapitalização do grupo criminoso é o foco principal desta fase da operação:
“Desde maio temos realizado análises financeiras detalhadas que revelaram a existência de um esquema de lavagem de dinheiro estruturado, com o uso de empresas fantasmas, movimentações entre investigados e a aquisição de bens em nome de laranjas. O objetivo agora é sufocar financeiramente a organização, retirando dela os recursos que sustentam sua atuação criminosa.”
Continuidade das apurações
As diligências continuam para identificar todos os integrantes da rede criminosa, bem como analisar o vasto material probatório apreendido, que servirá para robustecer as provas e assegurar a responsabilização penal de todos os envolvidos.
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