DECEMBER 9, 2022

Febre Oropouche aumenta em 335% e soa alerta em Minas Gerais

O avanço da febre Oropouche ocorre em meio a um cenário preocupante no estado, que somou cerca de 47 mil internações e mais de 1,7 mil óbitos por doenças transmitidas por mosquitos em 2024

Os casos de febre Oropouche em Minas Gerais mais que quadruplicaram entre 2024 e 2025, acendendo um alerta para as autoridades de saúde pública. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG) já contabilizou 1,3 mil confirmações da doença, um aumento de 335% em relação ao total de 302 amostras positivas registradas em todo o ano passado.

O avanço da febre Oropouche ocorre em meio a um cenário preocupante no estado, que somou cerca de 47 mil internações e mais de 1,7 mil óbitos por doenças transmitidas por mosquitos em 2024, o equivalente a 14% do total nacional e uma taxa de 22,3 internações por 10 mil habitantes, acima da média brasileira.

“O Oropouche, por incrível que pareça, é uma das mais antigas arboviroses diagnosticadas no Brasil. Desde 1956 já havia relatos, mas sem sorologia adequada muitos casos passaram despercebidos até que, nos últimos dois anos, a substituição do exame para PCR na investigação de arboviroses permitiu detectar um número crescente de casos, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais”, explica o Dr. Mariano Fagundes, professor de Saúde Coletiva e Clínica Médica na UnifipMoc Afya.

O especialista acrescenta que, devido à semelhança dos sintomas iniciais de febre, dor articular e cefaleia com os da dengue, a maioria dos diagnósticos de Oropouche só ocorre de forma secundária, quando o exame para dengue dá negativo e se recorre ao PCR para arboviroses.

“Na ausência de antivirais específicos, o manejo hospitalar recai sobre o tratamento de suporte. Por isso, dependemos de medicações vasoativas, suporte respiratório e profilaxia para tromboembolismo para melhorar a sobrevida desses pacientes”, reforça o especialista da UnifipMoc.

A gravidade dos episódios, ainda que rara, pode incluir meningite, encefalite, miocardite e complicações hepáticas, além de quadros crônicos que se estendem por mais de um mês e podem provocar malformações fetais e abortos semelhantes aos observados no Zika Vírus.

Por isso, os especialistas recomendam atenção redobrada a gestantes, uso de repelentes à base de icaridina e isolamento leve para pacientes sintomáticos, medidas que complementam o controle vetorial contra o Aedes aegypti e outras espécies como o maruim.

Para a nutróloga da Afya Educação Médica de Montes Claros,  Dra. Juliana Couto, a nutrição desempenha papel essencial no fortalecimento das defesas do organismo. “Episódios repetidos de diarreia e inflamação intestinal aumentam a permeabilidade da mucosa, favorecendo sensibilizações a proteínas de alimentos comuns e ampliando o risco de alergias”, afirma. Ela recomenda, ainda, dietas leves, ricas em vitamina C, zinco, ferro e probióticos naturais, para restabelecer a flora intestinal e reduzir a recorrência de processos inflamatórios.

Entre 2022 e 2024, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais investiu R$ 50,3 milhões no programa Vigiagua, ampliando a vigilância da qualidade da água e fortalecendo as análises periódicas que permitem antecipar riscos sanitários. A conjugação de esforços entre vigilância epidemiológica, terapia intensiva e atenção nutricional é considerada a estratégia mais eficaz para manter a população protegida e evitar novos surtos de arboviroses.

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