Os três governadores pré-candidatos à Presidência da República em 2026, Ronaldo Caiado (União/PP), de Goiás; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, sinalizaram um pacto de união mútua caso algum deles chegue ao segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A indiferença que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu clã impuseram à deputada Carla Zambelli (PL), que fugiu para a Itália, após ser condenada a 10 anos de prisão por envolvimento em invasão hacker ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), assombram os pré-candidatos da direita à presidência da República. Se Zambelli – quase uma amiga íntima da família – foi largada num limbo porque seus atos teriam prejudicado a reeleição de Bolsonaro, imagine o que pode acontecer àquele que exagerar nesta pré-campanha. Qualquer deslize será o fim das pretensões presidenciais de ambos. Qualquer “ escorregada” no discurso pode “ entornar o caldo”. Por isto todos eles prometem indulto para o ex-presidente em caso de vitória nas urnas.
Bolsonaro está inelegível até 2030. Além disso, é réu com grandes chances de ser condenado à prisão no processo sobre um suposto plano de golpe de Estado que está sendo julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Nada disso, entretanto, lhe tira a ideia de que é o único e grande líder da direita e que se, realmente, seu nome ficar fora da cédula, será ele a escolher quem o substituirá. Digo “realmente” porque na política brasileira tudo pode acontecer e o País permanece sendo aquele em que, como já disse o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, “até o passado é incerto”. Ou como diria o ex-governador de Minas Magalhães Pinto : “ Política é como nuvem… você acorda está de um jeito… minutos depois… está de outro jeito”.
Sendo assim, os postulantes têm trabalhado tentando, às vezes sem conseguir, manter alguma discrição. Os governadores, por exemplo, têm feito viagens pelo País com todo tipo de desculpas. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), esteve neste fim de semana em três cidades do Pará. Segundo o noticiário local, estreitou a ligação com a oposição ao governador Helder Barbalho (MDB), alinhado ao governo Lula.
Viajou mais de seis mil quilômetros, entre ida e volta, para “construção de caminhos em conjunto”, como disse um de seus anfitriões, o prefeito de Ananindeua (na região metropolitana de Belém), Dr. Daniel (PSB). Ronaldo Caiado (União Brasil/PP), governador de Goiás, faz com frequência o circuito de viagens que incluem São Paulo e Rio de Janeiro. A Candidatura Caiado foi lançada esta semana em grande estilo durante a formação da federação União Brasil/PP em Brasília-DF.
Uma exceção é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Decidido a fazer o possível para tornar viável uma possível candidatura presidencial, recentemente contratou equipe para a pré-campanha e não perde oportunidade de falar sobre diversos assuntos, ainda que o resultado em muitas ocasiões fique longe do que ele esperava. Talvez tenha esquecido da máxima de São Paulo : “ Tudo posso, mas nem tudo me convém “.
Quem tem tudo, porém, para ser a noiva escolhida por Bolsonaro é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele considera que “ o cavalo está arriado na porta da sua casa”. Equilibrando-se em uma corda muito fina, Tarcísio afaga o ex-presidente em público, diz que pretende disputar a reeleição ao governo paulista em 2026 mas, segundo políticos próximos, se movimenta com toda a delicadeza possível em conversas com o mercado financeiro e a indústria, de olho no Planalto. Tarcísio sonha durante o dia e durante a noite com uma chapa Tarcísio/Michele Bolsonaro, que teria, sem sombra de dúvida, o apoio incondicional do ex presidente Jair Bolsonaro. Segundo a última pesquisa do Datafolha, em um dos cenários, o presidente Lula mantém a liderança no primeiro turno. Mas empata com Bolsonaro e Tarcísio no segundo. Se conseguir manter as boas relações com o ex-chefe, o governador, quem sabe, terá boas chances de chegar ao altar. E do altar subir a rampa do Palácio do Planalto em 2027.Para isto conta ainda com o “ inferno astral” da popularidade do governo Lula III e a inflação de alimentos que parece não conseguir se debelada pela equipe econômica do governo. E para embaralhar ainda mais o jogo o conflito entre Israel e o Iram pode influenciar o eleitor brasileiro na hora do voto: seja pelo aumento do preço do petróleo seja pela opção do Itamaraty por algum dos lados do recente conflito. Neste cenário, tudo pode acontecer.
Gustavo Mameluque. Jornalista. Colaborador do Jornal de Notícias e da Revista tempo. Analista político.
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