SAGA CONTINUA
O governador Romeu Zema (Novo), que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República, segue firme em sua tentativa de se aproximar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível e, antes de ser eleito presidente, ocupava espaço na mídia com declarações polêmicas de cunho extremista. A mais recente ação do chefe do Executivo de Minas Gerais, em mais um aceno ao eleitorado de ultradireita, foi comparar, em entrevista à rádio Jovem Pan, na última quinta-feira, moradores de rua a carros estacionados em local proibido, afirmando haver a necessidade de “guinchá-los”. Neste fim de semana, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um duro editorial contra o governador, criticando sua fala de que não seria historiador para afirmar se houve ou não ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985 — o que, por sua vez, acaba servindo como propaganda para Zema junto ao eleitorado mais extremado à direita.
SAGA CONTINUA II
Enquanto Zema tenta a todo custo se aproximar do perfil de Bolsonaro, o mercado financeiro e a grande mídia vêm pintando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um “direitista moderado” — o que não corresponde à realidade. Tarcísio foi ministro de Bolsonaro, comanda uma das polícias mais letais do Brasil (fato que lhe rende fortes críticas de entidades ligadas aos direitos humanos), participou de todas as manifestações por anistia aos golpistas do 8 de janeiro e, inclusive, hospedou Jair Bolsonaro neste fim de semana no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador. Ali, o ex-presidente se preparou, com seus advogados, para os interrogatórios desta semana no processo em que é réu e que apura sua participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, nas quais foi derrotado por Lula (PT) nas urnas.
SAGA CONTINUA III
A julgar pelo início de suas trajetórias políticas, seria natural que Zema buscasse um espaço na direita moderada ou até mesmo na centro-direita, enquanto Tarcísio se consolidasse como o nome do bolsonarismo. No entanto, diante das nuances da política e das estratégias dos marqueteiros que conduzem os projetos de ambos, os papéis parecem ter se invertido. As pesquisas de avaliação do governo Lula e de intenção de voto para a Presidência em 2026 indicam um caminho aberto para que um nome de direita, com maior capacidade de diálogo com o centro, seja competitivo no próximo pleito. Elas também apontam para um cansaço da população em relação à polarização que se cristalizou no país. Por outro lado, persistem os “pisos” de Lula e Bolsonaro — ou seja, percentuais mínimos de intenção de voto que ambos detêm e dificilmente perdem —, o que torna difícil, apesar das tendências e do cansaço mencionado, o surgimento de uma terceira via.
SAGA CONTINUA IV
Enquanto Zema se esforça para se viabilizar como candidato, Tarcísio joga parado. Ao contrário do governador mineiro, ele ainda pode disputar mais um mandato para o governo de São Paulo e tem, em tese, a reeleição praticamente garantida. É o candidato — como já observei — preferido do mercado e da grande mídia, mas só se movimentará em direção ao Palácio do Planalto se as condições forem muito favoráveis em abril de 2026, quando precisaria renunciar ao governo paulista para concorrer à Presidência. Esta coluna reafirma o que vem dizendo há um ano: Bolsonaro não transferirá seu protagonismo dentro da direita para ninguém fora de sua família. Basta observar seu comportamento ao longo de quase 40 anos de vida política. Ele tentará registrar, mesmo inelegível ou eventualmente preso, sua candidatura à Presidência e deve lançar sua esposa, Michelle, ou um de seus filhos como vice — este assumiria a cabeça da chapa caso o registro fosse impugnado. Zema, no entanto, segue acreditando que Bolsonaro possa, contrariando seu próprio histórico, abençoar outro nome da extrema-direita, e se coloca na fila, com declarações e posicionamentos cada vez mais sintonizados com o político do PL.
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