DECEMBER 9, 2022

17 de maio: Dia Internacional da Reciclagem reforça importância da sustentabilidade e destaca papel dos catadores

Segundo um estudo recente da ONG norte-americana Center for Climate Integrity, apenas 9% do plástico produzido globalmente é reciclado

Foto: Larissa Durães

Repórter Larissa Durães

Comemorado em 17 de maio, o Dia Internacional da Reciclagem é um convite à reflexão sobre os efeitos do consumo excessivo e a importância de dar a destinação correta aos resíduos. No Brasil, embora a reciclagem enfrente inúmeros desafios, ela se sustenta graças ao trabalho fundamental de cerca de 800 mil catadores. Em Montes Claros, mais de mil desses trabalhadores atuam na coleta de papelão, plástico, metal e vidro — materiais que, sem esse trabalho, muitas vezes seriam descartados de forma inadequada. Reconhecidos como agentes ambientais, eles operam tanto de forma autônoma quanto em associações, contribuindo para a cadeia da reciclagem, garantindo seu sustento e ajudando a reduzir a poluição.

Mesmo com os esforços, os dados ainda são alarmantes. Segundo um estudo recente da ONG norte-americana Center for Climate Integrity, apenas 9% do plástico produzido globalmente é reciclado. No Brasil, a situação é ainda mais crítica: apenas 1,3% desse material passa por reciclagem.

A baixa taxa escancara a necessidade de ampliar políticas públicas, investir em educação ambiental e valorizar ainda mais o trabalho dos catadores. Promover a separação correta dos resíduos nas residências e estimular o consumo consciente são atitudes fundamentais para transformar esse cenário.

Sidney Alves Coutinho, presidente da Eco Galpão, destaca que a reciclagem é fundamental tanto para o meio ambiente quanto para a geração de renda. “Isso gera uma economia de matéria-prima e contribui principalmente para o meio ambiente”, afirmou.

Sidney destaca que, apesar dos avanços, o reconhecimento social dos catadores ainda é limitado, embora tenha melhorado com o apoio de programas, sociedade, indústria e comércio.

Ele explica que o papelão é o principal material reciclado no galpão, por ser o mais disponível no mercado. Já o metal, apesar de ter maior valor, é mais escasso. “Outras pessoas também coletam esse material para gerar receita”, comenta. A associação coleta entre 30 e 32 toneladas por mês, em parceria com a comunidade e com o projeto Reciclar aos Montes.

A instabilidade econômica do setor, segundo Sidney, também é uma barreira. “Por não haver uma política definida de preços dos resíduos, que variam conforme a demanda do mercado, enfrentamos dificuldades em obter uma remuneração justa e digna para os catadores.” Atualmente, a associação atende diretamente dez famílias e beneficia outras 40 e com a venda dos recicláveis garante, em média, 70% do salário mínimo para os catadores.

Para Sidney, o apoio da sociedade e do poder público é essencial para que o trabalho avance. “A coleta seletiva se implantada em toda a cidade ajudaria muito, principalmente na arrecadação. A sensibilização da sociedade, do comércio e da indústria é fundamental para proporcionar melhores condições de trabalho e mais dignidade aos catadores.”

Apesar de haver um movimento crescente em prol da reciclagem em Montes Claros, obstáculos ainda impedem a efetivação de ações mais estruturadas. A professora Paula Caires, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e integrante do Projeto Recicla Unimontes, afirma que a importância dos projetos de reciclagem está diretamente ligada à educação ambiental. “As pessoas já sabem que é preciso cuidar do meio ambiente, sabem que o aquecimento global é real. O que falta é saber como ajudar individualmente”, afirma. Para ela, o foco deve estar na educação ambiental prática, ensinando o que é reciclável, onde descartar corretamente e como apoiar os catadores. “As pessoas têm consciência, mas não sabem como contribuir.”

Paula também destaca que a reciclagem impacta positivamente a economia. Segundo ela, a atuação dos catadores representa um verdadeiro ganha-ganha: “Gera renda, reduz custos para a administração pública e ainda ajuda o meio ambiente.”

Ela destaca que, em Montes Claros, os principais desafios da reciclagem são estruturais e de comunicação. Apesar de haver iniciativas como o “polo do lixo” e um mapa com pontos de coleta, a população não tem acesso claro às informações, o que compromete a efetividade das ações.

Ela também acredita que há um movimento em mudança. “Alguns condomínios, prédios e casas já fazem a separação de resíduos. Mas ainda é insuficiente. Sabemos da importância, mas as ações não andam sem políticos, instituições, procuradoria, prefeitura, universidades…”, relata.

Por fim, Paula aponta o preconceito como um dos maiores entraves. “Há muito glamour quando se fala em coleta seletiva, mas, quando você vai até os galpões, ninguém quer saber da outra ponta. Existe preconceito contra os catadores, e isso também impede avanços reais”, conclui.

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