Com a aproximação do Carnaval, chega também a hora de escolher a fantasia para cair na folia. Tanto a escolha quanto o uso no dia do desfile podem (e devem) representar um momento de diversão e alegria. Porém, é importante ficar atento para não correr o risco de usar alguma fantasia que seja desrespeitosa para alguma cultura, minoria social ou povo. Mesmo que este assunto esteja aberto para debate, selecionamos e mostramos alguns exemplos de fantasias que sugerimos ser evitadas no Carnaval:
1 – Índio(a): Se você está pensando em utilizar adereços da cultura indigena, melhor procurar outra fantasia. Embora para algumas pessoas possa parecer uma homenagem ou apenas uma brincadeira, a história recente e as pessoas pertencentes a esses grupos dizem que essa apropriação cultural é ofensiva. Se a desculpa para o uso for, por exemplo, uma homenagem aos Yanomamis, vai ser pior ainda. O caso da tribo é muito triste e há outras formas de ajudá-los.
2 – Black Face e “Nega Maluca”: Há tantos erros nestas ‘fantasias’ que fica até difícil citar. Mas vamos lá: racismo, reforço de estereótipos, apropriação cultural e, em alguns casos, hipersexualização da mulher preta. Para a felicidade de todos, o uso desta fantasia vem se tornando cada vez mais rara, mas sempre vale ressaltar.
3 – Japonesa, muçulmana, cigana e afins: Muito parecido com os casos acima, vestir-se baseado em trajes típicos de outros países de forma a representar a cultura é uma forma de estereotipar toda uma nação, banalizar os símbolos culturais, seus costumes e tradições. Nos últimos anos, estes tipos de fantasia vêm sendo evitados a todos custo por aqueles que estão preocupados com a folia sem ofender a ninguém.
4 – Serial Killers: A série da Netflix sobre o assassino em série Jeffrey Dahmer levou várias pessoas a se vestirem como o criminoso durante o Halloween. A atitude foi fortemente criticada baseada no desserviço em espetacularizar e ‘heroizar’ um homem que matou tantos outros de maneira sádica. Não use esta ou nenhuma fantasia que faça referência a serial killers. No lugar, fica como sugestão alguém herói ficcional, como Superman.
5 – Covid-19: Vacinas e relacionados A pandemia causada pelo Covid-19 matou milhões de pessoas ao redor do mundo. Fantasias relacionadas ao tema devem ser evitadas – como alguém ligado ao oxigênio – por se tratar de um assunto muito sensível e ainda presente na vida de muitas pessoas que perderam entes queridos.
6 – Fantasias racistas ou culturalmente insensíveis: É inaceitável usar uma fantasia que ridicularize ou cause ofensa a qualquer cultura ou grupo étnico. Isso inclui fantasias de estereótipos racistas ou culturalmente insensíveis, como indígenas, pessoas negras, asiáticas, entre outros. Além de ser considerado ofensivo, isso pode ferir profundamente as pessoas e a comunidade a que elas pertencem.
7 – Homens “vestidos” de mulheres: Esse tipo de fantasia é muito comum nas festas de Carnaval em todo o país. Contudo, é uma prática errada a partir do momento que você está brincando com uma questão de gênero, reforçando estereótipos. Principalmente quando, na vida real, pessoas transexuais sofrem violências cotidianas por serem, simplesmente, quem são.
8 – Fantasias religiosas: Usar uma fantasia que representa uma figura religiosa ou símbolo pode ser considerado uma falta de respeito e ofensivo para aqueles que têm crenças religiosas. Além disso, essas fantasias podem ser interpretadas como uma forma de zombaria ou blasfêmia, o que pode causar conflitos e desconforto.
9 – Fantasias de sexualização de outras profissões: É importante evitar fantasias que sejam explícitas ou objectificadoras. Além de ser inapropriado, elas retiram total credibilidade de profissionais que usam diariamente essas roupas. E narrativas assim, de sexualização de profissões, endossam uma discussão muito cara ao nosso país.
10 – Pessoa em situação de rua: São muitas as condições que colocam uma pessoa em situação de rua. E incontáveis as dificuldades de se estar nessa condição. Passar fome, frio e sofrer com preconceito de outras pessoas não é motivo para piada.
11 – Terrorista: Terrorista é a pessoa que impõe a sua vontade por meio do medo e do terror. O problema da fantasia é que a imagem de um terrorista é constantemente associada a de povos árabes, desde os atentados terroristas às torres gêmeas, em 2001. Imitar a imagem de Osama Bin Laden reforça a ideia de que o islamismo é algo ruim e que os árabes são todos terroristas, o que não é verdade.
12 – Pessoas gordas: Mais uma constatação óbvia que precisa ser dita: pessoa gorda não é fantasia, nem motivo de piada ou digna de graça. A prática é considerada gordofobia e reforça o preconceito com essas pessoas que já são discriminadas em processos seletivos, espaços públicos e relacionamentos. O preconceito contra essas pessoas deve ser combatido como sociedade e não reforçado. E não, não existe isso de “é uma brincadeira”.
13 – Comunidade LGBTQIA+: Na mesma linha do blackface e de pessoas gordas, se fantasiar de mulher e encenar jeito afeminado em referência — e zombaria — de pessoas LGBTQIA+ é inadmissível. A comunidade LGBTQIA+ brasileira é a que mais morre no mundo. Enquanto pessoas transgênero forem vistas como fantasias ou como anomalias, o cenário de barbaridade não irá mudar.
Em vez de escolher uma fantasia inapropriada, por que não optar por algo criativo e original que reflita sua personalidade e humor? Além de ser mais divertido, você pode aproveitar a oportunidade para mostrar sua criatividade e imaginação.
Em resumo, é importante levar em consideração os valores e crenças das outras pessoas ao escolher sua fantasia para o carnaval. Evite fantasias racistas, culturalmente insensíveis, sexuais, violentas, religiosas ou políticas para garantir que você e todos os outros participem de uma festa segura, divertida e inclusiva. Escolha uma fantasia criativa e original que reflita sua personalidade e se divirta!
Lembre-se: Diversidade Importa!
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