CORRENDO ATRÁS
É início de governo e ainda há tempo para ajustes, mas a Prefeitura de Montes Claros é muito grande e tem estrutura demais para precisar correr atrás e corrigir informações depois que elas vazam ou são divulgadas sem o menor preparo junto à opinião pública. É o caso do empréstimo — se aprovado será maior da história do município — no valor de até R$ 850 milhões, que a Prefeitura pretende obter junto à Caixa Econômica Federal, com juros de 10,83% ao ano pelas cotações atuais. Uma operação financeira desse porte deveria ser precedida por informações claras sobre quais obras e investimentos serão realizados, quais garantias serão oferecidas para cobrir um eventual não pagamento futuro, entre outros detalhes.
CORRENDO ATRÁS II
O prefeito Guilherme Guimarães foi eleito há pouquíssimo tempo com mais de 80% dos votos válidos, embalado pela enorme popularidade do ex-prefeito Humberto Souto, que atingiu esse patamar justamente pelo grande volume de obras de infraestrutura executadas em seus dois mandatos. Portanto, Guilherme tem crédito político com a população para “aprovar” esse empréstimo. No entanto, ao encaminhar o projeto para a Câmara Municipal sem qualquer comunicação oficial prévia, acabou abrindo espaço para mais questionamentos do que se tivesse seguido um protocolo de comunicação que prevenisse eventuais ruídos futuros.
CORRENDO ATRÁS III
Como a Prefeitura não assumiu, desde o início, a narrativa do empréstimo — destacando os pontos que considera relevantes — precisou correr atrás para justificá-lo. E mesmo assim, o fez apenas por meio de jornalistas de sua rede de apoio, e não por uma comunicação oficial, que continua faltando. Era previsível, para qualquer pessoa minimamente familiarizada com política, que, assim que o pedido de autorização para o empréstimo se tornasse público, grande parte da população questionaria sua necessidade. Afinal, o ex-prefeito Humberto Souto frequentemente mencionava que deixaria a Prefeitura com cerca de R$ 300 milhões em caixa para gastos discricionários. Com uma boa comunicação prévia, o debate em torno desse empréstimo junto à opinião pública estaria bem mais controlado agora.
VALOR DA PARCELA
Se os juros permanecerem no atual patamar (CDI a 10,83% ao ano) até o fim do período de carência — que vence em dois anos — e a Prefeitura contratar todo o montante de R$ 850 milhões, cada parcela mensal de pagamento será de aproximadamente R$ 7,8 milhões. É muito dinheiro para que a divulgação dessa informação se limite a um projeto de lei de apenas uma folha A4 enviado à Câmara Municipal.
Um detalhe curioso: o ex-prefeito Humberto Souto, reconhecido até por seus opositores pela capacidade de organizar as finanças municipais e executar um vasto pacote de obras, não recorreu a empréstimos em seus oito anos de governo. É verdade que recebeu um aporte significativo devido ao ajuste do contrato com a Copasa, mas o valor foi de cerca de R$ 100 milhões — muito abaixo dos R$ 850 milhões agora pretendidos.
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