DECEMBER 9, 2022

Simpatia para a virada: pessoas buscam rituais de renovação para o ano-novo

Tradição contribui mesmo para a realização dos desejos?

Foto: Fred Magno / O Tempo

Para muitos, a virada de ano é sempre um convite à renovação. E, quando o relógio marca a meia-noite, os gritos de “feliz Ano-Novo” se misturam às simpatias. Os pedidos, claro, são muitos: um amor, dinheiro, saúde, um novo emprego e infinitas possibilidades.

Com a ajuda de especialistas, o Super Notícia selecionou algumas simpatias para que você inicie e tenha um 2025 próspero. Estes são rituais que, segundo a astróloga Vivi Pettersen, já fazem parte da tradição cultural brasileira.

“O Brasil é um dos países mais místicos e que mais têm ligação com a religião e a fé no mundo. Então, nos apegamos a esse movimento de simpatias e rituais justamente pela nossa fé, de acreditar que também temos minimamente o controle da nossa saúde, da prosperidade. E isso é uma herança coletiva, faz parte da cultura brasileira e vai se perpetuando entre gerações. Passa da avó para a filha, para a neta, e assim vai”, explica.

Exatamente o que aconteceu com a publicitária Babi Rodrigues, de 22 anos, que herdou da avó a crença em simpatias e se agarra a elas para buscar renovações todos os anos. Ela conta que, no último Ano-Novo, queria muito mudar de emprego. Tinha acabado de se formar em publicidade e propaganda e precisava de algo que lhe desse “mais liberdade”. Na virada de 2023 para 2024, Babi não pensou duas vezes: comeu 12 uvas verdes entre 0h e 0h01, e o resultado, de acordo com ela, foi “batata”: “Foi um ano de muita limpeza na minha vida. Trabalhei, ganhei bem e consegui um emprego dez vezes melhor”, comemora.

Da mesma forma, a professora de matemática da rede pública de ensino Gabrielle Silva, de 23 anos, não abre mão das simpatias na virada do ano. “Minha mãe e minha avó sempre faziam, e, quando eu não faço, fico arrasada”, afirma. Segundo ela, não somente no Ano-Novo, mas durante os 365 dias tem simpatia na sua casa. Uma das suas tradições favoritas é guardar sementes de romã na carteira para atrair prosperidade.

Gabrielle lembra especialmente de uma virada em que as sementes de romã floresceram “alegria”. “Tinha acabado de entrar numa faculdade particular e pagado três mensalidades adiantadas. Quando saiu o resultado do ProUni, além da vaga com bolsa integral, recebi o dinheiro de volta. Me senti rica, foram R$ 4.000 de volta na minha conta!”, conta.

Mas tanto Babi quanto Gabrielle admitem que a fé vem acompanhada de esforço. “Simpatia ajuda, mas não faz milagre sozinha. Sempre me dediquei ao máximo”, reflete Gabrielle.

Passagem de ano remete a momento de renovação

A crença em rituais de Ano-Novo faz parte da cultura brasileira. Para a psicóloga clínica Beatriz Grangê, isso é natural. “A passagem de ano remete a um pensamento coletivo de que é um momento de renovação. A forma como as pessoas lidam com essa época tem muito a ver com a forma como elas expressam a fé e a confiança em algo maior”, destaca.

Psicólogo e especialista em neuropsicologia, Rodney Nicomedes concorda. “Simpatias representam o início de novos ciclos. Esse costume faz parte da vida do brasileiro, religioso ou não. A questão da crença varia: para alguns, é um milagre; para outros, apenas o curso natural da vida. Cada pessoa tem seus próprios ritos de passagem para entender esse tempo de ‘fechar e abrir’ que o novo ano traz”, afirma.

Ainda assim, Nicomedes ressalta que apenas desejar não basta. “A fé é importante, mas cada um tem sua parte a fazer. A ciência e a fé podem parecer opostas, mas, em algum momento, elas se encontram e se complementam”, defende.

Agradecer

Para muitos, o momento de realizar os rituais é para pedir algo não conquistado. Mas Vivi Pettersen afirma que também é importante lembrar do que já conquistamos. “Temos que agradecer nessas trocas de ciclos. Ser gratos pelo que conquistamos, ter um olhar generoso e sincero. Até para continuar tendo no novo ciclo”.

Origem

A astróloga Vivi Pettersen diz que não existe uma explicação única para a origem das simpatias. “Há várias teorias, mas uma delas é que tudo começa com as benzedeiras, pessoas mais velhas que usam plantas e dizeres para cura e saúde. E também os povos escravizados, que chegaram ao Brasil com toda essa gama ritualística”, conta.

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