A nova aposta digital do PT expôs desprezo por evangélicos, empresários e opositores. Horas depois, a Veja colocou o Instituto Lula no centro da crise, publicando áudios de Vorcaro.
A campanha do “Descondenado” desmoronou em duas frentes. E em menos de vinte e quatro horas.
Primeiro, as redes foram inundadas pelo que pensa (sem filtro) a nova aposta digital de Lula. Depois, na manhã seguinte, a Veja publicou um áudio de Daniel Vorcaro falando em dinheiro por fora para o filme de Lula e para o Instituto Lula.
Uma crise seria ruim. Duas, em sequência, a dezesseis dias do segundo turno, já parecem outra coisa. Parecem o fim de uma campanha como narrativa. Não necessariamente o fim da eleição, porque o regime ainda tem máquina, caneta e aparelho. Mas o fim da tentativa de vender Lula como normalidade, moderação e defesa da democracia.
Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, o PT concluiu que tinha falhado na comunicação. A solução encontrada foi chamar Ana Elisa, deputada eleita pelo PT de Minas, 21 anos, para reforçar o núcleo digital. Segundo o jornalista Luiz Bacci, a velha guarda petista reclama da influência de Janja nessas decisões.
A campanha precisava falar com o eleitor de centro. Escolheu como rosto uma militante da esquerda radical
Já não fazia sentido. Aí vieram os tuítes.
Ela diz que um print é montagem. Mas dezenas de publicações estão arquivadas, com data e link. E não estamos falando de bobagem de adolescente. Vou ficar apenas nos posts escritos quando ela já era adulta.
“Odeio branco”. Em outro vídeo: “os negros do sul são racistas”.
Sobre aborto: “QUEIMA ESSA BANCADA EVANGÉLICA, QUEIMA ESSE PL”.
Diante das manifestações de protesto nas redes sociais, a deputada mineira assim respondeu:
Sobre empreendedor e empresário: “Tô nem aí”. E arremata: “Que se fod*m”. Para quem ainda apoia a direita, a sentença: “merece putrificar nesse tal inferno, que os ‘crentes’ tanto acreditam”. Em maio deste ano, defendeu que Lula deveria “tirar a isenção de impostos das igrejas evangélicas”.
E ainda havia o bônus autoritário:
Ódio a crente, desprezo por quem empreende, ódio a branco, aborto como bandeira e censura como desejo. É o pensamento petista cru, sem verniz de marqueteiro.
Essa foi a primeira frente do desmoronamento. A campanha de Lula tentou corrigir a comunicação e conseguiu revelar exatamente aquilo que tentava esconder: o PT real, sem maquiagem, sem moderação e sem aquela fantasia de amor democrático vendida em horário eleitoral.
A reação de Ana Elisa foi negar tudo e posar de vítima, publicando um suposto e-mail de ameaça. O problema é que ferramentas de detecção sugeriram que o texto inteiro foi escrito por inteligência artificial. Nem o vitimismo veio orgânico.
Mas essa crise, por pior que fosse, ainda era a parte menor. A bomba veio depois
Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master, está preso e tenta fechar uma delação. Num anexo levado à Procuradoria-Geral da República em junho, ele conta que seu sócio, Augusto Lima, com a ajuda de Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, chegou a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e velho conhecido da Lava Jato.
O preço para entrar nos fundos de pensão das estatais, segundo Vorcaro: cerca de trinta milhões de reais em espécie, por fora, para bancar um documentário sobre Lula no exterior. Além disso, pagamentos ao Instituto Lula, de Paulo Okamotto, e dez por cento de tudo que o banco captasse. Se desse certo, um bilhão de reais para o petismo.
É aqui que a campanha de Lula deixa de enfrentar uma crise de comunicação e passa a enfrentar uma crise de sobrevivência moral, porque o próprio áudio de Vorcaro é devastador.
Veja o vídeo publicado ontem no canal do Leandro Ruschel no YouTube:
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