A inadimplência de aluguel em Minas Gerais volta a cair após alta no mês anterior, registrando 2,77% em julho (segundo menor nível da série histórica), 0,32 p.p. abaixo de junho, quando registrou índice de 3,09%. Já no comparativo com o mesmo período de 2025 (4,45%), o índice registrou queda relevante de 1,68 p.p. O estado permaneceu abaixo da média nacional, que foi de 3,05% e da média da região Sudeste, que foi de 2,78%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário, apresentados no Next 2026, maior festival de conhecimento do setor no Brasil.
Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, a queda registrada em julho é positiva, mas ainda é importante acompanhar a trajetória do indicador. “Minas Gerais voltou a registrar uma queda relevante em julho e está em um patamar bastante inferior ao observado no mesmo período do ano passado. É um movimento positivo, mas em um cenário de juros elevados e pressão sobre o custo de vida, o orçamento das famílias continua exigindo atenção e pode ter reflexos sobre a capacidade de pagamento dos inquilinos”, afirma.
No Sudeste, os imóveis comerciais continuam liderando a inadimplência de aluguel, mas apresentaram queda em julho, passando de 3,90% em junho para 3,82%, uma de 0,08 ponto percentual. Em seguida, aparecem as casas, com 3,11%, queda de 0,17 p.p. ante os 3,28% registrados no mês anterior. Já os apartamentos ficaram praticamente estáveis, passando de 2,02% em junho para 2,01% em julho, recuo de 0,01 p.p.
A região Nordeste segue liderando o ranking nacional, mas fechou julho em queda, com taxa de 4,88% ante 5,15% em junho, redução de 0,27 p.p. A região Norte aparece em segundo lugar, com 4,04%, após queda de 0,26 ponto percentual em relação a junho (4,30%). Na sequência vêm as regiões Centro-Oeste (2,80%) e redução Sudeste (2,78%), ambas com queda em relação ao mês anterior, quando registraram 3,00% e 2,96%, respectivamente. Por fim, o Sul mantém a menor taxa do país, com 2,67%, após recuo de 0,04 p.p. em comparação a junho (2,71%).
Em âmbito nacional, a análise por valor apontou que os imóveis comerciais de até R$ 1 mil apresentaram queda de 0,13p.p. Porém ainda preocupam, pois concentram a maior taxa de inadimplência: de 7,27%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 5,99%.
A maioria das faixas analisadas apresentou queda em julho. Nos imóveis residenciais, um dos maiores recuos ocorreu entre os aluguéis acima de R$ 13 mil, cuja taxa caiu 0,58 ponto percentual, para 4,84%. Nos comerciais, a faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil passou de 3,90% em junho para 3,77% em julho. As menores taxas do mês foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
“Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a concentração das maiores taxas entre os aluguéis residenciais de menor valor é um ponto de atenção. Esse resultado mostra que a inadimplência não se distribui de maneira uniforme pelo mercado e reforça a importância de acompanhar como o orçamento das famílias evolui nos próximos meses”, analisa Gonçalves. “Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”.
Na análise por tipo de imóvel, os três segmentos registraram queda em julho. Os imóveis comerciais continuam com a maior taxa, de 4,17%, ante 4,19% em junho. Nas casas, o índice caiu de 3,45% para 3,29%, enquanto nos apartamentos passou de 2,16% para 2,14%.
Recorte semestral
A taxa média nacional de inadimplência ficou em 3,24% no primeiro semestre de 2026, após atingir 3,71% no segundo semestre de 2025. O resultado também ficou ligeiramente abaixo dos 3,30% registrados nos primeiros seis meses do ano passado.
Em Minas Gerais, o índice do primeiro semestre deste ano fechou em 2,97%, acima dos primeiros seis meses do ano anterior, mas abaixo do segundo semestre de 2025, quando registrou 2,91% e 3,72%, respectivamente.
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