The Tudors é uma série televisiva que passou entre os anos 2007 e 2010. São 4 temporadas, e cada episódio tem mais ou menos 50 minutos. Para você entender a história (em geral), você precisa estudá-la, observar os enlaces que são formados através da política, interesses econômicos e pessoais; afinal, nada é por acaso. Então, vamos contextualizar! O reinado de Henrique VIII, na Inglaterra, foi de 1509 até sua morte, em 1547 (38 anos como rei), mas a série inicia-se em 1518, indo até o fim da vida do monarca.
Durante as quatro temporadas, o telespectador consegue encarar a história de uma forma romanceada, dinamizada e atraente. The Tudors tem o foco (logicamente) no rei Henrique VIII, muitas vezes retratado em filmes e séries sempre da mesma forma: um cara mal humorado e caprichoso, que faz de tudo para alcançar seus objetivos. Porém, neste caso, a série acerta em cheio ao mostrar o lado humano e não somente político estereotipado do monarca (e de seus servos). As loucuras, dores, desejos, manias, paixões, ambições são expressas de maneira magnífica, com um bom time de atores. Mostra o lado bom e mau destes agentes da história medieval, sem mostrar um mocinho ou um bandido, exatamente.
Em termos históricos tem coerência? Sim. Dá para assistir e entender como a história aconteceu? Sim. Não dá para levar tudo ao pé da letra, claro. Mas é a mais correta que já vi até então sobre este período.
O que mais me emociona é o fato de mostrar como aconteciam as mudanças e jogos políticos e de poder. Há uma “guerra dos tronos” acontecendo a todo instante: falcatruas, religiões, casamentos…
Sabia que Henrique VIII cortou relações com a Igreja Católica porque queria a separação de Catarina de Aragão para casar-se com sua paixão, Ana Bolena? Quando a Igreja não anulou o casamento, ele então mudou a religião da Inglaterra. Simples! Parece loucura? Mas para este “simples” fato acontecer, tem mais interesses nos bastidores do que se pode pensar. E The Tudors traz muitos destes fatos. Da mesma forma, Ana Bolena foi decapitada, a mando do Rei, por não ter tido filho homem e também porque Henrique VIII se apaixonara por outra dama da corte inglesa. Historicamente, há o registro de que a decapitação se deu em virtude de que a Rainha Ana Bolena defendia o protestantismo e a sua implantação no Reino Unido, fato este considerado grande traição pelo Chanceler Inglês Cromewel, que exercia forte influência sobre o Rei. Um dos motivos para o processo contra Ana Bolena teria sido uma suposta traição com vários lordes da corte.
A série foi duramente criticada pelo Vaticano pela forma como mostrou a Reforma Anglicana e as mazelas da Santa Madre Igreja. No entanto, o roteirista traz para as telas a decisão do Papa Clemente de editar uma Bula apostólica contra a escravidão e outra condenando os excessos da luta luterana na Alemanha. Vários historiadores atestam que, na verdade, o casamento de Henrique VIII com Ana Bolena foi um pretexto da monarquia inglesa para romper em definitivo com o controle de Roma. A monarquia inglesa também tinha grande interesse nos diversos imóveis do Vaticano espalhados por toda a Inglaterra.
Há muitas cenas de sexo, que não chegam a ser explícitas, mas não indico para crianças/adolescentes. Podemos perceber este tom sexual logo na escolha do elenco. Esqueça aquele rei gordo e ranzinza, estamos falando de um Rei atlético, de olhos azuis e um verdadeiro atleta sexual. Bem diferente do original; desde jovem, bastante obeso.
Além disso, alguns meios foram forçados para que chegassem ao final desejado pelos produtores, como indicações de bissexualidade, bem como confissões e suicídios que nunca aconteceram, ou traições nunca comprovadas. Uma figura de grande importância na série é o jurista e escritor Tomas Moore, antigo conselheiro do Rei e, por não aceitar a Reforma Anglicana, também foi decapitado por Henrique VIII.
As falhas acontecem em uma tentativa de dar sequencia e não estender-se demais até chegar aos fatos em si, então podemos perdoar; afinal, não podemos pretender que uma série de entretenimento seja exatamente fiel à história. Trata-se de uma feroz disputa pelo poder, e pela consolidação do monarca inglês como chefe Supremo da Igreja no Reino Unido. Logo, é assim que podemos ver a série The Tudors. Longe de ser uma “contação” da história, é uma narrativa envolvente, que te prende e te faz entender por que alguns fatos aconteceram.

