Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Caiado pediu ao STF quebra de sigilo sobre investigações que envolveriam Flávio Bolsonaro e Lula.
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que, se eleito, vai promover um corte de gastos no governo federal. O ex-governador não detalhou, no entanto, o que seria cortado ou quais áreas seriam atingidas.
Caiado disse que promoveria o ajuste fiscal por meio do envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso. A medida limitaria o crescimento das despesas à inflação mais 50% do crescimento do PIB.
O candidato defendeu uma reforma administrativa para cortar gastos e combater corrupção, incluindo despesas e salários que considera excessivos em todos os Poderes e órgãos públicos. O político chamou o atual arcabouço fiscal de “grande farsa”.
Caiado ainda reafirmou que, caso seja eleito, vai conceder anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Caiado voltou a comparar a discussão sobre anistia à soltura do presidente Lula(PT) e à recuperação dos direitos políticos do petista, em 2021, após as condenações na Lava Jato.
Confira os principais temas da entrevista com Caiado:
Ajuste fiscal
Ronaldo Caiado prometeu, se eleito, promover um ajuste fiscal que limitaria o crescimento das despesas do governo federal à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o candidato, a regra seria apresentada ao Congresso por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no primeiro dia de um eventual governo.
“O meu ajuste fiscal também será uma emenda constitucional, que eu encaminharei também no primeiro dia do meu governo, onde eu vou dizer: as despesas do Governo Federal, elas serão limitadas… Lógico, corrigir a inflação e atingir o máximo de 50% do crescimento do PIB”.
Questionado sobre os cálculos usados para definir a meta, Caiado pediu “calma” e comparou a situação fiscal do país à de uma vítima de atropelamento. “Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente. Calma”.
Caiado afirmou que é o único candidato que teve “coragem” de propor a medida e disse que pretende submetê-la ao Congresso por ser “um democrata”. Ele também criticou o atual arcabouço fiscal, que classificou como uma “grande farsa”.
O candidato afirmou que pretende priorizar o combate à corrupção e aos gastos que considera excessivos na administração pública. Entre os alvos citados estão “salários extorsivos” e desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares.
“Eu vou trabalhar em relação à reforma administrativa, o corte não só no Executivo, mas também no Legislativo, no Judiciário, no TCU, em todos os órgãos”, disse o candidato.
Atos golpistas de 8 de Janeiro
Ronaldo Caiado defendeu a anistia aos condenados pela tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023. Entre os condenados e presos nesse caso está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Nós precisamos acabar com essa polarização, nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação”, afirmou.
“Encaminharei, sim, ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral, ampla. Da mesma maneira, de uma forma especial, o Supremo [Tribunal Federal, o STF], concedeu uma anistia ao ex-presidente Lula”.
Lula, que atualmente é presidente, foi preso em 2018 após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Ele ficou preso por 580 dias e foi solto em novembro de 2019.
Em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato contra o petista, restabeleceu os direitos políticos dele e abriu caminho para que ele voltasse à disputa presidencial e se elegesse em 2022.
O STF anulou as condenações de Lula por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sérgio Moro atuou de forma parcial.
Apelo ao STF
Ronaldo Caiado, encerrou entrevista fazendo um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam abertos sigilos relacionados ao INSS, ao caso Master e à Operação Carbono Oculto. Segundo ele, a medida permitiria que os eleitores tivessem conhecimento de eventuais crimes envolvendo candidatos antes da eleição.
“Eu pediria que eles refletissem bem e abrissem o sigilo do INSS, do caso Master, e juntassem a ele também toda essa parte do Carbono Oculto, para que nós não fôssemos amanhã enganados [por] pessoas envolvidas em graves crimes e que amanhã pudessem ser eleitas”, afirmou.
As investigações citadas por Caiado podem ter efeitos nas candidaturas dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Nova polícia
Uma das propostas do ex-governador de Goiás é a criação de uma polícia transnacional entre os países da América Latina.
Questionado sobre como convenceria os governos da região a aderir à iniciativa, Caiado argumentou que a maioria dos presidentes sul-americanos hoje é de centro-direita e citou como exemplo a Colômbia, cujo presidente, segundo ele, pretende classificar grupos armados como terroristas.
“Os presidentes hoje são de centro-direita. Só está faltando o Caiado ganhar a eleição para completar. Você pega a Argentina; você viu hoje a Colômbia: o presidente da Colômbia, que acabou de assumir, já declarou terroristas… Então, esse sentimento é um sentimento que hoje paira. O único lugar de resistência, o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil”.
Segundo Caiado, a polícia conjunta teria poder para realizar prisões em território brasileiro e nos demais países participantes, entregando os detidos posteriormente às autoridades locais. O modelo também incluiria o compartilhamento ampliado de informações de inteligência entre os países.
Caiado afirmou ainda que o Brasil se tornou o “maior hub de narcotráfico”, com a presença de facções brasileiras, colombianas e mexicanas. Para o candidato, a expansão do crime organizado também representa uma ameaça econômica, por colocar em risco as exportações brasileiras.
Salário mínimo
Questionado sobre a política para o salário mínimo, Ronaldo Caiado afirmou que pretende manter a regra atual de reajuste do valor. O cálculo considera a inflação e o crescimento da economia.
“O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa de dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos”, disse o candidato.
Previdência social
Caiado evitou dar detalhes sobre as propostas dele para a Previdência Social.
O candidato disse que iria buscar as “melhores cabeças” no país para estudar sugestões. “Isto aqui não vai sair da cabeça de um iluminado, tá certo? Igual o Bernard Appy, o iluminado, deu conta de fazer”, disse, referindo-se ao ex-secretário da reforma tributária do governo Lula (PT).
Ao responder se já não tinha reunido especialistas e quais ajustes exatamente faria na Previdência, declarou que não tinha “condições” de “detalhar minúcias” sobre o que fez.
Quando questionado repetidamente se pretende alterar a idade mínima de aposentadoria, Caiado evitou definir metas ou parâmetros específicos de forma imediata, afirmando que a entrevista “não é uma mesa examinadora”.
Endividamento da população
Ao ser questionado sobre o endividamento recorde das famílias e das empresas e sobre sua proposta de ampliar o acesso ao crédito, Ronaldo Caiado criticou a política econômica do governo Lula e o programa Desenrola. “Eu não vou mentir para vocês. […] O Lula que te enrolou”, afirmou.
Ao falar das medidas que adotaria para enfrentar o problema, voltou a mencionar uma mudança constitucional, embora não tenha detalhado o mecanismo.
Reforma tributária
O candidato afirmou que pretende rever a reforma tributária aprovada pelo governo Lula (PT), que criou a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que é um tributo federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), entre estados e municípios, para simplificar a cobrança de impostos.
Caiado criticou o resultado final do projeto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo governo federal. Ele ainda afirmou não ver retrocesso em rever o assunto, que demorou 30 anos até ser aprovado.
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/25/ronaldo-caiado-entrevista-globo.ghtml
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