DECEMBER 9, 2022

“PARÁBOLA DO PAI MISERICORDIOSO”

“A gente erra, comete pecados, e Deus simplesmente perdoa”. Deus perdoa desde que a pessoa caia em si e tenha o desejo de levantar-se; ou seja, quando há verdadeiro arrependimento e conversão

Em tempo de guerra no Irã e na Ucrânia, nada como repensar nossos valores, crenças e ensinamentos catequéticos recebidos na juventude. Lembro-me sempre de uma palestra proferida em Mendes-RJ, no estado do Rio de Janeiro, no Centro de Juventude Marista, pelo Padre Francisco Albertin, que na época trabalhava na Diocese de Guaxupé-MG e era colaborador do Seminário Litúrgico “Deus Conosco”, da Editora Santuário de Aparecida do Norte-SP.

Padre Francisco esteve aqui em Montes Claros na ordenação episcopal do saudoso Dom Geraldo Magela de Castro e também na oportunidade proferiu palestra na primeira Assembleia Arquidiocesana de Pastoral. Na época já profetizava: “Somos igreja, sim!!!”

Sempre ouvia falar da parábola do “Filho Pródigo”, inclusive a encenamos na Escola Estadual Professor Alcides de Carvalho, educandário popularmente conhecido como Polivalente, no final do século passado. Padre Albertin nos abriu os olhos para o outro lado da moeda. A parábola do “Pai Misericordioso”, a saber:

Jesus Cristo tinha um jeito carinhoso para explicar ao povo simples e aos discípulos os mistérios do Reino de Deus. Para isso, utilizava muitas parábolas. Por detrás delas, de fato histórias simples da vida do povo hebreu, havia sempre um segredo, um ensinamento que o ouvinte deveria descobrir. Lucas, o evangelista da misericórdia, mostra nessas parábolas a importância da sincera conversão, do perdão e, sobretudo, o amor, a bondade e a infinita misericórdia de Deus.

Diante de tantas normas, regras, passaportes sanitários, resoluções, orientações da OMS e dos governos, proibições, indiferenças e de uma sociedade onde o eixo principal é a economia, o lucro e o mercado, bem como onde também tudo gira em torno do dinheiro, como entender a misericórdia?

Em um ambiente religioso da Obra de Deus, onde se tem a questão do pecado e as fraquezas humanas, como entender o que Jesus disse: “A lei foi feita para o homem e não o homem para a lei?” (Marcos 2:27).

 

 

O Pai e os dois filhos da parábola têm muito a nos dizer: o filho mais velho representa o antigo testamento, os fariseus, sacerdotes e levitas. Ele é todo certinho, cumpridor de “ordens”, inclusive as inconstitucionais e ilegais, e considerado “puro” diante da lei. Com isso, transforma-se em “escravo”, esquecendo-se de ser filho. O filho mais novo representa o Novo Testamento, os pecadores, os marginalizados e outros, pois, apesar de ter “uma vida desenfreada e com prostitutas”, caindo em si, decide levantar-se e ir ao encontro do Pai, que o avista ao longe, sai correndo, abraça-o e o cobre de beijos, expressando carinho, acolhida, bondade e perdão.

O impressionante é que o Pai não dá sermão, nem passa pito. Nem mesmo quer saber dos erros do filho. Ele pede para trazer-lhe uma túnica (a roupa significa dignidade e identidade), uma anel (sinal de aliança e de que tinha ainda direito à herança) e sandálias (sinal de que era homem livre, pois os escravos andavam descalços). E faz para ele uma grande festa de recepção. “Ele estava perdido; e o encontramos”, alegra-se o Pai.

Algumas pessoas questionam ser muito fácil: “A gente erra, comete pecados, e Deus simplesmente perdoa”. Deus perdoa desde que a pessoa caia em si e tenha o desejo de levantar-se; ou seja, quando há verdadeiro arrependimento e conversão.

Por este motivo, os psicopatas não devem ser perdoados por Deus. Os psicopatas jamais se arrependem. Misericórdia é ”dar o coração ao mísero”, ter sentimentos e ações concretas de bondade, como a realizada pela Igreja Matriz de Salinas em prol dos desabrigados de baixa renda recentemente, após as fortes chuvas que devastaram aquela acolhedora cidade do Norte de Minas.

 

Gustavo Mameluque é Jornalista e correspondente do L’Osservatore Romano no Brasil. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

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