DECEMBER 9, 2022

FATOS & DETALHES – MINAS E GERAIS

CONFUSÃO GENERALIZADA Nunca se viu um processo eleitoral para o Governo de Minas Gerais tão tumultuado como o deste ano. E parece que a bagunça ainda está longe do fim. Até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas, mudanças ainda devem acontecer. Vamos tentar analisar o quadro neste momento na […]

CONFUSÃO GENERALIZADA

Nunca se viu um processo eleitoral para o Governo de Minas Gerais tão tumultuado como o deste ano. E parece que a bagunça ainda está longe do fim. Até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas, mudanças ainda devem acontecer. Vamos tentar analisar o quadro neste momento na coluna de hoje, ressaltando, de antemão, que o maior prejudicado com tanta confusão é o eleitor mineiro. Minas Gerais, estado que já formou alguns dos melhores políticos brasileiros, vive hoje uma completa balbúrdia, a menos de dois meses de ir às urnas para escolher quem irá governá-lo.

 

CLEITINHO PELO REPUBLICANOS

O senador Cleitinho, depois de uma patética novela de vai ou não vai, será candidato a governador pelo Republicanos. O candidato a vice também será do partido de Edir Macedo e da Igreja Universal do Reino de Deus: o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Fernando Falcão. Ainda não estão definidos os candidatos ao Senado da chapa.

Cleitinho já anunciou apoio à candidatura de Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Estado de Governo, que disputará o Senado na chapa de quem hoje é seu adversário político e ontem era seu aliado: o atual governador Mateus Simões (PSD). O Republicanos ficará neutro na eleição presidencial e deverá adotar a mesma postura em Minas, sem apoiar abertamente nenhum presidenciável em 2026.

 

SIMÕES PELO PSD

 

Mateus Simões tentará a reeleição pelo PSD. Terá como vice Danilo de Castro (União Brasil), ex-todo-poderoso secretário de Governo nas gestões de Aécio Neves e Antônio Anastasia, tão criticadas pelo Novo, berço político de Simões.

Os candidatos ao Senado pela chapa serão Carlos Viana, que também tentará a reeleição pelo PSD, e Marco Antônio Superman, do Novo, que não tem o menor vínculo com Minas Gerais e só se mudou para o estado para disputar algum cargo eletivo, certamente subestimando a capacidade de entendimento do eleitor mineiro. E é triste dizer que, se essa foi mesmo sua avaliação, ele pode não estar de todo errado. Muito pelo contrário.

Marcelo Aro (PP), que rompeu com Simões para tentar ser candidato a governador, numa movimentação que deu errado e acabou fragmentando completamente a direita mineira em três candidaturas, também disputará o Senado por esta chapa. Porém, não terá o apoio de Mateus Simões, que deverá, inclusive, fazer campanha contra ele.

Mesmo filiado ao PSD, Mateus Simões apoiará Romeu Zema, do Novo, para presidente, e não seu colega de partido Ronaldo Caiado.

 

ROSCOE PELO PL

Ainda totalmente desconhecido do eleitor médio, Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), será o candidato a governador do PL e dará palanque à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Até ontem, Roscoe tinha como candidato a vice o ex-deputado federal Charles Evangelista. Ele, porém, declinou da posição e anunciou que tentará voltar à Câmara dos Deputados. Na chapa puro-sangue do PL, o candidato ao Senado já está definido: será o deputado federal Domingos Sávio.

 

GABRIEL PELO MDB

O ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo será candidato a governador pelo MDB, tendo como vice a vereadora de Montes Claros Maria Helena Lopes, também filiada ao partido.

O MDB terá dois candidatos ao Senado: o ex-vice-prefeito de Muriaé Manoel Carvalho e o empresário do agronegócio de Capinópolis Paulo Roberto. O partido está neutro na eleição presidencial e liberou seus diretórios estaduais para apoiar qualquer candidato. O MDB mineiro, porém, não deverá dar palanque a nenhum postulante à Presidência da República.

 

KALIL PELO PDT

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil é o candidato a governador do PDT. Terá como vice o ex-deputado federal Carlos Mosconi, do PSDB, que entrou na chapa com o aval do ex-governador Aécio Neves. Ainda não foram definidos os candidatos ao Senado da composição.

Formalmente, a Federação PSOL-Rede deverá apoiar Kalil. Na prática, porém, o apoio ficará restrito a parte da Rede, já que André Janones, deputado federal da legenda e candidato à reeleição, e todo o PSOL deverão fazer campanha para Patrus Ananias (PT).

Em nível nacional, o PDT e a Rede apoiam Lula para presidente, mas, com exceção de Janones, não deverão fazer campanha para ele em Minas Gerais. O PSDB está neutro na eleição presidencial.

 

PATRUS PELO PT

O também ex-prefeito de Belo Horizonte e deputado federal Patrus Ananias será o candidato a governador do PT, tendo como vice o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares, do PSB.

O PT lançou a ex-prefeita de Contagem Marília Campos ao Senado e apoiará, para a segunda vaga, a ex-deputada federal Áurea Carolina, do PSOL. Esse palanque estadual dará sustentação à candidatura nacional de Lula (PT) à Presidência da República.

 

NANICOS

Outros partidos nanicos lançaram candidatos a governador, mas somente os nomes citados acima deverão ter algum protagonismo no processo. Pelas pesquisas divulgadas até aqui, o senador Cleitinho é franco favorito para vencer a eleição. Contudo, mostrou-se muito instável, indeciso e pusilânime durante o processo em que decidia se seria ou não candidato. Isso certamente deixou boa parte do eleitorado mineiro com as barbas de molho em relação ao político do Republicanos.

A ver como esse comportamento impactará as próximas pesquisas e de que maneira os adversários de Cleitinho explorarão isso contra ele.

 

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