DESISTIU
O deputado federal Aécio Neves (PSDB) desistiu de ser o candidato dos tucanos à Presidência da República. Ele, que havia lançado o próprio nome e inclusive foi incluído nas pesquisas mais recentes, descartou a possibilidade de concorrer em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo nesta semana. Ex-governador e ex-senador por Minas Gerais, Aécio foi candidato a presidente em 2014, quando perdeu para a então presidente Dilma Rousseff por uma diferença de apenas 3,28%. Depois daquela eleição, entretanto, tomou uma decisão que talvez tenha marcado definitivamente sua carreira política.
DESISTIU II
Aécio denunciou fraude eleitoral, pediu recontagem dos votos e trabalhou pelo impeachment de Dilma. Essa situação, aliada à Operação Lava Jato, que ganhou as manchetes na época, provocou amplo desgaste para a classe política tradicional brasileira e ajudou a abrir caminho para o surgimento de fenômenos populistas, como o bolsonarismo. Se tivesse optado por fazer oposição ao governo Dilma dentro das regras normais do jogo eleitoral, Aécio muito provavelmente teria sido eleito presidente em 2018 ou, no mínimo, teria se consolidado como o maior nome nacional da centro-direita.
CRÍTICAS A FLÁVIO
Segundo a CNN, empresários do setor produtivo criticaram a ida do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) à reunião em Washington que discutiu a aplicação de tarifas do governo norte-americano sobre exportações brasileiras aos EUA. A família Bolsonaro, que inicialmente articulou para que elas acontecessem e até comemorou publicamente as tarifas aplicadas pelo governo Trump contra o Brasil, agora tenta se livrar do problema, que tem provocado forte desgaste eleitoral ao candidato do PL.
Para esses empresários, Flávio Bolsonaro perdeu a oportunidade de se apresentar como alguém capaz de dialogar tecnicamente sobre comércio e preferiu concentrar suas falas em críticas ao presidente Lula. Flávio Bolsonaro, aliás, não pediu o fim das tarifas, nem criticou os EUA por adotá-las. Defendeu apenas que elas fossem adiadas para depois das eleições, para que o tema não beneficie a candidatura de Lula e, consequentemente, não prejudique a dele próprio.
CAIADO TAMBÉM CRITICA
Aos poucos, percebendo a movimentação das pesquisas de opinião, outros candidatos da direita à Presidência começam a fazer declarações para se descolar da imagem de Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao podcast Flow, o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) disse reprovar a gestão econômica do ex-presidente Jair Bolsonaro e as decisões tomadas por ele durante a pandemia de Covid-19. Sobre Flávio, Caiado afirmou que ele não tem “estatura ética” para disputar o cargo de presidente, ao comentar o envolvimento do filho de Bolsonaro com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
CAIADO TAMBÉM CRITICA II
Além disso, em evento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em Brasília, Ronaldo Caiado afirmou que Flávio Bolsonaro fez uma fala inaceitável nos EUA. Para Caiado, Flávio foi aos Estados Unidos defender seus próprios interesses, e não os do Brasil. “É inaceitável ele pedir que se adie a tarifação para depois da eleição”, afirmou o presidenciável do PSD, que, neste momento, foi aplaudido pelos participantes do encontro.
Caiado quer, na verdade, ser o depositário dos eventuais votos de direita que poderão sair da candidatura de Flávio Bolsonaro em função dos vários desgastes que o candidato do PL vem acumulando nos últimos dias.
NOVAS PESQUISAS
Novas pesquisas de intenção de voto para presidente da República foram divulgadas nesta semana. O instituto Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores entre os dias 3 e 6 de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. O levantamento apontou que, em cenário de primeiro turno, Lula (PT) tem 40,4% e Flávio Bolsonaro (PL), 32%. Todos os demais candidatos pontuam abaixo de 4%.
A pesquisa também simulou Michelle Bolsonaro no lugar de Flávio. Nesse cenário, Lula aparece com os mesmos 40,4%, enquanto a ex-primeira-dama fica com 29,4%, empatada, pela margem de erro, com o desempenho do enteado. Já na simulação de segundo turno, Lula aparece com 45% contra 40% de Flávio, empate técnico no limite da margem de erro. O quadro é estável em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto.
NOVAS PESQUISAS II
Já o instituto GERP, que ouviu 2.000 pessoas por telefone entre os dias 3 e 7 de julho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, aponta empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno. Os dois candidatos aparecem com os mesmos 36%.
Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 45%, contra 42% de Lula, situação de empate técnico. Nas eleições de 2022, o instituto GERP apresentou um ciclo de pesquisas com resultados mais favoráveis ao então presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro do que a Lula. Na última pesquisa feita antes do segundo turno, Bolsonaro tinha 44% das intenções de voto, contra 39% de Lula, o que representaria 52% a 48% em votos válidos. Lula, no entanto, foi eleito com 50,9%, contra 49,1% de Jair Bolsonaro.
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