DECEMBER 9, 2022

Pacheco embola o jogo!

A indefinição quanto à possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas deixa as articulações políticas em suspense no estado

A cúpula do PT classifica a movimentação “Lulécio II” como ‘esdrúxula’ nos bastidores. Três lideranças da sigla foram taxativas ao afirmar que isso não será aceito. Por outro lado, o partido sabe que depende de Pacheco para Lula ter um palanque no segundo maior colégio eleitoral do País. No Estado, a esquerda não tem força nem nomes, enquanto na direita sobram políticos em ascensão e propostas de renovação de quadros. Ciente do cenário, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), responsável pela articulação política do governo, adota publicamente um tom mais ponderado. Num café com jornalistas em Brasília-DF, ele foi perguntado sobre essa eventual chapa. Evitou ser taxativo. Disse apenas que tudo vai depender das condições impostas por Pacheco.

 

 

O ex-governador de Minas,  Aécio Neves, quando é abordado sobre o assunto, não descarta a possibilidade de formar chapa com Pacheco para disputar o Senado, mesmo sabendo que isso significa uma aliança com Lula. Aos mais próximos, o tucano lembra que, embora PSDB e PT sejam adversários históricos, quando ele era governador, teve boa relação com o presidente nos primeiros mandatos do petista. Entretanto, avisa que não participará de eventos ou subirá no palanque com Lula. Nem que “a vaca tussa”. Ou que Jesus volte à terra. Quando Aécio foi eleito e reeleito ao governo de Minas, em 2002 e 2006, o pleito no Estado foi marcado pelo fenômeno “Lulécio”. Mas era uma situação bem diferente da negociação atual. Na época, os eleitores mineiros optavam por Lula e Aécio de forma pragmática, enquanto ambos eram adversários diretos. Já a articulação atual prevê uma eventual união formal de chapas.

Fontes do Planalto, por sua vez, confirmam que ele teve vários encontros recentes com Aécio para tratar da eleição em Minas neste ano. Foram pelo menos quatro conversas presenciais. Mas alegam que, até o momento, o diálogo foca nas disputas de deputados. Ressaltam, também, que o senador ainda não decidiu se disputará o governo mineiro e há outros imbróglios políticos aguardando desfecho, como a eleição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Por sinal a sabatina de Messias foi remarcada para o próximo dia 29 de abril. Pacheco almejava essa vaga. Mas Lula e o Planalto já deixaram claro ao senador que precisam dele no palanque em Minas. Ou seja, mesmo se Messias for rejeitado, o congressista não será o nome indicado; salvo se a mineira Carmem Lúcia se aposentar e deixar a vaga de bandeja para Pacheco. Para viabilizar o arranjo político em Minas, Pacheco deu o primeiro passo. Trocou o PSD pelo PSB, uma vez que o PSD oficializou o projeto de reeleição do governador de Minas, Mateus Simões.

A indefinição de Rodrigo Pacheco, sobre ser ou não candidato ao governo, trava também as movimentações de outros pré-candidatos. Enquanto faltam nomes na esquerda, a direita tem opções demais. Os nomes de centro são avaliados para compor como vice-governador e também na disputa ao Senado. Não há, portanto, nenhuma chapa definida até o momento. E de acordo com as pesquisas mais recentes (AtlasIntel/Abril 2026), o cenário para o governo está acirrado. Cleitinho (Republicanos): 32,7%; Rodrigo Pacheco (PSB): 28,6%; Alexandre Kalil (PDT): 11,7%; Mateus Simões (PSD): 6,2%.

No cenário para o Senado, Aécio Neves aparece com 26,1% das intenções de voto (Paraná Pesquisas/Março 2026), disputando a liderança com Carlos Viana (32,2%) e Marília Campos (25,7%). Nesse tabuleiro, nomes como o presidente do PL mineiro, deputado Domingos SávioFlávio Roscoe (ex-Fiemg), Luís Eduardo Falcão (ex-prefeito de Patos de Minas) e o ex-secretário Marcelo Aro também buscam espaço, seja para vaga de vice ou para tentar o Senado. Ou seja, a sucessão mineira permanece mais embolada e complicada do que nunca. Todos à espera da decisão de Rodrigo Pacheco e do seu forte grupo político.

 

Gustavo Mameluque. Jornalista. Correspondente do L’ Osservatore Romano para o Brasil.

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