DECEMBER 9, 2022

Início do começo do princípio!

A formação dos palanques chega à fase das definições

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) avançam na formação dos palanques estaduais. O PT avançou nesta definição nas últimas semanas e caminha para ter candidaturas próprias ao governo em apenas dez unidades da federação – o número é inferior a 2022, quando a legenda teve 13 candidatos a governador, e a 2018, quando foram 16.

 

 

Em outros 14 estados, o partido vai apoiar candidatos a governador de outras legendas. Estão previstas alianças de nomes do PSB e PDT, que fazem parte da base de Lula, além de candidatos do MDB, PSD, PP e até União Brasil, partidos que dificilmente estarão no palanque oficial do presidente. Parte das alianças deixou cicatrizes na relação entre a cúpula nacional do PT e líderes locais. Foi o caso do Rio Grande do Sul, onde a Comissão Executiva do PT deu um ultimato ao diretório estadual para apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo. O PT gaúcho defendia o ex-deputado estadual Edegar Pretto para disputar o Palácio do Piratini. No começo do mês, o diretório local aceitou apoiar o PDT em prol da unidade. Mas a decisão de cima para baixo deixou um rastro de descontentamento entre os petistas gaúchos. O Rio Grande do Sul foi um dos três estados nos quais o PDT pediu o apoio do PT para entrar formalmente na aliança nacional lulista. Os outros são o Paraná, onde o PT já fechou uma aliança com Requião Filho (PDT), e Minas Gerais, estado onde a negociação tende a ser mais difícil.

O PDT defende a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas o presidente Lula tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB no fim da janela partidária, a concorrer ao governo mineiro. Um dos principais aliados do PT nos estados será o PSD, partido que confirmou a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado ao Planalto. O PT deve apoiar candidatos da legenda no Rio de Janeiro, Mato Grosso e Amazonas.

Também há a possibilidade de aliança com o PSD em Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri endossa a reeleição de Lula.

Em outros estados do Nordeste, o PT trabalha para ter mais de um palanque apoiando o presidente. É o caso da Paraíba, onde o partido selou apoio à reeleição de Lucas Ribeiro (PP), mas atua para ter Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa, no palanque do presidente Lula.

O cenário é semelhante em Pernambuco. A despeito do apoio formal do PT a João Campos (PSB), a cúpula do partido trabalha para que o presidente também seja apoiado pela governadora Raquel Lyra (PSD).

Os palanques seguem indefinidos em Goiás e no Tocantins, onde há dúvidas sobre lançar ou não candidato, e Maranhão, onde há um racha do PT com o governador Carlos Brandão (sem partido). O PL vive um cenário de maior indefinição na construção dos palanques para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. O partido colocou como meta lançar ao menos uma candidatura ao governo ou Senado em todos os 26 estados e no Distrito Federal. A sigla tem pré-candidatos a governador em 12 estados, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2022, quando Jair Bolsonaro disputou a reeleição para a Presidência, foram 13 candidatos. Nas últimas semanas, o PL buscou reforçar sua presença no Nordeste com a filiação de Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, e do senador Efraim Filho, que deixou o União Brasil para concorrer ao Governo da Paraíba.

Também estão encaminhadas alianças com outros partidos em seis estados e no Distrito Federal. Cinco deles são da federação entre União Brasil e PP, legendas que Flávio Bolsonaro trabalha para trazer para o seu arco de alianças.

Na Bahia, ao contrário de 2022, a legenda fechou uma aliança com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Mas a chapa enfrenta atritos e não deve caminhar unida na eleição presidencial.

ACM Neto tem endossado Ronaldo Caiado, de quem é amigo, em uma estratégia que busca blindá-lo da rejeição ao bolsonarismo na Bahia. Já os candidatos ao Senado da chapa, o ex-ministro João Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos), estarão no palanque de Flávio.

Os acordos e formação de frente estão apenas começando. Como dizia Ricuppero: “É somente o início, do começo, do princípio”. Kassab que o diga!!!

 

Gustavo Mameluque. Jornalista. Especialista em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro.

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