DECEMBER 9, 2022

IFNMG-Campus Salinas terá novo centro certificador de cachaça de Minas Gerais

Reconhecida como capital nacional da cachaça, Salinas ocupa posição de destaque na produção artesanal da bebida. A região de Salinas conta com uma produção superior a 13,5 milhões de litros da bebida por ano

O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG)-Campus Salinas vai sediar o terceiro Centro de Referência em Pesquisa e Desenvolvimento voltado à análise e certificação da cachaça em Minas Gerais. A iniciativa, anunciada em fevereiro, prevê investimento de R$ 780 mil do Governo de Minas Gerais para a estruturação e modernização do laboratório de análises físico-químicas da instituição.

Os recursos são provenientes da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e serão aplicados na aquisição de equipamentos, insumos, reagentes e na concessão de bolsas de pesquisa. O objetivo é fortalecer o apoio técnico e científico à cadeia produtiva da cachaça artesanal do Norte de Minas.

Com o novo centro de referência, o IFNMG-Campus Salinas passará a integrar a rede de laboratórios certificadores da bebida no estado, ao lado das unidades existentes em Lavras e Florestal, consolidando Minas Gerais como referência nacional em pesquisa e desenvolvimento da cachaça. Atualmente, segundo dados do governo de Minas, o estado responde por quase 40% dos estabelecimentos produtores de cachaça de alambique do Brasil.

Tradição e ciência

Reconhecida como capital nacional da cachaça, Salinas ocupa posição de destaque na produção artesanal da bebida. A região de Salinas conta com uma produção superior a 13,5 milhões de litros da bebida por ano.

Com o novo Centro de Referência em Qualidade da Cachaça, a tradição regional passa a contar com ainda mais apoio científico e tecnológico. Para o professor Felipe Cimino Duarte, coordenador da pós-graduação em Produção de Cachaça do IFNMG-Campus Salinas e coordenador do projeto, a iniciativa representa um avanço importante para o desenvolvimento regional. “A ausência de um suporte laboratorial acessível, eficiente e público dificulta a regularização, encarece processos e limita o acesso dos produtores a novos mercados. O que estamos propondo é política pública aplicada com base científica, fortalecendo o IFNMG como polo estratégico de apoio técnico à cadeia produtiva da cachaça”, afirma.

Segundo ele, a proposta busca ampliar o acesso dos produtores às análises técnicas exigidas pela legislação, contribuindo para reduzir a informalidade e aumentar a competitividade do setor. “Nossa ideia é realizar as análises, certificar que elas estejam dentro do padrão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e envolver estudantes em atividades de pesquisa, extensão e consultoria junto aos produtores”, explica.

Fortalecimento da cadeia produtiva

Para o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Bruno Araújo, a criação da rede de laboratórios certificadores no estado representa um avanço estratégico para o setor. “Minas Gerais é o estado com o maior número de produtores de cachaça do Brasil e também tem alguns dos melhores pesquisadores da área. Estamos unindo quem produz com quem pesquisa para fortalecer essa cadeia produtiva”, afirma.

O subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Lucas Mendes, também destacou o impacto da iniciativa para produtores e consumidores. “Agora temos três estruturas dedicadas à análise da cachaça em Minas Gerais, permitindo que os produtores tenham certificação e qualidade, enquanto os consumidores recebem um produto ainda melhor”, disse.

Apoio aos produtores

Após a implantação do projeto, o laboratório do IFNMG-Campus Salinas permitirá a realização de análises físico-químicas fundamentais para a certificação da cachaça, exigidas para comercialização do produto. Trata-se de monitorar parâmetros de qualidade e conformidade legal. Entre os parâmetros avaliados, estão a concentração de álcool, presença de ésteres, aldeídos e possíveis contaminantes, como excesso de cobre e carbamato de etila — substância potencialmente cancerígena cuja análise tem sido destaque em pesquisas recentes. Além de garantir segurança sanitária e qualidade do produto, o laboratório permitirá orientar os produtores sobre adequações necessárias para atender às normas legais.

Os bolsistas vinculados ao projeto também atuarão diretamente na cadeia produtiva, realizando atividades como coleta de amostras nas propriedades, análises laboratoriais e elaboração de laudos técnicos, com acompanhamento de professores das áreas de química e engenharia de alimentos.

Redução de custos e certificação

Atualmente, muitos produtores da região precisam enviar amostras para laboratórios em outras cidades para realizar as análises obrigatórias, o que encarece o processo. De acordo com Jean Enrique, presidente da Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), a chegada do centro certificador à cidade representará um avanço significativo. “Hoje as análises são enviadas para Belo Horizonte, Lavras ou Florestal. Com o laboratório aqui, além de reduzir custos, os produtores poderão acompanhar mais de perto as análises e fazer adequações no produto”, destaca.

Segundo ele, o custo do envio das amostras pode representar até 30% do valor da análise, o que muitas vezes limita a frequência com que os produtores realizam esse procedimento. Com a possibilidade de realizar as análises na região, além de baixar o custo, haverá ganho de qualidade para o produto. “A gente vai poder fazer mais análises para poder, de fato, ter um produto mais bem elaborado, dentro das normas”, afirma.

A Apacs reúne atualmente 27 produtores, responsáveis por mais de 50 marcas e cerca de 100 rótulos de cachaça, produzidos em municípios da região. A região de Salinas é formada também pelos municípios de Fruta de Leite, Novorizonte, Rubelita, Taiobeiras e Santa Cruz de Salinas.

A produção regional é caracterizada principalmente por pequenos produtores que combinam tradição, conhecimento transmitido entre gerações e as condições naturais da região para produzir cachaças reconhecidas nacionalmente.

Formação de profissionais e inovação

Além do impacto direto na cadeia produtiva, o laboratório também ampliará as oportunidades de formação acadêmica no IFNMG-Campus Salinas. Com a modernização da estrutura, estudantes de cursos técnicos, de graduação e da pós-graduação poderão participar de projetos de pesquisa e extensão voltados à qualidade da cachaça e ao desenvolvimento da agroindústria artesanal.

Para o professor Felipe Duarte, o projeto representa um investimento que vai além da aquisição de equipamentos. “Trata-se de investimento em território, em conhecimento e em gente. É valorizar a cachaça não apenas como produto, mas como patrimônio cultural, identidade regional e vetor de desenvolvimento”, destaca.

Anexo: Foto do IFNMG-Campus Salinas (Fachada)

Crédito: Divulgação IFNMG

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