Nesta semana, a sucessão mineira tomou caminhos jamais imaginados por qualquer articulista ou cientista político. Os jornalistas da capital e interior estão de cabelo em pé. São muitas reviravoltas e notícias de bastidores. O presidente Lula disse em alto e bom tom que “ainda não desistiu de Rodrigo Pacheco”. O PSD mineiro foi para as mãos de Rodrigo de Castro, afinado com Geraldo Kassab. Esta movimentação preocupou o pré-candidato Mateus Simões, filiado ao PSD e também ao secretário Marcelo Aro, pré-candidato ao Senado. Por fim, a anunciada ida do deputado federal Marcelo Freitas para o PL pode forçar a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira ao Governo de Minas. Pesquisa Real Time Big Data publicada semana passada traz o seguinte cenário, ainda sem a presença de Nikolas nos questionários: o senador Cleitinho (Republicanos) é o favorito para substituir Romeu Zema (Novo) como governador de Minas Gerais a partir de 2027. Vejam os números da pesquisa: Cleitinho (Republicanos) –> 38%; Alexandre Kalil (PDT) –> 18%; Mateus Simões (PSD) –> 9%; Gabriel Azevedo (MDB) –> 4%; Nulo/Branco –> 11% (pesquisa encomendada pela revista Carta Capital).
O atual cenário da disputa ao governo de Minas segue indefinido, a oito meses das eleições, e o União Brasil coloca os olhos sobre um personagem marcante da política mineira atual: o secretário de Governo de Romeu Zema, ex-secretário da Casa Civil, Marcelo Aro (PP). A legenda comandada por Antônio de Rueda se articula na tentativa de convencer um dos braços fortes do atual governador a alçar voos maiores: desistir da pré-candidatura ao Senado e buscar a sucessão no Palácio da Liberdade.
O vice-governador Mateus Simões (PSD) é o nome defendido por Zema e o primeiro a se lançar abertamente para a disputa. Até então, os dois, Aro e Simões, estão juntos na mesma chapa, com apoio do União Brasil, que é federado ao PP, partido do secretário. Marcelo Aro, sempre que pode, jura fidelidade ao governador Zema e ao vice Mateus Simões. E o vice-governador confia plenamente que Marcelo não abadonará a disputa pelo Senado para concorrer ao governo de Minas.
Mas apesar de todo o protagonismo que Romeu Zema vem dando ao vice-governador, a pré-candidatura de Simões ainda não deslanchou, e ele vem ocupando os últimos lugares entre os nomes testados até então, em todas as pesquisas até agora registradas e publicadas, Quaest e demais.
O senador Cleitinho (Republicanos), que aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, tem indicado que não deseja ser candidato ao governo de Minas. Nos últimos meses, evitou falar sobre eleições e afirmou que somente em março divulgaria a sua decisão. Entretanto, nesta terça-feira (3/2), no Senado Federal, pediu “um tempo” aos políticos e à imprensa, anunciando que vai se dedicar a cuidar do irmão caçula, que está com leucemia.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD), nome defendido pelo presidente Lula (PT), também parece não estar interessado nas eleições em Minas. O ex-presidente do Congresso Nacional não bateu o martelo sobre seu futuro nem atendeu ainda o pedido de Lula. Mas interlocutores na política não acreditam na possibilidade de candidatura ao governo. O senador teria se frustrado por não ter sido indicado pelo presidente à vaga de Luís Roberto Barroso ao STF. Nos bastidores, pensa em indicar o nome do ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, para disputar a vaga por um dos partidos da base do governo federal. De qualquer forma, ainda há a possibilidade de Pacheco deixar o PSD e ir para o União Brasil, podendo concorrer ao governo. Nesse caso, uma eventual candidatura de Marcelo Aro não se viabilizaria na federação.
Outro nome que tem se colocado na disputa em Minas é o do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que tem ficado mais calado enquanto o cenário se define. Kalil tentou o governo do estado em 2022 e perdeu no primeiro turno para Romeu Zema. Uma possibilidade ainda em negociação é que venha construir uma aliança com o presidente Lula.
Também está no páreo até então o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), que lançou a pré-candidatura e tem pretensões de tentar a Prefeitura de BH em 2028. A presença dele na campanha se daria como vitrine para o projeto de prefeito.
Diante desse cenário em Minas, uma grande aliança de PP, União Brasil, Republicanos e até do PL poderia deixar o vice-governador isolado. A ideia em debate nos bastidores seria Marcelo Aro encabeçar a chapa, o União Brasil indicar o vice, PL e Republicanos entrarem com as indicações ao Senado.
Por fim, para embolar tudo de vez, o espectro conservador mineiro empurra o jovem deputado campeão de votos, Nikolas Ferreira, para também entrar na disputa ao Palácio da Liberdade. Serão muitas emoções até abril.
Gustavo Mameluque. Jornalista. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Colaborador do Novo JN e da revista tempo.
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