A inflação em Montes Claros permaneceu estável de outubro (0,22%) para novembro (0,21%). É o que mostra a pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Com esse resultado, o acumulado do Índice de Preços ao Consumidor do Município de Montes Claros (IPC Moc) no ano é de 5,25%.
A professora Vânia Vilas Boas, que segue à frente da pesquisa, destaca que, no período, houve “certo equilíbrio entre grupos que pressionaram a inflação e setores que apresentaram queda nos preços, como os grupos Vestuário, Artigos de Residência, Saúde e Cuidados Pessoais e Educação”. Segundo ela, as variações negativas ocorreram sobretudo em função da Black Friday, que oficialmente acontece na última sexta-feira de novembro. Por outro lado, os grupos Alimentação e Transporte registraram aumentos. No caso dos Transportes, a aceleração deveu-se a reajustes nos preços dos combustíveis.
Grupos
O Grupo Alimentação, que tem o maior peso (29,4700) na composição do orçamento doméstico, apresentou variação positiva de 0,27% e contribuiu com 0,08% para o resultado final do IPC Moc. Os produtos que mais aumentaram de preço foram: pão de queijo (2,88%), biscoito (2,19%), bombons/balas (2,02%), farináceo (1,80%), achocolatados (1,80%), maisena (1,37%), bolo (1,36%), geleia de frutas (1,32%) e creme de leite (1,27%); abacate (52,08%), banana-maçã (3,19%), mamão (11,08%), cebola seca (10,88%), mexerica/tangerina (10,67%), pera (9,69%), kiwi (7,08%), banana-prata (7,00%), goiaba (6,66%) e batata-doce (5,90%).
Já entre os itens que ficaram mais baratos estão: presunto (-2,47%), banha fresca (-2,29%), óleo de oliva (-2,23%), leite longa vida (-1,94%), coco ralado (-1,85%), iogurte (-1,73%), massa de tomate (-1,61%), margarina (-1,58%), catchup (-1,57%), azeitona em vidro (-1,46%), café (-1,39%); morango (-2,38%), berinjela (-0,96%), chuchu (-31,98%), limão (-12,97%), abacaxi (-11,33%), pepino (-10,70%), abóbora (-9,68%), cenoura (-9,44%), uva (-8,46%), brócolis (-8,26%), tomate (-8,13%), manga (-8,03%), alho (-7,07%), maracujá (-6,41%), ameixa (-5,03%), cará/inhame (-4,74%), quiabo (-4,28%), repolho (-3,89%), coco verde e seco (-3,36%), jiló (-3,29%), melancia (-3,23%), vagem (-2,89%), melão (-2,58%), arroz (-3,35%) e ovos (-1,88%).
O Grupo Habitação, com peso de 21,2500, apresentou variação positiva de 0,60% e colaborou com 0,13% para o resultado final do índice. As principais variações positivas ocorreram em aluguel do imóvel (0,27%), pano de chão (1,53%), alvejante (0,98%), ferro (3,00%), cimento (1,86%), cano PVC (1,85%), cadeado (1,79%), padrão de luz (1,67%), janela (1,21%) e esquadrias (0,89%). Já as variações negativas ocorreram com verniz (-8,47%), revestimento (-7,36%), lâmpadas (-7,30%), tanque (-6,56%), pilha (-2,53%), pá de lixo (-1,61%), sabão em pó (-0,92%) e escova para roupa (-0,89%).
O Grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, que tem peso de 5,2400, apresentou variação negativa de -1,37% e contribuiu com -0,07% para o resultado final do índice. As principais variações positivas foram teclado (5,94%), antena parabólica (2,08%) e cama de solteiro (2,42%). Já as variações negativas incluíram liquidificador (-15,41%), aspirador de pó (-13,87%), batedeira de bolo (-12,94%), circulador de ar/ar-condicionado (-12,31%), cafeteira (-12,30%), secadora de roupas (-12,27%), impressora (-9,82%) e freezer (-8,31%).
O Grupo Saúde e Cuidados Pessoais, que apresenta peso de 9,7400, registrou variação negativa de -0,07% e colaborou com -0,01% para o resultado final do índice. Entre as principais variações positivas estão antitérmico (2,00%), colesterol (1,35%), papel higiênico (6,17%), óleo para cabelo (4,10%), bronzeador (4,03%), mamadeira (3,40%), manteiga de cacau (3,00%) e absorvente (2,56%). Já apresentaram queda de preços antidepressivo (-6,17%), anticoncepcional (-5,60%), digestivo (-4,50%), anti-inflamatório (-4,06%) e hipertensivos (-4,02%).
O Grupo Transportes e Comunicação, cujo peso é de 19,6200, apresentou variação positiva de 1,08%. O Grupo Vestuário, que representa peso de 5,9800, obteve variação negativa de -1,76% e contribuiu com -0,11% para o resultado final do índice. Já o Grupo Educação e Despesas Pessoais, com peso de 8,7000, apresentou variação negativa de -0,22% e contribuiu com -0,02% para o resultado final do índice.
IPC Moc
O IPC Moc é o indicador da evolução do custo de vida das famílias montes-clarenses, calculado desde 1982, com o objetivo de medir a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes das despesas habituais de famílias com nível de renda entre um e seis salários mínimos mensais.
O objetivo é medir, ao longo do tempo, o nível geral de produtos, bens ou serviços no varejo. A metodologia de cálculo consiste na comparação dos preços médios do mês atual com os preços médios do mês imediatamente anterior. Os preços são pesquisados por uma equipe de seis coletadores, todos acadêmicos do curso de Economia da Unimontes, que visitam 400 estabelecimentos varejistas na cidade.
Cesta básica
Os preços dos gêneros básicos que compõem a Ração Essencial Mínima (cesta básica) registraram variação negativa de -3,13% em novembro. Isso significa que um trabalhador local, com renda bruta de um salário mínimo, cujo valor é de R$ 1.518, utilizou 36,43% de seu ganho para a compra dos 13 produtos da cesta básica. Esses alimentos custaram R$ 553,06, contra R$ 570,94 no mês anterior.
Vânia Vilas Boas explica que a queda de preços da cesta básica, em novembro, ocorreu especialmente em função de produtos como tomate, arroz, café e banana-caturra, entre outros, que ficaram mais baratos.
Após a aquisição da cesta básica, restaram ao trabalhador R$ 964,94 para as demais despesas, como moradia, saúde e higiene, serviços pessoais, lazer, vestuário e transporte. O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em novembro foi de 97 horas e 55 minutos, contra 102 horas e 57 minutos em outubro.
As informações utilizadas para o cálculo da cesta básica de Montes Claros têm como fonte a base de dados da pesquisa mensal de preços ao consumidor. As variações negativas foram observadas nos seguintes produtos: tomate (-18,38%), banana-caturra (-5,66%), arroz (-3,43%), café (-1,41%), açúcar (-1,29%), margarina (-1,18%) e feijão (-1,14%). Por outro lado, apenas a batata inglesa registrou variação positiva no mês, com índice de 3,37%. A carne bovina, o leite tipo C, a farinha de mandioca, o pão de sal e o óleo de soja mantiveram os preços estáveis em relação ao mês anterior.
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