DECEMBER 9, 2022

GUSTAVO MAMELUQUE: A Indecisa “ Classe média”

Gustavo Mameluque. Jornalista. Crítico de arte. Especialista em administração pública pela Fundação João Pinheiro. MG.

Montes Claros. Foto: Solon Queiroz

 

 

Veja o que propõe o Sociólogo Bolivar Lamounier: “ contatar 1 milhão de cidadãos sérios para que eles multipliquem esse esforço, identificando o maior número possível de pessoas igualmente sérias, atiladas, corajosas, competentes e com vocação de liderança. A ideia é motivar essas pessoas a se candidatarem a deputado federal e, onde for realista, a senador. Penso que um esforço dessa envergadura há de eleger um número suficiente, pelo menos, para modificar o “clima” que tem prevalecido na Câmara federal. É pouco? Sim, é pouquíssimo. Mas é melhor do que nada, e muito melhor que permanecer de cabeça baixa.”

 

Essa convocação não parte de um vazio. Parte de uma base: um esboço de programa de governo, fundado em cinco pontos fundamentais . Aos que estiverem de acordo com ele, ou pelo menos que o considerem digno de debate, peço compartilhá-lo com conhecidos, amigos, parentes e instituições. Aos que não estiverem de acordo, apelo a que proponham outro. Ou que aperfeiçoem este.

 

Lamounier propõe o seguinte programa para os futuros candidatos: Crescimento com abertura e produtividade: reinserir o Brasil nas cadeias globais de valor com acordos comerciais estratégicos, redução de barreiras tarifárias e estímulo à exportação de bens industriais e serviços. Reformar o sistema tributário para simplificar e premiar o investimento produtivo. Promover políticas de concorrência e inovação tecnológica como motores do crescimento; Responsabilidade fiscal com qualidade do gasto público: consolidar o equilíbrio das contas públicas, com foco no controle da dívida e na previsibilidade de regras fiscais. Substituir gastos ineficientes por investimentos em capital humano, infraestrutura e segurança pública. Fortalecer mecanismos de avaliação e transparência na gestão pública; Educação e primeira infância como prioridades nacionais: universalizar o acesso à creche de qualidade e à pré-escola. Melhorar a formação e remuneração de professores.

 

Criar incentivos federais para que Estados e municípios avancem em alfabetização na idade certa e combate à evasão no ensino médio; Transição ecológica e reindustrialização verde: tornar o Brasil líder global em energias renováveis, descarbonização da agropecuária e produção de insumos verdes. Criar uma nova política industrial voltada para cadeias produtivas de baixo carbono, com crédito, P&D e parcerias público-privadas; Redução da desigualdade com oportunidades e proteção social eficaz: aprimorar o programa de transferência de renda com foco em condicionalidades e emancipação. Ampliar a cobertura do seguro-desemprego e da Previdência para trabalhadores informais. Estimular o emprego com políticas ativas de inserção no mercado de trabalho, especialmente para jovens e mulheres.

 

Feita essa contribuição , vem a pergunta-chave: quem poderá liderar uma transformação dessa ordem? Os nomes que logo vêm à nossa mente talvez possam. Ou não. Observe-se que essa perspectiva tem como pano de fundo um quadro mundial incerto e imprevisível. Seria um nome mais à esquerda ou um nome mais à direita. Um nome da atual situação ou um nome da oposição. Ou um “ outsider” que se apresentaria como o anti-sistema. Tal qual Leonel Brizola : “ Sou contra tudo que ai está !!!”.

 

O grande omisso político de nossa sociedade são as camadas genericamente designadas como “classe média”. Daqueles cinco ou seis por cento que compõem a ultraelite econômica, que detêm metade da riqueza e da renda, não me parece que devamos esperar algo útil. Na outra ponta, seria puro humor negro esperar um protagonismo importante dos 50% que mal sabem como vão se alimentar amanhã.

 

Da classe média indecisa  somos forçados a esperar muito, mas o fato é que pouco ou nada sabemos sobre ela. É homogênea no tocante a valores políticos? Tem sequer uma tênue consciência da importante mudança para melhor que poderia propiciar ao País ou do desastre em proporções porteñas a que poderá ser levada (a primeira classe também cai) se optar ad aeternum pela preguiça e pela mediocridade? E esta hoje indecisa classe média pode decidir a próxima eleição presidencial de 2026.

 

 

Compartilhe:

Notícias Relacionadas

Cidade Entretenimento Montes Claros

Compras digitais avançam, mas consumidor permanece mais tempo nos shoppings

Cidade Montes Claros Sociedade

THEODOMIRO PAULINO

Cidade Legislação Montes Claros poder público municipal Política

Vereadores cobram renovação da frota e melhorias no transporte público