DECEMBER 9, 2022

Presunto produzido a partir de raça suína criada na UFMG em campus Montes Claros vence concurso nacional de cárneos

O presunto cru do porco do cerrado ficou em primeiro lugar no Concurso Nacional da Qualidade de Cárneos

Porco do cerrado . Foto: Ana Cláudia Mendes / UFMG

A produção artesanal de embutidos no Norte de Minas conquistou um feito importante no mês de novembro. O presunto do porco do cerrado produzido pela Charcutaria Sagrada Família, em Montes Claros, ficou em primeiro lugar,  na categoria presunto cru, no 1º Concurso Nacional da Qualidade de Cárneos, realizado dentro do 1º Congresso Nacional de Serviços de Inspeção Municipal (CONASIM 2025). O evento  que ocorreu em Guarapari, Espírito Santo, reuniu especialistas, gestores públicos e produtores de diversas regiões do país. O corpo de jurados avaliou os produtos às cegas, analisando estrutura, textura, aroma e sabor sem saber quem era o produtor. A cerimônia oficial de premiação foi no dia 14 de novembro de 2025, durante o encerramento do congresso.

A charcutaria Sagrada Família, que está no mercado há cerca de 10 anos, tem uma parceria com o Núcleo de Estudos em Produção de Suínos da UFMG Montes Claros (NEPSUI) , responsável pela criação do porco do cerrado. A raça é resultado do cruzamento do macho da raça Duroc com a fêmea Piau. “O projeto (do porco do cerrado) iniciou há 12 anos, quando o objetivo primário era desenvolver uma raça que pudesse primeiro se adaptar dentro de um contexto de clima cerrado e semiárido, mas que também apresentasse características associadas como qualidade da carne, que permitisse melhores rendimentos, como carne com marmoreio, carne com uma coloração dentro dos padrões, assim como também permitissem o desenvolvimento de produtos curados, produtos mais elaborados, assim também como a carne in natura de qualidade” explica o  coordenador do NEPSUI, professor Bruno Silva.

O empresário Ugo Borges, proprietário da charcutaria, afirma que os diferenciais da carne do porco do cerrado foram percebidos logo no início dos testes. “A carcaça tem uma conformação bem distinta. O animal desenvolve uma camada de gordura mais espessa e estável, que protege a peça durante a cura e garante uma perda de umidade lenta e contínua. Isso permite maturações longas de 18 e até 24 meses com segurança e com ganho de complexidade sensorial. É uma carne que responde muito bem ao tempo”. 

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