O câncer de próstata é um problema cultural. Por mais que haja um esforço para que alertas e informações cheguem ao público-alvo, como a realização da campanha “Novembro Azul”, o tabu permanece: para evitar a manipulação do reto, por onde é feito o exame de toque, os homens adiam ao máximo a ida ao consultório. E, quando decidem ir, pode ser tarde demais.
“Ainda existe muito tabu sobre o exame de próstata, sobre a saúde do homem em si. Ele tem uma dificuldade grande de se sentir frágil, né? Então ele foge de diagnósticos, não só de próstata, mas de um modo geral, como os problemas cardíacos, por exemplo. Ao não fazer o exame, a intenção é justamente não descobrir o problema”, lamenta o urologista Sérgio Rametta.
Esse adiamento, explica o médico da Afya Montes Claros, se deve às próprias características da doença, que evolui lentamente, “não sendo agressiva ao ponto de (provocar) uma morte rápida”. Apesar disso, o alto índice de morte se dá pela conjunção de ser extremamente frequente em homens, especialmente os acima de 65 anos, e a não procura de atendimento médico.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima 71.730 novos diagnósticos por ano entre 2023 e 2025, o que faz dele o tipo de câncer mais incidente entre homens, excluindo os de pele não melanoma, e o segundo que mais mata no país, com mais de 16 mil mortes apenas em 2021. “A gente acaba diagnosticando doenças mais graves em situações onde a cura já tem condições de ser atingida com sucesso”, registra Rametta.
Se já não bastasse o grande tabu em torno do exame de toque, que não passa de alguns minutos, os Estados Unidos resolveram não indicar mais, há cerca de dez anos, os exames de rastreamento. Isso porque uma anormalidade na próstata pode não determinar um câncer futuramente, além do fato de ela se desenvolver lentamente, de maneira silenciosa.
“Estudos atuais estão mostrando que, se antes eles diagnosticavam doenças em estágio mais inicial, agora houve um aumento importante do diagnóstico de doenças em fases mais tardias, necessitando de um tratamento mais agressivo. É importante fazer esse diagnóstico de forma precoce para aumentar a chance de cura e diminuir essa morte por câncer de próstata”, diz Rametta.
Para o urologista André Coelho, “um bom medidor para a realização do exame de próstata é basicamente a iniciativa daquela pessoa em cuidar bem da sua saúde, não focando apenas na avaliação da próstata, mas como um cuidado global de saúde. Ele é indicado para todo homem a partir dos 40 anos. Caso tenha alguma alteração, o processo poderá ser conduzido da maneira mais clara, prática e objetiva possível”.
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