DECEMBER 9, 2022

GUSTAVO MAMELUQUE: CAMPANHA PELA REELEIÇÃO

Gustavo Mameluque é Jornalista. Crítico de Arte. Correspondente do L’ Oservatore Romano para o Brasil. Especialista em administração pública pela Fundação João Pinheiro. gustavomameluque@gmail.com      

Congresso Nacional (Foto: Reprodução/guiamelhoresdestinos)

 

Enquanto o campo da direita ainda não definiu quem será o candidato a Presidente em 2026, e muito menos as forças de centro, o novo  ministro da Secretaria Geral da Presidência, o Deputado de esquerda Guilherme Boulos chega para ser uma espécie de coordenador informal da campanha de Lula. Presidente anunciou nome do novo chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República nesta segunda-feira . Lula escolheu Guilherme Boulos para ser ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, pasta responsável pela interlocução com a sociedade civil. Segundo aliados de Boulos e fontes palacianas, o novo ministro recebeu do presidente três tarefas centrais: “colocar o governo na rua”; melhorar a relação com trabalhadores de apps e mobilizar a base pelo fim da escala 6×1. Por outro lado, a avaliação de dirigentes de partidos de centro é que Boulos tem uma imagem de radical de esquerda.

 

Nos próximos dias, Boulos e sua equipe irão se reunir com os atuais integrantes da Secretaria-Geral, incluindo o ex-titular da pasta, Márcio Macêdo. Lula anuncia Guilherme Boulos como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Por outro lado, a avaliação de dirigentes de partidos de centro é que Boulos tem uma imagem de radical de esquerda e isso pode afastar Lula de eleitores que não estão na base petista.

 

Nos próximos dias, Boulos e sua equipe irão se reunir com os atuais integrantes da Secretaria-Geral, incluindo o ex-titular da pasta, Márcio Macêdo, que passará a se dedicar a construir sua candidatura a deputado federal por Sergipe. Na transição, Boulos irá definir quais ações serão mantidas e quais serão encerradas. O novo ministro também montará a nova equipe.

 

Segundo auxiliares de Boulos, a ideia é compor o quadro do ministério de forma plural, com figuras que atuam com o psolista na Frente Povo Sem Medo e no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) — duas organizações lideradas por Boulos — mas preservar indicações de outros grupos políticos, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Guilherme Boulos tem antigas e fortes ligações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O que confere uma “ guinada à esquerda” do atual governo. Em detrimento da busca pelo centro. Uma aposta perigosa do Presidente Lula que busca a reeleição em um país dividido. Esta nomeação deixa os ânimos mais acirrados e a conjuntura mais polarizada ainda do que já está.

 

A composição será o primeiro desafio do novo ministro, dada a existência de uma antiga disputa por protagonismo no campo da esquerda entre os movimentos próximos a Boulos e outros que estão na órbita do PT, como o próprio MST.

 

Um dos maiores fracassos do terceiro mandato de Lula foi a proposta de regulamentar a atividade dos trabalhadores de aplicativo. O tema estava entre as prioridades do governo e chegou inclusive a ser tratado em uma declaração conjunta com o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

 

No ano passado, após meses de reuniões com trabalhadores de aplicativos e empresas do setor, o Ministério do Trabalho encaminhou um projeto à Câmara. A recepção foi muito negativa, sobretudo entre os trabalhadores, que viram na medida uma forma de limitar os ganhos dos profissionais, e não de ampliar direitos. O Planalto reconhece que falhou na construção da proposta, especialmente na maneira como a matéria foi comunicada à sociedade. Nos últimos meses, Boulos entrou em cena e passou a articular outro projeto sobre o tema, com abordagem distinta.

 

A proposta garante remuneração mínima, seguro obrigatório e transparência do algoritmo. Em resumo, mantém a flexibilidade, mas garante direitos básicos ao trabalhador de aplicativo. O texto foi construído pelos psolistas com a participação de associações de trabalhadores de aplicativos, principalmente de entregadores. Boulos obteve apoio de deputados de dez partidos diferentes, inclusive de centro-direita. A expectativa é que a matéria seja votada nos próximos meses. Daqui até as eleições, Boulos se dedicará a percorrer todos os estados brasileiros para trabalhar as pautas do governo para as bases. Nesse sentido, o ministro vai atuar como uma extensão da própria figura do presidente, que, pela natureza do cargo, precisa dedicar tempo para outras tarefas internas ou a viagens internacionais.

 

Outra missão de Boulos é popularizar o fim da escala 6×1. A proposta ganhou força num movimento de baixo para cima: foi uma demanda dos próprios trabalhadores, incorporada por alguns influenciadores, que conquistou apoio popular. O Planalto demorou a se engajar no tema, mas nas últimas semanas Lula “abraçou” a pauta, segundo aliados próximos. A aprovação deste tema pode render muitos votos no processo eleitoral de 2026 para o atual presidente.

 

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) tramita na Câmara, mas está longe de ter apoio suficiente para ser aprovada até as eleições do ano que vem. A função de Boulos será mudar a correlação de forças em torno do tema, de modo a transformar a pauta numa bandeira da campanha de Lula em 2026.

 

 

Compartilhe:

Notícias Relacionadas

Pecê Almeida Política

FATOS & DETALHES

Brasil Costumes Entrevista Feminicídio Geral Pesquisa

Em dificuldade para se relacionar com homens, mulheres hétero dizem estar no ‘mapa da fome’

Pecê Almeida Política

FATOS & DETALHES