O acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira (10/10), marcando um momento de alívio e comemoração para os palestinos após um período de intensa guerra que durou cerca de dois anos e causou a morte de mais de 65 mil pessoas, de acordo com autoridades de Gaza.
O pacto, costurado com a mediação dos Estados Unidos (EUA), Catar, Egito e Turquia, é a primeira fase de um plano de paz mais amplo e começou a ser implementado após a aprovação pelo gabinete de segurança de Israel. Em Gaza, a população celebrou a interrupção dos bombardeios, descrevendo a notícia como um “presente dos céus” e um sinal do “fim da guerra”, embora a alegria venha misturada com apreensão sobre o futuro.
Principais Pontos do Acordo
A fase inicial do cessar-fogo prevê medidas cruciais para a desescalada do conflito e assistência humanitária:
- Retirada Parcial de Tropas: Israel iniciou a retirada parcial de suas Forças de Defesa (IDF) de Gaza, recuando para novas linhas de destacamento. As tropas devem manter o controle de cerca de 53% do território no início.
- Libertação de Reféns e Prisioneiros: O acordo inclui a troca de reféns israelenses, incluindo vivos e restos mortais, mantidos pelo Hamas em Gaza, por prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses. A libertação dos reféns deve ocorrer nas primeiras 72 horas após o início da trégua. O Hamas busca a libertação de quase 2 mil prisioneiros.
- Ajuda Humanitária: Um ponto vital é o aumento significativo do fluxo de ajuda humanitária para Gaza, com a previsão de entrada de pelo menos 400 caminhões diariamente, além da abertura da passagem de fronteira com o Egito.
Incertezas e Monitoramento
Apesar do início do cessar-fogo e das comemorações, há ceticismo quanto à paz duradoura. Questões centrais do plano de paz mais amplo, como o desarmamento do Hamas e a governança pós-guerra de Gaza, permanecem sem solução. O Hamas tem rejeitado a ideia de desarmamento.
Para garantir o cumprimento da trégua, os EUA anunciaram o envio de cerca de 200 militares para Israel para “supervisionar e observar” o acordo, sem entrar no território de Gaza.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, saudou o anúncio do acordo, reconhecendo o “importante papel” dos mediadores e exortando as partes a cumprirem os termos.
O cenário em Gaza é de expectativa e cautela. A primeira fase do acordo é vista como um passo histórico, mas o longo caminho para uma paz sustentável no Oriente Médio ainda está longe de ser concluído.
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