PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA
Pesquisas de opinião são fotografias do exato momento em que são feitas, mas costumam revelar tendências. Faltando pouco mais de um ano para as próximas eleições presidenciais e diante da grande turbulência provocada pela família Bolsonaro — que convenceu o presidente dos EUA a sancionar o Brasil com o “tarifaço”, que acabou virando “tarifinha” —, além da aplicação da chamada Lei Magnisty contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, os principais institutos de pesquisa do país foram a campo para medir como a população brasileira está reagindo a tudo isso.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA II
Segundo levantamento da Atlas/Bloomberg — o primeiro após a crise diplomática — realizado entre os dias 25 e 28 de julho, com 7.334 entrevistados, a imagem positiva do presidente Lula (PT) como líder político, que vinha em queda, subiu quatro pontos percentuais: de 47% para 51%. Já a imagem positiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que patrocina as investidas do filho Eduardo Bolsonaro nos EUA contra o Brasil, caiu de 46% para 44%. A imagem negativa de Lula passou de 53% em junho para 48% em julho, enquanto a de Bolsonaro subiu de 53% para 55%.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA III
No que diz respeito à intenção de voto para presidente em 2026, a Atlas/Bloomberg identificou que, nos cenários de primeiro turno, Lula subiu de 44,8% em junho para 48,5% em julho. O principal candidato da direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi de 33% para 34%. Lula apresentou exatamente o mesmo crescimento quando Michele Bolsonaro (PL) substituiu Tarcísio como candidata bolsonarista, enquanto a ex-primeira-dama registrou 29,7% das intenções de voto.
A pesquisa também testou um cenário com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), no lugar de Lula. Em junho, Haddad tinha 33,3% e perdia para Tarcísio, com 34%. Em julho, Haddad subiu para 34,2% e Tarcísio caiu para 33,8%. São variações dentro da margem de erro, mas que indicam recuperação do governo.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA IV
A Atlas/Bloomberg também simulou sete cenários de segundo turno, todos com Lula enfrentando candidatos da direita. Lula lidera em todos os confrontos:
50,4% x 46,8% contra Tarcísio de Freitas
50,6% x 45,9% contra Michele Bolsonaro
50,1% x 46,3% contra Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030
50,7% x 40,6% contra Romeu Zema (Novo)
50,3% x 39,7% contra Ronaldo Caiado (União Brasil)
50,5% x 39,7% contra Ratinho Júnior (PSD)
49,6% x 25,7% contra Eduardo Leite (PSD)
Chama a atenção, exceto no cenário Lula x Eduardo Leite, o baixíssimo número de eleitores indecisos ou que afirmam votar em branco ou nulo.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA V
O instituto Datafolha também foi a campo entre os dias 29 e 30 de julho, ouvindo 2.004 pessoas em 130 cidades. O objetivo foi medir o impacto do “tarifaço/tarifinha” e das sanções de Donald Trump contra Alexandre de Moraes.
À pergunta “Trump está certo ou errado ao pedir que a Justiça brasileira pare o julgamento de Bolsonaro?”, 57% dos entrevistados responderam que ele está errado; 36% disseram que ele está certo; e 7% não souberam ou não opinaram.
Quando questionados se o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo perseguido e injustiçado, 50% disseram que não; 45%, que sim; e 5% não souberam responder.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA VI
O Datafolha também perguntou sobre as medidas cautelares impostas pelo STF a Bolsonaro, que é réu por tentativa de golpe de Estado, entre outras acusações.
Sobre a tornozeleira eletrônica, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, 44% disseram concordar totalmente; 11%, em parte; 32% discordam totalmente; 9% discordam em parte; e 1% não concordam nem discordam. Ou seja, 55% aprovam a medida e 41% rejeitam.
A pesquisa também investigou se os entrevistados acreditam que Bolsonaro pretendia deixar o país antes de ser condenado. Para 55%, ele queria fugir; 36% acham que ele não fugiria; e 10% não souberam responder.
PESQUISAS INDICAM REVIRAVOLTA VII
Sempre repito a frase de Magalhães Pinto, porque ela nunca deixa de ser atual: “política é como nuvem. Uma hora está de um jeito, outra hora está de outro”. Neste momento, a impressão é que o “tarifaço/tarifinha” de Trump e os ataques orquestrados pela família Bolsonaro à economia e à soberania do país acabaram aumentando a popularidade de Lula — e surtindo efeito inverso nos próprios Bolsonaro.
Ainda há muita água para passar debaixo da ponte, mas, na fotografia atual, em um país extremamente polarizado, os movimentos inaceitáveis do governo dos EUA contra a soberania brasileira parecem ter fortalecido politicamente o governo, como já aconteceu em países como Canadá e México, quando Trump tentou interferir em suas políticas internas.
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