DECEMBER 9, 2022

OMS recomenda lenacapavir injetável para prevenção do HIV

As novas diretrizes surgem em um momento crítico, segundo a OMS, com a estagnação nos esforços de prevenção ao HIV no mundo. Ao todo, 1,3 milhão de novas infecções foram registradas no ano passado.

Imagem: Nardus Engelbrecht/AP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (14) uma recomendação para o uso do lenacapavirduas vezes ao ano para prevenção do HIV.

O medicamento injetável seria uma opção adicional de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), uma alternativa eficaz e de longa duração às pílulas orais.

Em 2024, um estudo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine (NEJM)” mostrou que o antirretroviral apresentou uma eficácia geral de 100% na prevenção do HIV em mulheres. (relembre abaixo)

Em um estudo posterior feito ainda em 2024 com 3.265 pessoas de diferentes gêneros, apenas dois voluntários que fizeram uso do remédio contraíram a doença.

As novas diretrizes surgem em um momento crítico, segundo a OMS, com a estagnação nos esforços de prevenção ao HIV no mundo. Ao todo, 1,3 milhão de novas infecções foram registradas no ano passado.

Além do medicamento injetável, o órgão também passou a recomendar sejam utilizados testes rápidos para diagnóstico do HIV, eliminando procedimentos complexos e caros.

Eficácia comprovada

Em dados apresentados na 25ª conferência internacional sobre a Aids, que aconteceu em Munique, na Alemanha, em 2024, e publicados no NEJM, Gilead Sciences mostrou que o antirretroviral lenacapavirtem uma eficácia geral de 100% na prevenção da infecção pelo HIV-1 – responsável por quase todas as infecções de HIV no mundo.

Segundo a publicação, que trouxe dados desse acompanhamento de mais de 2 mil mulheres cisgênero na Uganda e na África do Sul, o medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano se provou tão eficaz que o estudo clínico chegou a ser interrompido precocemente, já que os números superaram os critérios de interrupção pré-definidos.

Por causa disso, o Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, também emitiu um comunicado recente afirmando que o medicamento oferece uma esperança de acelerar os esforços para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 – meta que faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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