ELEIÇÕES DO PT MINAS NA JUSTIÇA I
O desembargador Roberval Casemiro Belinati, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, determinou a anulação da liminar que autorizava a candidatura da deputada federal Dandara Tonantzin à presidência do PT em Minas Gerais. A informação foi divulgada primeiramente pelo site “O Fator” e confirmada por esta coluna.
A decisão de Belinati foi proferida neste domingo (6), um dia após a concessão da cautelar que permitia a participação de Dandara no pleito. A deputada havia obtido uma liminar revertendo a impugnação de sua candidatura, feita pelo diretório nacional do partido devido a uma dívida de R$ 130 mil em mensalidades partidárias.
Como a liminar foi concedida no sábado (5) e as eleições estavam marcadas para o domingo (6), não houve tempo hábil para incluir o nome de Dandara na cédula de votação. Diante disso, o diretório nacional decidiu adiar o PED (Processo de Eleição Direta) do PT exclusivamente em Minas Gerais.
ELEIÇÕES DO PT MINAS NA JUSTIÇA II
Até o momento da redação desta coluna, não havia confirmação de nova data para o pleito. Informações colhidas junto a dirigentes do partido indicam que o fato de as eleições terem sido judicializadas causou grande desgaste interno. Segundo eles, o tema deveria ter sido resolvido dentro das instâncias partidárias, conforme prevê o estatuto do PT.
A deputada Dandara alegou que recorrer à Justiça foi sua única alternativa e afirmou que a dívida havia sido quitada em tempo hábil, mas o pagamento não foi processado pelo banco. Sua principal adversária na disputa é a deputada montes-clarense Leninha.
ELEIÇÕES DO PT MINAS NA JUSTIÇA III
O diretório estadual do PT deve se reunir nesta terça-feira (8) para discutir uma nova data para o PED. A paralisação do processo em Minas Gerais está atrasando a definição não apenas da direção estadual, mas também da nova presidência nacional do partido.
Sem os votos mineiros, é praticamente impossível declarar oficialmente o vencedor do pleito federal. Esse impasse, de certa forma, impacta as articulações pré-eleitorais do PT para 2026 — quando o grande objetivo da sigla será reeleger o presidente Lula, que atualmente enfrenta queda de popularidade, crise de governabilidade com o Congresso Nacional e vê a judicialização das eleições internas do partido em um dos maiores estados da federação.
XADREZ DO GOVERNO DE MINAS I
Os pré-candidatos ao Governo de Minas já se movimentam num verdadeiro jogo de xadrez político. O vice-governador Mateus Simões (Novo) tenta unificar a direita, uma vez que o PL de Nikolas Ferreira e o Republicanos de Cleitinho também sinalizam com possíveis candidaturas.
Mateus, além de contar com a máquina estadual, apresenta-se como uma alternativa “menos radical”. No entanto, seu principal aliado e cabo eleitoral, o governador Romeu Zema, tem adotado um discurso cada vez mais extremado à direita, buscando se projetar nacionalmente como herdeiro político de Jair Bolsonaro — atualmente inelegível.
XADREZ DO GOVERNO DE MINAS II
Pesquisas indicam que candidatos fortemente identificados com a extrema-direita em Minas — como Nikolas Ferreira e Cleitinho — têm boas chances de liderar o primeiro turno das eleições de 2026.
Contudo, como se trata de uma eleição em dois turnos, há o temor de que um discurso mais moderado prevaleça na segunda etapa. Nikolas tende a manter sua postura ultraconservadora, que o alçou como uma das principais figuras da extrema-direita no país. Já Cleitinho, atento à força da máquina pública que pode garantir a presença de Mateus Simões no segundo turno — e percebendo também a guinada mais radical deste último —, começou a se mover em direção à moderação.
XADREZ DO GOVERNO DE MINAS III
Cleitinho passou a adotar pautas tradicionalmente defendidas pela esquerda no debate nacional, buscando se tornar uma opção mais palatável em um eventual segundo turno entre dois candidatos da direita.
Ele já se posicionou a favor do fim da escala 6×1, da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, do corte nos supersalários, do fim do orçamento secreto e da taxação dos super-ricos. Demonstrou agilidade ao captar a mudança de sentimento nas redes sociais, onde cresce a adesão a essas pautas — em contraste com a postura do Congresso.
Com isso, tenta evitar o “efeito Bruno Engler”, que liderou o primeiro turno das eleições em BH, mas foi derrotado pelo moderado Fuad Noman no segundo. Até pouco tempo, esse espaço da moderação estava nas mãos de Mateus Simões. No entanto, com a guinada de Zema rumo à ultradireita — levando o vice-governador consigo, direta ou indiretamente —, Cleitinho tenta ocupar esse vácuo.
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