DECEMBER 9, 2022

FATOS & DETALHES

Pecê Almeida Júnior é jornalista e publicitário

Foto: Divulgação

SECRETÁRIO NÃO SABIA

O secretário de Estado da Cultura, Leônidas Oliveira, em um raro momento de sinceridade na política, afirmou nesta quinta-feira (5), durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que não tinha conhecimento prévio de que diversos equipamentos culturais do Estado foram incluídos pelo Governo de Minas na lista de imóveis que pretende oferecer ao governo federal como forma de abatimento das dívidas do Estado com a União, no processo de adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas). Além de declarar seu desconhecimento, Leônidas pediu apoio dos deputados para barrar a medida.

SECRETÁRIO NÃO SABIA II

Entre os imóveis que o Governo de Minas apresentou como disponíveis para venda ou federalização, estão patrimônios públicos estratégicos para a cultura mineira e que já fazem parte da história do Estado, como o Palácio das Artes, o Memorial dos Direitos Humanos, o Minascentro, entre outros. Leônidas também manifestou preocupação com a possível federalização de estatais como a Cemig e a Codemge. “Na minha opinião, a gente vai ter problemas muito sérios de fomento à cultura com a ausência da Codemge e da Cemig”, lamentou.

SECRETÁRIO NÃO SABIA III

Ou seja, nem mesmo dentro do Governo de Minas há consenso sobre os imóveis e, no caso da Cemig, Copasa e UEMG, entre outras, instituições inteiras que o Estado pretende transferir à União. A impressão que se transmitiu é que a lista de imóveis foi feita às pressas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, sem uma avaliação prévia do valor de cada um, incluindo até imóveis sobre os quais o Estado sequer tem propriedade, como os da Unimontes. Estes pertencem à universidade e precisariam, antes, ser transferidos para o Estado, mediante aprovação dos conselhos universitários, para só então, eventualmente, serem repassados à União. Entre os imóveis da Unimontes que o Governo de Minas colocou na lista está o Hospital Universitário Clemente de Faria, um símbolo importante do surgimento do SUS, num movimento que começou em Montes Claros.

VAGA DE BOLSONARO

O governador Romeu Zema (Novo) segue firme na sua tentativa de ocupar a vaga de Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, nas eleições presidenciais de 2026. Ontem, em entrevista à Folha de S.Paulo, Zema, além de afirmar que indultaria o ex-presidente pelos crimes pelos quais ele é acusado caso vença as eleições, declarou que não é historiador para dizer se houve ou não ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985, acrescentando que essa seria uma questão de interpretação. Para alguns jornalistas da imprensa nacional, a frase lembrou a célebre “eu não sou coveiro”, dita por Bolsonaro ao ser perguntado sobre as pessoas que estavam morrendo durante a pandemia da Covid-19.

VAGA DE BOLSONARO II

Antes disso, Zema já havia visitado pessoalmente o regime ditatorial de El Salvador para conhecer como funciona o sistema de segurança naquele país, que tem aprisionado pessoas em massa sem o cumprimento do devido processo legal. Esse sistema é celebrado pela ultradireita em todo o mundo e, portanto, uma visita desse tipo tem potencial de gerar dividendos políticos junto a esse público. Enquanto o mercado busca um direitista moderado para ser seu candidato à presidência — apostando no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como essa figura, embora ele seja 100% fruto do bolsonarismo —, Zema aposta numa postura totalmente alinhada à extrema-direita, buscando criar uma identificação mais direta com o eleitorado de Bolsonaro.

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