DECEMBER 9, 2022

Coluna Gustavo Mameluque: sofrida classe média

A classe média brasileira vem pagando cada vez mais imposto mesmo sem ver aumento real na sua renda.

Foto: © José Cruz/Agência Brasil

A numerosa e decisiva classe média “ come o pão que o diabo amassou desde 2015” no quesito “ correção da tabela do Imposto de Renda; e deveria ser motivo de pena,  não de ódio. Lembramos que a classe média pode decidir uma eleição presidencial.

O prazo para declarar o Imposto de Renda  terminou nesta sexta-feira, 30, mas a corrida para juntar recibos de consultas médicas e mensalidades escolares esconde uma realidade mais incômoda: a classe média brasileira vem pagando cada vez mais imposto mesmo sem ver aumento real na sua renda. O motivo é simples. A tabela do Imposto de Renda está praticamente congelada desde 2015, sem acompanhar a inflação e o custo de vida, o que distorce quem deve pagar mais.Candidaturas e mais candidaturas a Presidente, nos últimos dez anos prometeram a correção da referida tabela.

Em 2015, com R$ 4 mil você ganhava o equivalente a quase cinco salários mínimos. Hoje, com o salário mínimo em R$ 1.412, essa quantia representa menos de três. Se corrigido pela inflação (IPCA), o valor de R$ 4 mil de dez anos atrás seria equivalente a quase R$ 7 mil em 2025. Mas, como a tabela não foi atualizada proporcionalmente, quem recebe aumentos apenas para manter o poder de compra acaba subindo de faixa de tributação e sendo tratado como “rico” pel — sem de fato enriquecer.

Embora o governo tenha promovido atualizações pontuais em 2024 e 2025, elas afetaram apenas a faixa de isenção, atualmente em R$ 2.259,20. A mudança beneficia quem ganha até dois salários mínimos, o que é positivo, mas insuficiente para corrigir a distorção para quem ganha acima disso. É como pintar uma rachadura em vez de reformar a estrutura: o problema persiste e a arrecadação cresce às custas da classe média.

Segundo o próprio secretário de Reformas Econômicas, Marcos Pinto, corrigir a tabela integralmente acarretaria uma perda de arrecadação superior a 100 bilhões por ano. Esse valor silenciosamente extraído dos contribuintes não aparece em manchetes nem precisa de aprovação no Congresso. É um aumento de imposto invisível, mas eficaz — e quem mais sente são os contribuintes que sustentam escola particular, plano de saúde, segurança privada, concertinas, muros altos e o funcionamento do país com pouco apoio do Estado. Empreendedores que não apuram quase nada no final do mês. Enquanto o discurso oficial promete justiça social e tributação sobre os mais ricos, a prática mostra que é a classe média que arca com o custo da máquina pública, entra governo, sai governo. Atualizar a tabela do Imposto de Renda seria o mínimo para garantir justiça tributária. Mas, diante da realidade fiscal e das prioridades políticas do país, essa correção parece cada vez mais distante — e a conta, mais uma vez, sobra para quem está no meio. Ou seja: nós da sofrida cl

Gustavo Mameluque. Jornalista. Colunista do Novo Jornal de Notícias e da Revista Tempo de Montes Claros.

Compartilhe:


Notícias Relacionadas

Cidade Entretenimento Evento Sociedade

THEODOMIRO PAULINO

Cidade Entretenimento Sociedade

THEODOMIRO PAULINO

Cidade Entretenimento Sociedade

THEODOMIRO PAULINO

Brasil Direitos Humanos governo federal Imposto Previdência Título Eleitoral

Novo RG 2026 passa a liberar benefício de R$ 1.621 para idosos