DECEMBER 9, 2022

FATOS & DETALHES

Pecê Almeida Júnior é jornalista e publicitário

A VOLTA DA ARENA

Após o golpe militar de 1964, foi implantado o bipartidarismo no Brasil, sendo a ARENA o partido do governo e o MDB, o partido da oposição consentida. Em 1979, ainda na ditadura, ocorre o retorno do pluripartidarismo, com alguns poucos partidos sendo autorizados a se estabelecer. Desgastada, a ARENA mudou de nome para PDS. Em 1985, quando a população pressionava fortemente por eleições diretas, uma ala do PDS promove uma dissidência no partido e funda o PFL, que apoia a eleição de Tancredo Neves, do PMDB (ex-MDB), para a Presidência da República, contra o candidato do PDS e dos militares, Paulo Maluf.

A VOLTA DA ARENA II

A partir daí, o PFL tornar-se-ia a maior força da direita brasileira, polarizando com o PMDB regionalmente, embora atuando em consórcio no plano nacional. O PDS, mais à direita que o PFL, foi mudando de nome (PPR, PPB) até chegar ao atual PP. Anos mais tarde, o PFL, enfraquecido, virou DEM, nome que manteve até sua fusão com o PSL, partido que elegeu Jair Bolsonaro presidente em 2018. O casamento de DEM + PSL deu origem ao atual União Brasil.

A VOLTA DA ARENA III

Em 2025, foi anunciada uma federação partidária que une o União Brasil e o PP, o que representa, na prática, o fim das dissidências da antiga Arena, ou uma volta às origens do partido de sustentação ao regime militar — mesmo que, hoje, os entusiastas da ditadura de 64 estejam muito mais alinhados ao PL, atual partido de Jair Bolsonaro. União Brasil e PP deram à sua federação o nome de União Progressista, o que soa inapropriado: União Conservadora cairia melhor a essa composição.

MATEUS NA FEDERAÇÃO

É muito grande a chance de o vice-governador Mateus Simões, atualmente no Partido Novo, ser candidato à sucessão de Romeu Zema em 2026 pela Federação União Progressista, seja pelo União Brasil, seja pelo PP. Além de ter mais acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de TV — quesitos que essa federação liderará no próximo pleito, por ter a maior bancada no Congresso Nacional —, essa é uma composição atualmente menos radical que o Novo, que começou como um partido de centro-direita, mas caminhou para a direita e, em muitos casos, para a extrema-direita, atuando totalmente em sintonia com o PL no plano nacional.

MATEUS NA FEDERAÇÃO II

A movimentação de Mateus Simões seria estratégica. O Novo, por ter eleito uma quantidade muito pequena de deputados e senadores, além de não dispor de bons números de fundo eleitoral e de propaganda partidária, reduz as possibilidades de coligação para Mateus em 2026. Na federação, ele teria, além do auxílio de políticos mais experientes, mais possibilidades de compor com forças que gravitam mais ao centro do debate político, como o MDB e o PSD, que também dialogam com o PT em nível estadual. Outrossim, se for candidato pelo Novo, haveria dois candidatos de extrema-direita, já que o PL ou lançará Nikolas Ferreira para o governo ou apoiará o senador Cleitinho, do Republicanos.

MATEUS NA FEDERAÇÃO III

Com o apoio do atual governador Romeu Zema, que, por sua vez, deve permanecer no Partido Novo, já que trabalha para, diante da inelegibilidade de Bolsonaro, ser a opção da extrema-direita na disputa presidencial, é pouco provável que Mateus Simões não vá para o segundo turno. Mesmo que ele mantenha uma postura crítica ao PT, levando-se em consideração que fazer contraponto à pessimamente avaliada gestão de Fernando Pimentel à frente do Governo de Minas ainda é a melhor estratégia eleitoral no estado, se apresentar como um candidato mais moderado do que Nikolas e Cleitinho poderá ser fundamental para que Mateus vença um dos dois num eventual segundo turno. Afinal, se for ao segundo turno contra um candidato de esquerda ou apoiado pela esquerda, é natural que receba os votos da extrema-direita.

MATEUS NA FEDERAÇÃO IV

É lógico que qualquer mudança de partido, nesta altura do campeonato, será desmentida, refutada; afinal, Mateus Simões ainda tem 11 meses para definir se fica no Novo ou vai para uma legenda estruturalmente mais encorpada. De toda forma, é bom que as pessoas que gostam de política fiquem de olho nessa jogada de xadrez. Nela pode estar a chave das eleições para o Governo de Minas do ano que vem.

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