Em áudios divulgados pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15) o agente da PF Wladimir Soares revela detalhes sobre sua participação em uma conspiração para prender e até matar autoridades após as eleições de 2022.
Preso em novembro de 2023, Soares está sendo investigado por seu envolvimento em um plano golpista que tinha como alvo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, , o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Nas gravações enviadas ao Supremo e reveladas pelo G1, Soares não hesita em expressar sua intenção de agir com violência.
“A gente ia com muita vontade, ia empurrar meio mundo de gente, pô, matar meio mundo de gente. Não ia estar nem aí”, diz ele, revelando a gravidade do plano que envolvia a prisão e eliminação física dos opositores.
‘Cortar a cabeça de Moraes’
O áudio foi encontrado no celular de Soares, como parte de uma investigação da PF que desvendou o envolvimento do agente em uma trama de assassinato e golpe contra a democracia.
Em outra parte do áudio, Wladimir Soares compartilha detalhes de sua frustração com a decisão de Moraes, em 2020, de barrar a nomeação de Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal.
“O Alexandre de Moraes realmente tinha que ter tido a cabeça cortada quando ele impediu o presidente de colocar um diretor da Polícia Federal, o Ramagem”, afirma, evidenciando o caráter radical de sua motivação.
A operação Contragolpe da PF, que desvendou essa conspiração, prendeu quatro militares e o próprio agente Wladimir Soares. O relatório da PF indica que os envolvidos planejavam um ataque coordenado, com militares posicionados em frente à residência do ministro Moraes, em Brasília, aguardando a oportunidade para executar o plano de “neutralização”.
Os áudios também revelam o grau de envolvimento de outros membros da corporação. Um delegado, cujo nome ainda não foi revelado, chegou a se referir à missão golpista com entusiasmo, dizendo: “Grande Wladimir! Estaremos eu e você na equipe para prender e matar opositores”.
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