DECEMBER 9, 2022

FATOS & DETALHES

Pecê Almeida Júnior é jornalista e publicitário

O CAMINHO DA DIREITA  

Independentemente do julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro está inelegível por oito anos, a partir de 2022, por outro motivo. Sua inelegibilidade foi declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2023, após a corte, por 5 votos a 2, entender que o ex-presidente abusou do poder político e usou indevidamente os meios oficiais de comunicação durante uma reunião com embaixadores no Palácio do Planalto. Bolsonaro é alvo de outras 16 investigações com pedidos de inelegibilidade no TSE – e nenhuma delas tem ligação com a tentativa de golpe de Estado, que está sendo julgada no STF.

O CAMINHO DA DIREITA II  

Portanto, mesmo que venha a ser absolvido da acusação de tentativa de golpe de Estado, o que é muito improvável, é praticamente impossível que Bolsonaro esteja apto a concorrer nas eleições de 2026. Diante disso, sempre surge a pergunta: qual nome a direita vai lançar para disputar a Presidência da República contra Lula, que deverá ser candidato à reeleição? Se o próprio Bolsonaro for o responsável por essa decisão, tudo indica que ele insistirá em ser candidato até que o registro de sua candidatura seja impugnado pela Justiça Eleitoral, criando um cenário para que um de seus parentes (esposa ou filhos) seja candidato em seu lugar.

O CAMINHO DA DIREITA III  

Ao longo de seus 37 anos na política, Bolsonaro já demonstrou diversas vezes que não tem um projeto político de grupo, mas sim uma trajetória bastante personalista. Prova disso é que todos os seus filhos com idade para exercer mandato o fazem. Ele não transferirá seu capital eleitoral para alguém que não tenha o sobrenome Bolsonaro. Fala-se muito em uma possível candidatura de sua esposa, Michelle Bolsonaro, mas os últimos acontecimentos apontam que as apostas estão voltadas para Eduardo Bolsonaro. Ele vem tentando construir um discurso de perseguição política desde que decidiu morar nos EUA e abandonar seu mandato de deputado federal no Brasil. Eduardo não foi denunciado na trama golpista, não teve seu passaporte apreendido e, curiosamente, resolveu se estabelecer nos EUA no mesmo momento em que fortalece seus negócios particulares naquele país. Mas, na política, o que importa não são os fatos, e sim a versão dos fatos – como bem disse, há muitos anos, Gustavo Capanema.  

O CAMINHO DA DIREITA IV  

A extrema-direita tem outros nomes competitivos para disputar a eleição. O principal deles é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, com ou sem Bolsonaro na disputa, é o candidato preferido do establishment e do mercado financeiro, setores que tentam colar nele uma imagem de direitista moderado. No entanto, Tarcísio, em tese, tem a reeleição para o governo paulista garantida e, como deve sua eleição a Bolsonaro, não deve entrar em uma disputa interna, a menos que o ex-presidente não tenha a palavra final sobre quem será o candidato desse campo ideológico. Por outro lado, enquanto Tarcísio tem mais respaldo entre os “donos do dinheiro”, ele não tem a popularidade de Bolsonaro.

O CAMINHO DA DIREITA V  

Outros nomes da direita também cogitam disputar a Presidência, como os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). No entanto, nenhum dos três tem, até o momento, penetração nacional fora de seus estados. Tarcísio, por sua vez, conta com o apoio de parte considerável da chamada grande imprensa, dominada pelos maiores empresários do país, que, por sua vez, estão concentrados em São Paulo. Ainda assim, ele não tem força suficiente para ser um player decisivo.  

Contudo, independentemente da visibilidade individual de cada candidato, qualquer nome que melhor representar o antipetismo terá presença garantida no segundo turno de 2026. Isso porque, pelo menos desde meados da década de 1990, as forças políticas em nível nacional se dividem entre petismo e antipetismo – já representado por figuras como FHC, Aécio Neves e, mais recentemente, Bolsonaro, o único capaz de mudar o nome dessa tendência, atualmente chamada de bolsonarismo. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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