DECEMBER 9, 2022

Adoção de novos manejos garante crescimento produtivo em Januária

O balanço da quantidade média de mel da última florada, entre janeiro e fevereiro deste ano, por exemplo, foi superior a oito toneladas, segundo a associação de apicultores da região.

Foto: Faemg Senar

Região que mais produz méis no estado, o Norte de Minas segue dando mostras de crescimento produtivo, inclusive, dentro das pequenas comunidades rurais. Em Januária, apicultores de Cabeceira de Manguinho e regiões vizinhas foram capacitados pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, e puderam organizar melhor seus negócios, com resultados diretos na qualidade e produtividade.

O balanço da quantidade média de mel da última florada, entre janeiro e fevereiro deste ano, por exemplo, foi superior a oito toneladas, segundo a associação de apicultores da região.

“O ATeG trouxe maior organização do negócio e técnica para dentro do apiário. Esse aprendizado melhorou nossos méis em qualidade e quantidade. Até então, produziam sem acompanhar, sem técnica e mesmo equipamentos adequados, o que causava prejuízos, como a perda de colmeias inteiras. Agora temos a anotação certinha, o gerenciamento da atividade”, pontua o apicultor Leonardo Gomes Carneiro, um dos produtores rurais que conseguiu aprimorar seus negócios e hoje soma quatro toneladas e meia de méis por ano.

Aprimoramento

A região tem um histórico de mais de 20 anos com pequenas produções apícolas, mas ainda precisava de maior organização para dar um salto produtivo, que chegou com novos conhecimentos no campo. “O ATeG foi encerrado em 2023, e deixou um legado grande no aprimoramento das técnicas e manejo dos apiários. Serviu para quem já estava na área e outros que começaram agora. Melhoramos em quantidade e qualidade, reforçando sempre o trabalho coletivo, que tem feito a diferença por aqui”, afirma José Antônio Guedes Alves, presidente da Associação Apícola de Januária (Aapijan).

O próprio Antônio Guedes é um dos pioneiros na atividade. Na época, em 2005, ele participou de alguns cursos, mas que não conseguiram abranger uma ajuda técnica maior, para aprimorar produção. Ele seguiu acordando cedo todos os dias, fazendo captura de abelhas, tentando manter as colmeias ativas, mesmo vendo vários colegas desistindo do segmento.

“Hoje a minha principal fonte de renda é a apicultura. Nos últimos anos passei a beneficiar a produção na minha própria casa do mel, que vem sendo estruturada aos poucos, com ânimo renovado após o ATeG. No local também fazemos o processamento de méis de vizinhos. O mel produzido aqui na comunidade tem como principais destinos Santa Catarina e o Rio Grande do Sul”, comenta Antônio Guedes.

Como funciona

Toda essa transformação produtiva contou com a ajuda de especialistas do Sistema Faemg Senar, através do Programa ATeG. Criado em 2013 pelo Senar Nacional, o Programa de Assistência Técnica e Gerencial iniciou suas atividades em Minas Gerais em 2016. O programa oferece assistência técnica mensal e personalizada aos pequenos e médios produtores, ajudando na gestão da propriedade e na adoção de boas práticas produtivas.

Apesar de ser um pouco mais novo na atividade, Rômulo Gomes Carneiro passou a ter a certeza que seu futuro está na apicultura após aprimorar o trabalho no apiário. Ele, que sempre viveu na roça, mas produzindo apenas para o consumo familiar, passou a ver na atividade apícola a garantia de permanência na área rural.

“Eu vinha de uma produção baixa, com conhecimentos básicos da atividade. Colocando em prática novas técnicas, como a troca de rainhas, manejo da colmeia e mudança de pasto apícola, a produção teve aumento e ganhou em qualidade. Ainda trabalho em outras coisas, mas nos próximos anos os planos são para me manter totalmente com a apicultura.

Segundo a associação apícola local, todos os apicultores vivem a expectativa de investir em seus apiários, além da estruturação de novas casas de mel, o que vai garantir acesso a novos mercados. Para este primeiro semestre de 2025, o grande projeto é colocar o mel produzido na merenda escolar, através de parceria com as prefeituras municipais da região.

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