A Polícia Civil de Montes Claros prendeu em flagrante um homem de 44 anos acusado de perseguir e tentar matar sua ex-companheira, uma jovem de 20 anos, com quem tem uma filha de três anos. O caso, segundo as autoridades, se enquadra em um padrão recorrente de violência contra mulheres que tentam encerrar relacionamentos abusivos. “A gente está vendo muitos casos repetidos como esse, onde a vítima tenta terminar o relacionamento e o agressor não permite”, afirmou a delegada da Mulher.
A vítima sofria perseguições e ameaças há cerca de um ano, mas nunca havia denunciado. “Ela nunca procurou a polícia e deixou o caso crescer. Sempre alertamos as mulheres de que, quando a violência começa, a tendência é piorar. Por isso, é importante denunciar desde o início”, ressaltou a delegada.
O crime ocorreu quando a vítima saía do colégio acompanhada de um colega. “Ele a abordou na rua e deu uma paulada nas costas dela. Em seguida, abriu um galão de gasolina para jogar nela e atear fogo. Mas ela não caiu como ele esperava e conseguiu correr, mesmo já tendo sido atingida pelo líquido inflamável. Ela se escondeu em um matagal e permaneceu lá por horas até se sentir segura para sair”, relatou a delegada.
No mesmo dia, o agressor encontrou a mãe da vítima na rua com a criança e tomou a menina à força. “Ele mostrou o galão de gasolina e disse: ‘Hoje eu acabo com a vida dela’. Ele queria que a vítima fosse encontrá-lo em troca da criança, mas ela sabia que isso poderia ser fatal”, explicou.
Após procurar a Delegacia da Mulher, a polícia agiu rapidamente e prendeu o agressor em flagrante, resgatando a menina. “Ele foi preso por uma ação direta da Delegacia da Mulher. Agora, aguardamos a audiência de custódia para saber se ele permanecerá preso ou responderá em liberdade”, afirmou a delegada.
A investigação apura se houve tentativa de feminicídio. “Temos crimes de stalking, ameaça, vias de fato e perseguição. Se não fosse a rápida ação da polícia, esse caso poderia ter terminado em um feminicídio”, destacou.
Questionada sobre o risco caso o agressor seja solto, a delegada explicou que a decisão cabe à Justiça. “Caso ele seja solto, a vítima estará amparada por medidas protetivas, e ele poderá ser monitorado por medidas cautelares diversas da prisão. O ideal seria que ele permanecesse preso, pois é usuário de drogas e representa um risco grande para a vítima”, afirmou.
A delegada enfatizou a importância de medidas protetivas. “Muitas mulheres acham que é só um papel, mas esse papel dá um poder muito grande. Se ele descumprir a ordem judicial, pode ser preso imediatamente. O problema é que algumas vítimas acabam permitindo a aproximação do agressor, e isso não pode acontecer”, alertou.
O crime ocorreu entre os dias 25 e 26 de fevereiro. “Ele foi preso na quarta-feira (26), no bairro Monte Sião, após uma sequência de ameaças e agressões. A rápida ação da polícia impediu uma tragédia maior”, concluiu a delegada.
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