AUMENTO NA PASSAGEM
Foi notícia no dia 5 de dezembro de 2024, portanto, há pouco mais de dois meses: a Prefeitura de Montes Claros, ao custo de 9,75 milhões de reais, adquiriu 13 novos ônibus para as empresas que formam o consórcio MocBus, responsável pelo transporte coletivo urbano. Reforçando: os ônibus foram adquiridos com recursos da Prefeitura e não das empresas, que cobram passagens para executar o serviço. Segundo o release divulgado à época pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura, “cada veículo custou R$ 750 mil e o investimento foi projetado para atender às necessidades da população, sendo uma iniciativa estratégica para aprimorar o transporte coletivo e evitar reajustes tarifários”.
AUMENTO NA PASSAGEM II
Por toda a cidade, diariamente, usuários do transporte coletivo, ou seja, a parcela economicamente menos favorecida da população, que depende do ônibus para trabalhar, reclamam que o contrato do MocBus com o Município não é cumprido como deveria. Ônibus sem ar-condicionado, sujos, atendimento precário, sobretudo nas periferias, falta de abrigos adequados para os passageiros esperarem com dignidade… Enfim, há várias administrações, o transporte coletivo de Montes Claros não corresponde minimamente às expectativas da população. E, há várias administrações, a Prefeitura parece não fiscalizar como deveria, já que, mesmo diante de tantas reclamações, o serviço não melhora.
AUMENTO NA PASSAGEM III
Mesmo com a Prefeitura investindo recursos que o consórcio deveria destinar ao serviço, foi anunciado nos últimos dias um significativo reajuste no valor das passagens: de R$ 4,25 para R$ 4,60, um aumento de 8,23%, quase o dobro da inflação registrada em 2024. E, mesmo que fosse inferior à inflação, o reajuste seria desproporcional, seja pelos investimentos da Prefeitura, seja pela qualidade do serviço prestado. No fim das contas, quem sai prejudicado é, como sempre, o cidadão mais simples, que depende do salário mínimo para (sobre)viver. Que a Prefeitura, nesta nova administração, pelo menos obrigue o Consórcio MocBus a cumprir seu contrato. “Ah, mas a atividade é deficitária”. Pode ser, mas por que são as mesmas empresas há tantos anos explorando a mesma atividade? Se fosse realmente tão ruim, elas já teriam desistido há muito tempo.
FARRA DOS SUPERSALÁRIOS
O maior salário que um servidor público no Brasil pode receber é de R$ 46.366,19 por mês. Um supersalário, suficiente para qualquer pessoa pagar todas as suas despesas, investir, se divertir etc. No entanto, esse limite não é respeitado por nada menos que 36 mil funcionários da elite do serviço público. Apenas com pagamentos extra-teto, o Brasil gastou R$ 13 bilhões em 2024. A maioria absoluta dos servidores que recebem acima do teto constitucional pertence ao Judiciário: 22 mil juízes e desembargadores, além de 5,5 mil integrantes do Ministério Público.
FARRA DOS SUPERSALÁRIOS II
Para termos uma ideia, dos 1.563 juízes da ativa em Minas Gerais, 741, segundo dados do jornal “Estado de Minas”, receberam acima de R$ 200 mil mensais líquidos, já descontados impostos e contribuições. Outros 67 ganharam acima de R$ 100 mil. É aquela velha história: reclamam dos gastos da União, muitas vezes com razão, mas nem o Poder Legislativo quer abrir mão de um centavo do absurdo valor das emendas parlamentares, nem o Poder Judiciário quer receber dentro do teto constitucional, dentro do que determina a lei da qual ele é, pelo menos em tese, o responsável por fazer cumprir.
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