DECEMBER 9, 2022

FATOS & DETALHES

PECÊ ALMEIDA JÚNIOR É JORNALISTA E PUBLICITÁRIO

CANCELAMENTO DO RÉVEILLON

A Prefeitura de Montes Claros comunicou o cancelamento do tradicional Réveillon da Lagoa, devido ao estado delicado de saúde do prefeito Humberto Souto, internado há uma semana após sofrer um AVC isquêmico. Sem discutir se a decisão é correta ou não, e sem emitir opinião sobre o ponto de vista ético ou legal, surgem dúvidas legítimas. Por exemplo: a Prefeitura de Belo Horizonte cancelaria seu carnaval caso o prefeito Fuad Noman, que luta contra um câncer, fosse internado durante o período? Belo Horizonte, por sinal, terá Réveillon público, e não se sabe sequer se o prefeito poderá comparecer à própria posse. O Rio de Janeiro cancelaria o Réveillon de Copacabana ou o carnaval caso Eduardo Paes fosse hospitalizado? E Salvador, com Bruno Reis? Recife, com João Campos? E assim por diante.

CANCELAMENTO DO RÉVEILLON II

Estou torcendo pela recuperação do prefeito Humberto Souto, assim como acredito que esteja, se não toda, a maior parte da população de Montes Claros. Ele provavelmente será lembrado como o prefeito mais popular da história da cidade. Contudo, não dá para ignorar que, com o cancelamento do Réveillon — medida sobre a qual ainda não me posiciono —, quem mais perde é a população mais pobre. Aqueles que possuem condições pagarão para ouvir suas músicas preferidas e desfrutar de festas em clubes ou salões particulares. Já os menos favorecidos, que teriam a opção de ir à Lagoa, ficarão em casa. Precisamos refletir até que ponto o conceito de normalidade administrativa, mesmo em situações de grande comoção social, está sendo rompido com a decisão de cancelar o Réveillon.

CHAPA DO NOVO

É certo que o vice-governador Mateus Simões será o candidato do Novo à sucessão de Romeu Zema no Governo de Minas. A dúvida está em como as demais vagas da chapa (vice-governador e dois senadores) serão preenchidas. Uma das vagas para o Senado precisa estar reservada para o próprio Romeu Zema, que pode se candidatar à presidência, à vice-presidência ou, caso esses planos não avancem, ao Senado. Isso significa que o Novo ficaria com duas das quatro vagas da chapa, reduzindo a margem para negociações.

O objetivo do Governo é atrair o PL de Nikolas Ferreira e o PSD de Gilberto Kassab, além de convencer Cleitinho, do Republicanos, a não disputar nenhum cargo, visto que ele ainda teria quatro anos de mandato no Senado após 2026.

CHAPA DO NOVO II

O PL só aceitaria compor se o Novo apoiar a campanha presidencial do candidato da família Bolsonaro em 2026, algo possível, mas ainda incerto. Contudo, uma candidatura de Nikolas Ferreira seria altamente competitiva no primeiro turno e traria considerável aumento do voto de legenda para os candidatos a deputado do partido.

Já o PSD exigiria um esforço maior de articulação, pois seus principais líderes em Minas Gerais estão alinhados com o presidente Lula, que considera lançar um pessedista ao Governo de Minas — Rodrigo Pacheco.

CHAPA DO NOVO III

O PSD é atualmente parte da base do governo Zema na Assembleia Legislativa e tem se mostrado leal ao governador nas votações. Porém, até o próprio líder do governo na Assembleia, Cássio Soares, que é do PSD já afirmou que o candidato do partido é Rodrigo Pacheco. Por outro lado, Pacheco prefere uma indicação de Lula para algum tribunal superior (STJ, TCU ou até mesmo o STF) a disputar o Governo.

Gilberto Kassab, presidente do PSD, entende que uma candidatura própria, assim como no caso do PL, ajudaria a ampliar a bancada de deputados federais, que é o principal objetivo do partido para 2026. O PSD também pode vir a indicar o vice de Lula, possivelmente Kassab.

Portanto, as articulações para o Governo de Minas ainda estão longe de se concluir e certamente demandarão muitos cálculos e negociações.

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