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	<title>Globo de Ouro &#8211; Revista Tempo</title>
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	<description>A melhor revista de Montes Claros</description>
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		<title>Coluna Gustavo Mameluque: Fernanda Torres consagrada!</title>
		<link>https://revistatempo.com.br/2025/01/11/coluna-gustavo-mameluque-fernanda-torres-consagrada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tempo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jan 2025 11:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entretenimento]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
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					<description><![CDATA[Gustavo Mameluque. Jornalista. Crítico de cinema. Colaborador do Novo Jornal de Noticias e da Revista Tempo. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A atriz brasileira Fernanda Torres fez história na noite do último domingo, ao merecidamente, receber o Globo de Ouro pela sua atuação no filme “ Ainda estou aqui” do cineasta Walter Sales. Competia nada mais nada menos com Angelina Jolie,  Nicole Kidman e Kate Winstley ( vencedora de Oscar). Portanto um momento importantíssimo para o cinema brasileiro e para a carreira cinematográfica de Fernanda. Feito somente alcançado por sua mãe Fernanda Montenegro há 25 anos atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro e a direção desta película brasileira, sua delicadeza tende a levar esse tema ou para uma esfera curiosamente apolítica. Não é definitivamente um filme panfletário ou que faça a apologia da esquerda ou da direita. Relata uma parte da história brasileira, a meu ver, sem paixões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aconteceu assim com Che Guevara, por exemplo. Tratando da formação do futuro revolucionário, nos introduz a sua viagem de motocicleta por países da América Latina. No entanto, é difícil  conectar sua peregrinação, frequente naquele momento, com o que ele viria a se tornar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando do sequestro, tortura, assassinato e morte do ex-deputado Rubens Paiva por militares do exército brasileiro, sua delicadeza o leva a colocar a ênfase seja no heroísmo de Eunice, mulher de Rubens Paiva, seja no destino familiar, desmantelado pelo desaparecimento do seu chefe, e reconstruído graças à atividade da viúva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção do roteiro indica boa parte desse percurso. O que vemos, no início, é uma família de classe média alta que podemos tanto chamar de feliz quanto de “normal”. O pai engenheiro ocupa-se dos negócios da casa; a mãe ocupa-se dos filhos, que por sua vez estudam e/ou se divertem na praia e com os amigos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse cenário idílico transforma-se do dia para a noite, com a prisão de Rubens. Entendemos que toda a narrativa se constrói do ponto de vista da mulher, Eunice, e pode-se aceitar que fosse completamente alheia às atividades políticas do marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A situação não se suaviza, mas passa por uma estabilização, como ter um carro vigiando seus movimentos e sua casa o tempo todo. A partir desta cena a interpretação de Fernanda Torres ganha força e “ rouba” todas as cenas a partir dalí. É a partir daí que Eunice se notabiliza, seja por administrar a situação dos filhos, seja por buscar informações sobre o marido. É quando descobre, conversando com um amigo dele, que Rubens não era tão apolítico quanto parecia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ex-deputado fazia um trabalho de apoio aos guerrilheiros e aparentemente apenas isso, como tantas outras pessoas fizeram. O que justificou o seu sequestro foi, portanto, o fato de ser um personagem importante da oposição ao golpe de 1964, quando era deputado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua prisão não foi um acaso, nem foi a prisão de um “inocente”. Elas existiram. A eventual inocência de Paiva não está em questão no filme, e sim as decorrências do sequestro. Este fato demonstra o compromisso de Salles com a história real. Obviamente este fato não era motivo para sequestro e por fim morte por espancamento. Rubens Paiva faleceu sob a guarda do Estado nos “ porões da ditadura”. O Atestado de óbito de 1996 assim comprova.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa despolitização dos acontecimentos, que prosseguirá na medida em que a política é praticamente alijada do filme, embora passe a fazer parte importante na vida de Eunice, não se deve a uma opção por mascarar os fatos mais violentos daquele período. Longe disso. O filme ainda introduz alguns elementos de clara acusação dos responsáveis. O mais evidente é o retrato do então presidente Garrastazu Medici. O segundo, mais humano, é do soldado que confessa a Eunice não concordar com aquilo a tortura, em uma maneira de dizer que os responsáveis não são os soldados, mas os que mandam neles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O caráter ambíguo do filme, que chama para um tema político e termina tocando um assunto familiar me parece que se deve ao temperamento delicado de seu realizador. Por mais atroz que sejam os acontecimentos que tenha em mãos, é sempre para uma suave conciliação que o filme caminha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Salles fez o filme que quis, com toda precisão possível, abordando um fato político com ressonância histórica. Não foi infiel ao tema, não dirigiu mal seus atores ou técnicos. Mas não se pode fugir de seu temperamento, que não parece o melhor para fazer esse tipo de filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os estudantes do ensino médio que se preparam para o ENEM o filme é uma boa recomendação. Para os que não puderam ou não quiseram acompanhar a história do Brasil de 1968 para cá também fica uma oportunidade. Penso sim, que pelo compromisso com os fatos, e por apresentar um roteiro sistematizado e correto; uma direção firme, uma interpretação majestosa de Fernanda Torres, já reconhecida com a premiação de melhor atriz no “ Globo de Ouro”, que esta película mereça finalmente o Oscar de melhor filme estrangeiro. Infelizmente apenas a Academia de Artes de Holywood é que pode emitir este juízo de valor. A nosso ver é cinco estrelas e merece!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gustavo Mameluque. Jornalista. Crítico de cinema. Colaborador do Novo Jornal de Noticias e da Revista Tempo. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.</span></p>
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		<title>O que o Globo de Ouro de Fernanda Torres mostra sobre atos golpistas</title>
		<link>https://revistatempo.com.br/2025/01/08/o-que-o-globo-de-ouro-de-fernanda-torres-mostra-sobre-atos-golpistas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tempo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2025 13:02:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8/1]]></category>
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		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Golpe de Estado]]></category>
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					<description><![CDATA[Premiação ocorre na semana em que ações do 8/1 completam 2 anos
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Globo de Ouro, da atriz Fernanda Torres, chamou novamente a atenção para o filme que vem batendo recordes de bilheteria e fazendo sucesso tanto no Brasil quando fora do país. A premiação por melhor atriz em <span style="color: #ff0000;"><em>Ainda Estou Aqui</em></span> ocorre na semana em que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 completam dois anos. Se por um lado a aceitação do filme mostra o interesse da população pelo que ocorreu na ditadura e a importância da preservação da memória e da reparação às vítimas e às famílias pelos crimes cometidos no período, os atos recentes são, segundo especialistas entrevistados pela <span style="color: #ff0000;"><strong>Agência Brasil</strong>,</span> a prova de que o Brasil ainda vive uma democracia frágil.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1626085&amp;o=node" /><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1626085&amp;o=node" /></p>
<p>Para a historiadora Gabrielle Abreu, o filme traz a oportunidade de a sociedade brasileira discutir a ditadura por meio da arte. “Acho que a gente está vivendo uma oportunidade muito especial de sermos confrontados coletivamente, enquanto sociedade, com essa temática e por meio da arte, da cultura, de uma personalidade como a Fernanda Torres, o que facilita muito que o tema seja debatido e disseminado”, diz Abreu que é mestre em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou no <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="http://%20https//agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/golpe-debate-deve-ir-alem-da-academia-diz-responsavel-por-arquivos" target="_blank" rel="noopener">Arquivo Nacional</a></span> e é a atual gestora de Memória no Instituto Marielle Franco.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><em>Ainda Estou Aqui</em></span> conta a história da família Paiva, que em 1971, com o endurecimento da ditadura militar, precisa enfrentar o desaparecimento e assassinato de Rubens Paiva, engenheiro civil e político brasileiro. A história é contada do ponto de vista de quem fica, a esposa Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres.</p>
<p>Para Gabrielle Abreu, o filme tem função importante: “Ele tem essa função social, esse papel social de nos teletransportar àquela época e fazer com que as pessoas rechacem esse período, o conheçam, entendam um pouco porque hoje a gente enfrenta esses ataques sucessivos à democracia e passem a repelir o período, a ideia de uma ditadura, de autoritarismo, de censura, de limitação de direitos e, naturalmente, que isso inspire em nós, na sociedade brasileira, uma sensação de apreço à democracia”, defende.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Negação da ditadura </span></strong></p>
<p>Os desafios, no entanto, ainda são muitos. Segundo a historiadora Renata Melo, que é diretora-geral da Seção Regional da Associação Nacional de História (ANPUH) no Distrito Federal e vice-coordenadora do NEAB &#8211; Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), os impactos da ditadura vêm sendo negados por parcela da população que chega a enaltecê-la. O ato antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 foi uma das materializações desse pensamento.</p>
<p>“Nos últimos anos, vivenciamos uma reiterada negação de fatos históricos que aconteceram no Brasil, o que traz resultados negativos para boa parte da sociedade, mesmo para os que não compreenderam, não vivenciaram aquele momento histórico, que foi a ditadura e os impactos que ocasionaram na sociedade”, diz.</p>
<p>De acordo com Melo, o filme “traz à tona uma memória e uma parte da sociedade que ainda luta para que ela não seja lembrada e, inclusive, que seja negada. Negar que a ditadura aconteceu, negar os impactos negativos dessa ditadura para várias famílias, negar, inclusive, entre aspas, os vistos como subversivos, como aconteceu com aquela família, com o desaparecimento e tudo que impactou na sua trajetória”.</p>
<p>Abreu complementa: “A gente vive num país que lida com certa dificuldade em relação a memórias recentes e mais distantes, do ponto de vista temporal, cronológico. Então, por mais que a gente ainda esteja muito próximo do período da ditadura militar, são poucas décadas desde o fim formal do regime, a gente ainda vive numa sociedade com resquícios, com várias heranças desse passado ditatorial. E todas elas muito nocivas, muito negativas e que dificultam o avançar da nossa democracia, a saúde da nossa democracia, haja visto os ataques recentes a ela, que tiveram seu ápice no 8 de janeiro”.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Memória, verdade e justiça</span></strong></p>
<p>A ditadura militar se estendeu de 1964 a 1985. O período em que o país foi controlado por militares é marcado por repressão, censura à imprensa, restrição aos direitos políticos e perseguição aos opositores do regime. A Comissão Nacional da Verdade reconheceu <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-12/comissao-reconhece-mais-de-200-desaparecidos-politicos-durante" target="_blank" rel="noopener">434 mortes e desaparecimentos</a></span> durante a ditadura militar. A Comissão Camponesa da Verdade também reconheceu o impacto da ditadura para os povos do campo e apresentou, em 2015, um relatório que lista 1.196 <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/assuntos/comissoes-da-verdade/ComissoCamponesadaVerdade09dez2014.pdf" target="_blank" rel="noopener">camponeses</a> </span>e apoiadores mortos ou desaparecidos entre 1961 e 1988.</p>
<p>Segundo o integrante do coletivo Filhos e Netos Memória Verdade e Justiça, Leo Alves, que compõe a direção executiva da Coalizão Brasil Memória Verdade Justiça Reparação e Democracia, ainda falta ao Brasil a chamada justiça de transição. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), justiça de transição é o conjunto de processos e mecanismos relacionados com os esforços de uma sociedade para superar um legado de graves violações de direitos humanos cometidos em larga escala no passado, a fim de assegurar responsabilização, administração da justiça e reconciliação.</p>
<p>“Talvez a mais fundamental medida reparatória seja a justiça, é a condenação dos graves violadores de direitos humanos agentes de Estado, inclusive da repressão da época da ditadura e muitos civis também”, defende. “Não temos condenação de torturadores e isso é muito ruim para qualquer país. É isso, memória, verdade, justiça”.</p>
<p>Alves é neto de Mário Alves de Souza Vieira, que foi jornalista e dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário um dos desaparecidos pela ditadura em 1970. Alves cresceu ao lado de mulheres como a própria mãe e a avó, que lutavam e seguem lutando, como fez Eunice em <em>Ainda Estou Aqui</em>, por reparação. “É isso que o filme busca, de certa forma, retratar com a Eunice. A Eunice é isso, essa mulherada aí que lutava pela anistia [aos presos e perseguidos políticos] nos anos 70 e que mobilizou toda uma sociedade”.</p>
<p>Ele está otimista com a repercussão do filme. “O meu desejo para 2025, a partir de agora, é que esse filme abra as portas para a construção adequada da memória da ditadura militar no Brasil”.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Arte e sentimentos</span></strong></p>
<p>Para o historiador e integrante do Coletivo RJ por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, a preservação da memória é importante para que crimes como os cometidos na ditadura não se repitam. Segundo ele, o ato golpista de 8 de janeiro mostra que a democracia ainda é frágil no país e precisa ser cuidada. “Nós não temos aqui exatamente uma democracia real e justa socialmente e economicamente”, diz. “Estamos muito preocupados com a manutenção da democracia e com o alargamento e aprofundamento dela para uma democracia real em que se combata a fome, as desigualdades sociais e todos tenhamos direito a uma vida digna”, acrescenta.</p>
<p>De acordo com Ribeiro, pela arte, o filme fez a história da família Paiva e a discussão sobre a ditadura chegar onde trabalhos acadêmicos não chegam. “O papel do cinema, da literatura, da poesia, da música, do teatro é muito importante. Nós, que somos pesquisadores, historiadores, cientistas sociais, produzimos monografias, dissertações, teses. Mas temos uma linguagem fria, nós traduzimos em quantidades e qualidades, fazemos análises, hipótese de trabalho, tentamos comprovar com documentos, entrevistas, depoimentos. Os artistas conseguem muito mais, conseguem comover as pessoas por meio dos sentimentos”.</p>
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