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	<title>afasta mulheres da política &#8211; Revista Tempo</title>
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		<title>Violência de gênero assusta e afasta mulheres da política</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 15:00:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[Especialistas e parlamentares dizem que as ameaças são o principal inibidor da participação feminina.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_25456" class="wp-caption aligncenter" ><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-25456 size-large" src="https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-1024x683.png" alt="" width="1024" height="683" srcset="https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-1024x683.png 1024w, https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-900x600.png 900w, https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-768x512.png 768w, https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-300x200.png 300w, https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg-128x86.png 128w, https://revistatempo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Lohanna-jpg.png 1224w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p class="wp-caption-text">Lohanna França diz que muitas pré-candidatas estão desistindo de disputar eleições por medo —<strong> Foto</strong>: Sarah Torres / ALMG</p></div>
<p>A <span style="color: #ff0000;"><u><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://www.otempo.com.br/politica/apenas-7-5-das-prefeituras-em-minas-sao-comandadas-por-mulheres-1.3266941">desproporcionalidade entre a quantidade de mulheres que compõem a população e a de representantes femininas em cargos eletivos</a></strong></u> </span>pode ter justificativas multifatoriais, mas, entre todas as explicações possíveis, a violência de gênero é apontada como uma das mais determinantes por <span style="color: #ff0000;"><u><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://www.otempo.com.br/politica/mulheres-nos-espacos-de-poder-politico-o-que-dizem-as-que-estao-la-1.3266965">diversas agentes envolvidas com o tema</a></strong></u>.</span></p>
<p>Para a pesquisadora Ana Paula Salej, do Grupo de Pesquisa Estado, Gênero e Diversidade da Fundação João Pinheiro (FJP), essa situação se deve à cultura machista que ainda prevalece no Brasil. “Como se espera que a mulher fique em casa, existe uma tensão relacionada ao distanciamento da família, e a isso se somam as consequências das violências, o sofrimento físico, psicológico, o que provoca adoecimento. Consequentemente, as mulheres desistem de concorrer. Às vezes concorrem, mas deixam os mandatos se essa pressão for muito forte. Ou então cumprem os mandatos, mas não buscam a reeleição. Isso gera um dificultador para que os<u><strong><a href="https://www.otempo.com.br/politica/sem-mulheres-veja-lista-dos-prefeitos-de-bh-e-governadores-de-mg-1.3268615"> <span style="color: #ff0000;">índices de representatividade feminina</span></a></strong></u> melhorem”, diz Ana Paula.</p>
<p>No Brasil, a violência política contra a mulher é tipificada pela Lei 14.192/2021 como “toda ação, por meio de conduta ou omissão, que tenha a finalidade de impedir, obstacularizar ou restringir os direitos políticos da mulher”, como as ameaças sofridas nas últimas semanas pelas <span style="color: #ff0000;"><u><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://www.otempo.com.br/politica/voce-sabe-quantas-mulheres-sa">deputadas estaduais</a></strong></u> </span>Andreia de Jesus (PT), Beatriz Cerqueira (PT), Bella Gonçalves (PSOL) e Lohanna França (PV) e pelas vereadoras de Belo Horizonte Cida Falabella (PSOL), Iza Lourença (PSOL) e Loíde Gonçalves (Podemos).</p>
<p>Para a deputada Lohanna França, que registrou boletim de ocorrência depois de receber e-mails em que foi ameaçada de morte e de estupro corretivo – desde então ela passou a ser escoltada pela Polícia Militar ininterruptamente –, “a violência política de gênero influencia enormemente” a participação de mulheres em espaços institucionais de poder.</p>
<p>Lohanna explicou que uma das metas de seu mandato é fortalecer as pré-candidaturas para que se tornem candidaturas viáveis e fazer com que mais mulheres ocupem os espaços de poder. “Mas, nas conversas que eu tenho com possíveis pré-candidatas, vemos que, quando percebem o que tem acontecido, elas têm desanimado assustadoramente, porque ficam com medo. Então a gente tem uma situação que de fato desanima outras mulheres de acessar esses espaços”, disse a parlamentar.</p>
<p>Já a vereadora Iza Lourença recebeu pelo menos nove ameaças com o mesmo teor, além de ter tido ameaças contra a filha, de 3 anos. Por esse motivo, ela foi integrada ao Programa de Proteção de Defensores dos Direitos Humanos.</p>
<p>“O que eles querem é que a gente desista, e eu não vou desistir. Ano que vem vou me candidatar à reeleição para continuar trabalhando por Belo Horizonte e tenho feito uma série de cobranças para que nenhuma mulher mais desista de estar na política por causa da violência, para que a investigação chegue ao culpado e responsabilize os autores das ameaças”, afirmou a vereadora.</p>
<p>Além do desfecho para violências já cometidas, a presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MG, Isabela Damasceno, defende a adoção de medidas preventivas. Ela mencionou os diversos casos de fraude ou descumprimento da política de cotas para candidaturas femininas, o que também contribui para o cenário de sub-representação das mulheres nos espaços institucionais de poder.</p>
<p>“As políticas de contenção, de concessão de anistia, de não criminalizar o descumprimento da cota de gênero são totalmente danosas, porque entende-se que quem não respeitou pode continuar não respeitando. Então precisamos de uma mudança estrutural, que envolva o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Quando a gente coloca o Executivo é porque ele tem essa função de execução das políticas públicas e um aspecto pedagógico relacionado à inclusão de mulheres na política”, explicou a advogada.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Para pesquisadora, intimidação é risco para a democracia</strong></span></p>
<p>Para a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem) da UFMG, Marlise Matos, a ausência de mulheres na política não só representa perdas importantes no debate público, mas também é um risco à democracia.</p>
<p>“Quando se estão atacando as mulheres na política, não se estão atacando as mulheres exclusivamente, o que está sendo atacado é o exercício do direito político, é o exercício da própria democracia, do pluralismo dentro da democracia. Essas mulheres têm o direito legítimo, pelo voto popular, de exercer os mandatos e ter uma vida livre de violência. Isso é constitutivo de todo jogo democrático. Então a ameaça, a violência contra mulheres no espaço político é exercida também contra a democracia”, avaliou a pesquisadora.</p>
<p>Ela disse que não vê contradição no fato de Minas Gerais ser o primeiro Estado do Brasil a instituir uma política de combate à violência política contra a mulher, ao mesmo tempo em que tantas parlamentares mineiras enfrentam ameaças por causa da atuação delas.</p>
<p>“Justamente com a evidência desses casos e com a escalada da violência é que elas conseguiram, a partir da visibilidade, do chamamento, do clamor público em torno dessa questão, fazer aprovar o projeto de lei. Agora precisa regulamentar essa política, dar mais passos adiante. Foi sancionado pelo governador e agora precisa ser regulamentado através de um decreto, de uma publicação do governo do Estado, e é preciso haver recursos para viabilizar a implementação do programa”, comentou Marlise.</p>
<p>A Lei 24.466/2023 foi sancionada pelo governador Romeu Zema (Novo) em setembro e cria o Programa de Enfrentamento ao Assédio e Violência Política contra a Mulher. Entre os objetivos está instituir mecanismos de monitoramento e avaliação das ações de prevenção e enfrentamento da violência política contra a mulher, por meio de parcerias entre órgãos e entidades públicos e organizações privadas.</p>
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