DECEMBER 9, 2022

Bets têm faturado mais com apostas relacionadas a morte de líderes políticos

Bets em mortes já superam US$ 1 bilhão. Com guerra no Irã, apostas passaram a ser operações militares, incluindo a morte de lideranças políticas. É a completa banalização

Amontoado de Bets pelo Brasil afora

Só o mercado relacionado à ‘saída do poder’ de Ali Khamenei movimentou US$ 194 milhões. No dia 7 de janeiro deste ano, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, encerrou abruptamente uma conferência com jornalistas exatamente aos 64 minutos e 40 segundos. Tudo poderia passar despercebido se não houvesse uma aposta online de que a conferência de imprensa duraria menos do que 65 minutos. No momento da interrupção, a probabilidade de ultrapassar os 65 minutos era de 98%.

 

Secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt

 

Como não aconteceu, quem apostou pelo “não” ganhou 50 vezes o que tinha colocado.

O episódio viralizou com acusações de que a secretária agiu de propósito. Senadores começaram a debater se agentes públicos não estariam enriquecendo a si e a seus conhecidos por meio dos mercados de apostas.

Tudo isso é fichinha perto do que começou a acontecer a seguir. Com a escalada de operações militares que culminaram na guerra do Irã, as principais apostas deixaram de ser conferências de imprensa. Passaram a ser operações militares, incluindo a morte de lideranças políticas. Os apostadores já movimentaram mais de US$ 1 bilhão.
Só o mercado relacionado à “saída do poder” de Ali Khamenei movimentou US$ 194 milhões, com alguns apostadores faturando no Polymarket mais de US$ 500 mil sozinhos com a morte do líder do Irã.

Já a Kalshi voltou atrás e cancelou todas as apostas relacionadas à morte de Khamenei, devolvendo o dinheiro aos apostadores. O que aumentou a indignação, considerando que a empresa havia promovido intensamente os mercados relacionados a Khamenei em redes sociais nos dias anteriores.

Além do flagrante problema moral de se apostar em morte e em conflitos geopolíticos, há o problema dos incentivos econômicos para a realização de operações militares. Por exemplo, um apostador já acumulou mais de 1 milhão de dólares “prevendo” dezenas de operações militares com taxa de acerto próxima a 100%. Seu padrão é sempre o mesmo: apostar algumas poucas horas antes da operação ser realizada, o que incluiu “acertar” o ataque surpresa conjunto dos EUA e Israel ao Irã em fevereiro de 2026.

O cúmulo dos mercados da morte são as apostas em ataques nucleares e detonação nuclear feitas no início de março. A Polymarket, que é conhecida por não interferir no conteúdo das apostas na plataforma, decidiu não só revogar como arquivar totalmente os mercados “nucleares”.

E claro, tudo isso desperta indignação e preocupação com o vazamento de segredos institucionais e militares. Um militar israelense já foi indiciado por apostar em operações secretas. E há diversos projetos de lei nos EUA para regular ou proibir mercados preditivos. Mas nenhum parece avançar. Aparentemente, os interesses no enriquecimento com apostas já estão entrincheirados. A bola da vez agora é Cuba. Já são mais de 934 milhões de dólares apostados sobre o país. Por exemplo, a chance de ataque dos EUA já está em 35% até dezembro de 2026. E a chance do presidente Miguel Diaz-Canel “deixar” o poder até dezembro é de 64%. Tudo isso mostra o avanço da “betificação” do mundo. As bets não são só uma atividade econômica. São uma condição existencial, que vai colonizando várias dimensões da vida humana.

Já era ser proibido apostar

Já é apostar no tigrinho

Já vem apostar em conflitos, guerras e mortes

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/03/bets-em-mortes-ja-superam-us-1-bilhao.shtml

Compartilhe:

Notícias Relacionadas

Nenhum post relacionado encontrado.